Conheça a bartender Thaty Gidaro e aprenda dois drinks deliciosos para o fim de semana

Em busca de emprego, a barwoman se apaixonou pela coquetelaria por acaso ainda na adolescência
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Eu sou Thaty Gidaro, bartender e mixologista há 30 anos. Trabalho com consultoria de drinks e coquetéis para bares, restaurantes e eventos em Florianópolis, Santa Catarina.

Minha primeira experiência na coquetelaria foi na base do “se vira nos 30”! Eu tinha apenas 17 anos de idade, em uma época em que mulheres atrás do balcão não eram bem aceitas.

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Em uma noite, após caminhar muito em busca de trabalho, parei em um bar para observar uma movimentação de pessoas que aguardavam ansiosos por bebidas coloridas e enfeitadas, feitas por um bartender, que parecia um mago, um alquimista. A forma como ele jogava as garrafas e gesticulava com as mãos para detalhar cada drink decorado com frutas, guarda-chuvinhas de papel e canudinhos coloridos, me encantou.

Notei a expressão de alegria dos clientes que saboreavam as bebidas e imaginei qual seria o gosto de cada um deles. Infelizmente, naquela época, eu era menor de idade e pude experimentar os coquetéis, mas fiquei mexida com 

Foi então que comecei uma busca nas bibliotecas públicas da cidade de Campinas, São Paulo, mas, infelizmente, em nenhuma delas encontrei um livro que ensinasse como fazer drinks e coquetéis. Não desisti por ali.

Me aventurei em alguns sebos de livros e, por sorte ou predestinação, encontrei um material surrado, bem antigo e sem capa que se chamava “Guia Internacional do Bar”, cuja autoria era de um senhor chamado Michael Jackson –mas não o cantor!

O momento foi como uma luz no fim do túnel. Emocionada, acabei trocando dois dos meus livros favoritos e impecáveis por aquele sobre drinks. Eu jamais imaginaria que um dia essa troca mudaria minha vida.  

Fiquei encantada com as receitas, os copos e as histórias. O livro era antigo, mas tinha gravuras lindas.

Depois de meses estudando a obra e sem prática nenhuma, resolvi arriscar a sorte e tentar um emprego na área. Olhei os classificados e encontrei uma vaga de barman. 

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O nome já sugeria que eles precisavam de um homem no balcão, mas ainda assim fui para a seletiva, cuja fila para a entrevista era imensa e não tinha mulheres. Alguns daqueles que estavam aguardando chegaram a me perguntar se eu estava na fila errada ou se iria trabalhar na cozinha.

Finalmente entrei na sala para ser  entrevistada, pelo dono do restaurante e sua esposa. No começo da entrevista ,eles acharam estranho esbarrar em uma candidata mulher e me questionaram sobre o porquê de eu estar ali.

Enfim começaram as perguntas teóricas sobre receitas de drinks. Meu coração acelerou porque tudo que eu sabia vinha daquele único e velho livro do tal do Michael Jackson.

Respondi cada questão sobre as receitas dos drinks e coquetéis corretamente, mas deixei claro que aquele seria meu primeiro emprego atrás de um balcão.

Na sequência, começou o interrogatório da segunda etapa do processo:

– Você vai aguentar carregar caixas de bebidas e engradados de cerveja? 

Respondi com firmeza:

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– Sim, Sr. Carlos. Mas o senhor tem um carrinho de transporte? Se não tiver, não tem problema. Nem que eu precise carregar garrafa por garrafa, tenha a certeza de que o bar vai estar sempre abastecido.

Afinal de contas, tenho força de vontade.

Depois disso, participei da primeira semana de testes práticos, concorrendo com mais cinco barmans à vaga. Ao final do processo, finalmente, fui contratada

Após um ano de trabalho, ganhei meu primeiro curso de coquetelaria do dono do restaurante. Depois disso, não parei mais: fiz mais de 37 cursos e especializações na área, além das participações em concursos.

Alguns anos após a passagem pelo restaurante do Sr. Carlos, fui para Florianópolis, Santa Catarina, onde trabalhei nas casas mais requisitadas.

Conheci alguns clientes pelos locais que passei. Entre eles, alguns italianos que gostavam de ouvir música brasileira e apreciar drinks feitos com amareto. Simpatizaram tanto comigo, que me convidaram para trabalhar com eles na terra das massas. Fui para a Sardenha!

Com apenas dois meses de Itália e depois de estudar muito e vivenciar a cultura italiana, acabei aprendendo a me comunicar.

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Entre idas e vindas, eu trabalhava algumas temporadas no verão brasileiro e outras no verão italiano. Foi assim por cinco anos. 

Em 2012, terminei a temporada do verão italiano, ganhei meus eurinhos, e parti para  Roma, onde concluí o  curso de mixologia internacional pela European Bartending School. 

No ano seguinte, resolvi aproveitar as temporadas italianas trabalhando com o que gosto:coquetelaria! Até então, o tempo que eu passava lá era dedicado ao negócio voltado para o segmento de moda daqueles clientes italianos que eu havia conhecido em Florianópolis.

Deu tudo certo. Consegui muitos trabalhos voltados para a coquetelaria na Sardenha, Positano, Capri, Sicília, Roma e Veneza. As funções eram as mais variadas: desde aulas de caipirinha até o preparo de bebidas para o público frequentador das casas por onde passei.

Hoje, aos 48 anos, continuo trabalhando com o que mais gosto, mas de um jeito diferente: ensino empresários e pessoas que, assim como eu, não sabiam como chacoalhar uma coqueteleira.

Harmonização de drinks: aprenda realçar ainda mais seus pratos e sobremesas

O casamento de sabores, conhecido como mixologia, tem se popularizado e criado tendências na hora de harmonizar as refeições com drinks. Quem gosta de um bom coquetel sabe que ele fica melhor ainda quando acompanhado por um prato saboroso ou de uma sobremesa inesquecível. 

Quando o assunto é bebida, cada um tem a sua forma de apreciar, seja aquela cervejinha gelada, um vinho ou whisky. 

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Hoje vou  apresentar para vocês duas receitas que criei bem fáceis e convidativas. Elas são ideais para promover um clima perfeito e aquecer o friozinho que está chegando por aí.

A canela é um ingrediente que tem a cara do inverno, por isso, o primeiro drink combina muito bem com a estação mais fria do ano. 

Red Hot Fruit

Conheça a bartender Thaty Gidaro e aprenda dois drinks deliciosos para o fim de semana

Ingredientes:

– 60 ml gin

– 3 morangos

– 1 sachê de chá de frutas vermelhas 

– 1 fatia de laranja seca 

– 1 canela em pau 

– 15 ml de mel

– 250 ml água tônica 

Coloque o gin em fusão com o chá de frutas vermelhas e mel. Em seguida, adicione os morangos picadinhos, o gelo, a canela em pau e o mel. Despeje água tônica e finalize com laranja desidratada. 

Combinações: Apesar de associarmos os vinhos com carnes, queijos e risotos, esse drink também vai bem com esse tipo de refeição.

Para sobremesa

Para encarar as baixíssimas temperaturas das últimas semanas, sugiro esse delicioso coquetel quente preparado com amarula:

Expresso Amarula 

Conheça a bartender Thaty Gidaro e aprenda dois drinks deliciosos para o fim de semana

– 50 ml amarula

– 30 ml rum de coco

– 50 ml café expresso

– Chantilly

– Canela em pó

– Calda de chocolate

Em uma taça para bebidas quentes despeje a calda de chocolate. Na sequência adicione a amarula e o café expresso quente. Finalize com chantilly e polvilhe a canela.

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