Qual a solução para a crise fiscal do país?

A resposta ainda é uma incógnita, mas é preciso pensar bem nas medidas que serão tomadas agora para não prejudicar ainda mais o país no futuro
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Paulo Guedes, ministro da economia (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

O assunto mais discutido, atualmente, no mundo dos investimentos, principalmente de renda variável, é a difícil situação que o governo enfrenta em relação ao risco fiscal. Com essas duas palavras sendo faladas a todo tempo em análises e notícias, é comum que as investidoras queiram entender o que está acontecendo e como isso impacta seus investimentos.

O risco fiscal é um problema que o Brasil já enfrentou muitas vezes e está relacionado à dificuldade do governo federal de administrar as finanças do país. Quando falamos de gestão financeira, existe uma regra básica: não gastar mais do que se ganha. Só assim evitamos dívidas e praticamos um gerenciamento saudável das nossas contas.

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Durante a pandemia de Covid-19, o governo precisou gastar uma verba não prevista para ajudar a população e manter a economia ativa, o auxílio emergencial, que gerou um gasto extra de R$ 60,49 bilhões, segundo dados do Tesouro Transparente. Por outro lado, como a maior parte da arrecadação do Estado vem dos impostos, principalmente sobre produtos, e o consumo caiu drasticamente, o montante arrecadado dessa forma também diminuiu. Em 2020, o nível de arrecadação apresentou uma queda de 6,91%.

Desde então, a situação financeira começou a ficar complicada – e os gastos não pararam. O governo já anunciou, inclusive, a substituição do Bolsa Família pelo Auxílio Brasil, medida que terá um impacto de R$ 30 bilhões a mais nas contas públicas em função da diferença no valor (de R$ 191 para R$ 400) e do número de pessoas atendidas (de 14,6 milhões para 17 milhões).

Essa decisão vai extrapolar o teto de gastos – limite definido para controlar a dívida pública. Para “driblar” o empecilho, o governo estuda alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, incluindo valores de medidas – como a reforma tributária – no orçamento dos próximos anos.

O problema dessa proposta é considerar projetos que ainda não foram aprovados como favas contadas. Eles podem sofrer alterações ou até ser vetados, causando um desequilíbrio maior ainda no orçamento. 

Vamos tomar como exemplo a reforma tributária, com a qual o governo pretende aumentar suas receitas em R$ 3 bilhões. Por antecipação, ele decide, hipoteticamente, usar esse recurso em um projeto de infraestrutura urgente. No entanto, a reforma é reprovada ou sofre alterações, inviabilizando a entrada do dinheiro previsto. Em resumo, o governo gastou um dinheiro do qual não dispunha, desequilibrando as finanças e prejudicando a economia.

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Mas por que devemos nos preocupar com o fato de o governo gastar muito? O principal problema é no futuro. Em primeiro lugar, a falta de dinheiro impacta diretamente programas sociais e projetos já definidos. Além disso, para aumentar a receita, a fórmula, quase sempre, é o aumento de impostos. Como grande parte deles incide diretamente sobre os produtos, isso significa aumento de preços.

Por fim, com a falta de controle sobre os gastos, o país se torna mais arriscado – o que afugenta os investidores. Nesse cenário de expectativas pessimistas, a bolsa cai e o dólar sobe, já que a preferência recai sobre investimentos menos voláteis e moedas fortes, como uma forma de proteção.

A situação é delicada e gera divergências entre os economistas. Alguns acreditam que, neste momento, a medida se torna necessária, já que o país enfrenta uma crise econômica. Outros temem o impacto futuro, ou seja, uma piora da situação do país – que, como se não bastasse, ainda será palco de eleições em 2022. 

O problema, no entanto, não é recente – começou no ano passado. A gestão econômica e as medidas adotadas na época, em estímulos e gastos, não foram corretamente administradas. Apesar da situação em que o mundo se encontrava por causa da crise sanitária, os conflitos políticos e econômicos levaram à situação em que o Brasil se encontra neste momento.

A solução para o imbróglio ainda é um mistério para o governo e para os economistas, no entanto, é necessário que os administradores não foquem apenas na solução no curto prazo, como a maioria dos governantes fez e ainda faz, mas nas consequências que essas medidas podem causar no futuro. Quando o economista britânico John M. Keynes escreveu que no longo prazo estaremos todos mortos, não significa que não devemos pensar nos resultados das nossas ações, mas que devemos pensar em medidas capazes de solucionar os problemas do presente sem gerar graves consequências no futuro.

Carol Proença é estudante de economia e especialista de investimentos certificada

O conteúdo expresso nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva das autoras e podem não refletir a opinião da Elas Que Lucrem e de suas suas editoras

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