4 passos para começar a investir em 2021

É possível investir a partir de R$ 10 e cabe a cada investidora escolher os produtos adequados para os seus valores, sonhos e estratégia
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Não existe um manual ou receita para investir, mas existem hábitos que, cultivados em longo prazo, nos colocam mais perto dos nossos objetivos financeiros e sonhos

Eu comparo o processo de investir ao de emagrecer. Por quê? Volta e meia nos deparamos com a “dieta da moda”, que promete grandes resultados em curto espaço de tempo, mas é comum que a perda de peso venha acompanhada do efeito sanfona, já que nada substitui os hábitos saudáveis em longo prazo. Também nem toda dieta funciona igualmente para todo mundo. Existe sempre aquela a qual nos adaptamos melhor e que, consequentemente, nos ajuda a manter a disciplina e a frequência. O mesmo acontece nos investimentos!

Não existe um manual ou receita para investir, já que o universo dos investimentos é amplo, rico em diversidade de produtos e, no Brasil, cada vez mais sofisticado à medida em que amadurecemos enquanto mercado, mas existem hábitos que, cultivados em longo prazo, nos colocam mais perto dos nossos objetivos financeiros e sonhos. Com os investimentos, você escolhe os produtos que pode investir ao longo do tempo com disciplina e frequência para a sua independência financeira, sem abrir mão de viver o presente.

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Abaixo listo alguns passos que me ajudaram e podem também lhe ajudar a iniciar a caminhada rumo à independência financeira, descobrindo os produtos certos para as suas metas e necessidades.

1. Organize-se e tenha clareza dos seus objetivos

A organização da vida financeira é a etapa zero de quem quer começar a investir. Investir enquanto você ainda paga juros altíssimos no cartão de crédito ou utilizando o cheque especial todos os meses é o mesmo que anular os seus ganhos. Por isso, coloque no papel as suas receitas (salário e outras fontes de renda) e todas as suas despesas (uma a uma, inclusive as que foram pagas via cartão de crédito). Faça um raio-X da sua vida financeira. Veja onde estão os maiores gastos, o que pode ser diminuído ou até cortado, se for um desperdício. Coloque a casa em ordem.

Saiba também quais são os seus objetivos ao investir. Você quer comprar um bem, viajar, atingir uma determinada quantia para aposentar, ajudar um familiar? Defina metas e saiba o quanto elas custam. Ter essa clareza do porquê estamos investindo torna a prática mais estimulante e ajuda a manter a disciplina.

Tenha clareza do seu objetivo independentemente da sua profissão, do quanto você ganha e do seu padrão de vida. Se você parasse de ter suas fontes de receita hoje, por quanto tempo aquele montante que você tem investido pode sustentar o seu padrão de vida atual ou o que você deseja ter no futuro?

Conheço profissionais com um padrão de vida alto e um fluxo de caixa recorrente, mas que investem mal ou não investem. O resultado é que, quando o capital humano vai diminuindo ao longo do tempo, essas pessoas passam a ter menos disposição e energia para trabalhar no mesmo ritmo e, consequentemente, acabam perdendo o padrão de vida que cultivavam.

Por isso, pergunte-se a si mesmo: Qual é o meu objetivo de vida? Quando eu não tiver o mesmo capital humano, o meu padrão de vida continuará o mesmo? Eu estou satisfeito com o salário que tenho hoje? Se não, posso me capacitar mais? O que posso fazer?

2. O seu primeiro investimento deve ser a reserva de imprevistos

Não existe manual para investir, mas existem erros que devem ser evitados por quem deseja construir a independência financeira em longo prazo. Deixar de construir a reserva de imprevisto ou investi-la nos produtos errados é um equívoco que atrasa muita gente nesse trajeto.

E AINDA: Quer começar a empreender? Siga nosso passo a passo

A poupança já não é há alguns anos a melhor opção para o seu dinheiro. Em 2020, ela rendeu 2,11% (quase metade da inflação), ela não é garantida pelo governo e nem pelo banco. A garantia da poupança é a mesma que encontramos em outros produtos do mercado financeiro, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), exatamente a mesma. Por quê? Porque nos investimentos em renda fixa as garantias são relacionadas aos produtos e não ao emissor. Logo, a poupança de todos os bancos tem a mesma garantia, os CDBs de todos os bancos têm a mesma garantia: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre os investimentos em até R$ 250 mil, no limite de R$ 1 milhão, em até quatro conglomerados financeiros diferentes.

De quanto deve ser a sua reserva de imprevistos? Ela deve ser suficiente para cobrir, pelo menos, três meses o seu custo de vida.

Exemplo: se hoje o seu padrão de vida tem um custo mensal de R$ 5 mil, você precisa ter, pelo menos, uma reserva de R$ 15 mil. Essa reserva não vai ser feita do dia para a noite, mas não meça esforços para construí-la o mais rápido possível.

Eu recomendo que, todos os meses, você reserve 20% da sua renda para os investimentos. Se não for possível começar com 20%, dê o primeiro passo com 5%, mas comece por algum lugar.

Para os autônomos e profissionais liberais que a receita varia mês a mês, recomendo que a reserva seja de, pelo menos, seis meses. Veja mês a mês quanto foi a sua receita nos últimos 12 meses e faça uma média das suas receitas e dos seus gastos nesse período.

A reserva de imprevistos deve estar alocada em CDBs com liquidez diária, fundos DI com liquidez diária ou no Tesouro Selic. A rentabilidade desses produtos com liquidez diária (imediata) é basicamente a taxa Selic. Lembrando que, a taxa Selic está em 2% ao ano, mas existe uma projeção de aumento no segundo semestre de 2021.

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Os CDBs com liquidez diária estão disponíveis nas plataformas de investimento e, em geral, as opções oferecidas para aplicações são a partir de R$ 1 mil. Já com o Tesouro Selic é possível investir com menos, a partir de R$ 100,00. O mesmo acontece com os fundos DI que têm opções a partir de R$ 100,00 no mercado.

Tem que investir todo mês? Não existe regra para nada com os investimentos. Logo, você não precisa investir todos os meses, mas deveria. É um recurso para o seu eu do futuro, quanto mais cedo você deixar de consumir coisas inúteis e colocar o dinheiro para trabalhar por você, melhor.

3. Depois da reserva, a renda fixa

Quem deseja ter independência financeira precisa evitar o efeito manada nos investimentos. Algo bem comum quando não temos objetivos financeiros claros e bem definidos, por isso é tão importante saber onde se quer chegar e como as nossas escolhas nos ajudam nesse processo. A renda fixa é parte dessa trajetória.

A proporção que eu uso na minha carteira de investimento é:

20% (reserva de imprevistos) + 40% renda fixa + 40% renda variável

Eu divido a renda fixa em duas partes:

Parte I – Produtos financeiros com garantia do Tesouro Nacional ou do FGC (conforme regras já mencionadas). Exemplos: títulos públicos, CDB, LCI ou LCA;

Parte II – Produtos financeiros com garantias próprias do emissor, não têm cobertura do Tesouro ou FGC. Exemplos: CRIs, CRAs, Debêntures, Fundos de crédito privado e etc.

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Dica: no mercado secundário da renda fixa você encontra os melhores produtos da Parte I e II.

Para escolher um CDB comece pela classificação de risco, conhecida como rating. Os ratings vão de AAA (baixíssimo risco) até C (altíssimo risco).

Considerando a conjuntura atual, recomendo escolher um CDB (ou outros produtos) com vencimento de curto ou médio prazo (até dois anos), sempre atrelados a um indexador da inflação (como o IPCA) ou um prefixado que pague um juros mais elevado.

4. Só depois da renda fixa, vem a renda variável

Quem está começando precisa controlar a ansiedade e construir aos poucos a independência financeira com disciplina, frequência e objetivos claros. Na renda variável, eu gosto de começar com os Fundos Imobiliários (FIIs) que têm menor volatilidade na comparação com as ações, pagam rendimentos mensais e são isentos de imposto de renda.

Na minha carteira, por exemplo, eu tenho fundos de shoppings centers, fundos de galpões logísticos e fundos de fundos (FoF, na sigla em inglês), que são fundos que investem em cotas de vários outros fundos imobiliários em diferentes setores da economia, como shoppings, galpões logísticos, hospitais e etc. Os fundos de fundos são uma excelente opção para diversificar os investimentos nos FIIs.

Nas ações, eu tenho olhado muito para o setor de commodities em função da forte recuperação e demanda da economia chinesa, especialmente commodities minerais e agrícolas.

Setores que eu gosto de investir e podem ter um bom desempenho em 2021:

Bancos – Estavam bem descontados no ano passado e vêm se recuperando;

Turismo e Companhias aéreas – Sofreram muito em 2020 em função da pandemia e devem se recuperar com as vacinações. Os ativos, em geral, são mais voláteis;

Energia – Setor defensivo e que paga bons dividendos;

OLHA SÓ: Como montar uma reserva financeira

Varejo – Embora o e-commerce tenha ido muito bem em 2020, as empresas do varejo também tendem a se beneficiar da reabertura das economias.

É possível investir a partir de R$ 10 ou R$ 10 mil, logo, as possibilidades são muitas e cabe a cada investidora escolher os produtos adequados para os seus valores, sonhos e estratégia. Eu recomendo ainda a automatização dos investimentos. Como? Programe transferências mensais na quantia que deseja investir. Assim, todos os meses, na data estipulada, o dinheiro sai da sua conta no banco e vai direto para a conta na corretora. Fazer isso me ajudou muito a manter a frequência e disciplina e com certeza irá lhe ajudar também!

Ser independente financeiramente é muito mais do que não depender de alguém, é escolher de quem vamos depender, seja do amor dos nossos filhos ou das pessoas que escolhemos para estar à nossa volta.

Como disse Shakespeare: “Quem deseja fazer uma fogueira, deve começar pelos gravetos”. Comecemos 2021 com muitos gravetos!

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