3 medidas econômicas que a história já provou serem um fracasso

Visitar o passado é uma ótima maneira de não repetir os erros no presente
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Olhar para o passado e aprender com as experiências vividas – incluindo aquelas que fracassaram – é quase sempre o caminho mais curto para resolver um problema. A história é uma grande conselheira, e isso vale, inclusive, para as crises enfrentadas pelos países e seus governos.

A economia é um jogo de peças interligadas – PIB, inflação, câmbio. Ao mexer em uma, todas as outras são impactadas. A principal função – e o principal desafio – dos economistas é entender as regras do jogo e saber avaliar como uma peça pode gerar consequências para a outra. Ao fazer isso, eles serão capazes de identificar problemas e definir o melhor jeito de posicionar todas as peças.

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Quando o governo atua em um determinado cenário, é como se ele mudasse uma das peças de lugar. Se essa mudança não é feita com base em um estudo robusto daquela medida e de suas consequências, as peças se desequilibram. Mesmo sabendo disso, muitos governos insistem em repetir jogadas que a história já comprovou que não funcionam.

Veja, a seguir, três medidas que, comprovadamente, não trouxeram os resultados desejados:

Congelamento de preços

O congelamento de preços é uma medida que alguns governos adotam em períodos de inflação muito alta. É o caso da Argentina, que enfrenta aumentos de preços na casa dos 3,5% ao mês.

A medida  consiste em fixar os preços de alguns produtos, com base no valor atual ou em outro, definido pelo governo. No entanto, para as empresas, isso pode representar um problema, uma vez que os custos de produção não obedecem à mesma regra e podem continuar subindo. Como não podem repassar esses aumentos para o valor final, a tendência é de um grande queda de receita ou até da inviabilização do ciclo produtivo. E, se as companhias param de produzir, há o risco de desabastecimento.

Essa não é a primeira vez que o governo argentino tenta fazer o congelamento de preços. Em uma década, a medida já foi adotada três vezes – 2013, 2019 e 2021 -, e o resultado foi a falta de itens no mercado. No Brasil, a medida foi tomada diversas vezes na década de 1980 e o resultado foi o mesmo.

Impressão de dinheiro de forma descontrolada

Muito utilizado, o termo “impressão de dinheiro” é uma referência à iniciativa do governo de colocar mais moeda em circulação, injetando recursos na sociedade. 

O problema é quando isso acontece de forma descontrolada, ou seja, sem o incremento também da produtividade. Com o aumento da demanda – graças à maior oferta de dinheiro – e a permanência da oferta no mesmo patamar, existe um aumento de preços, gerando inflação.

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Um dos casos mais emblemáticos nesse sentido aconteceu na Alemanha, depois que o país foi derrotado na Primeira Guerra Mundial. Com o país completamente destruído e endividado, o governo passou a imprimir muito dinheiro para cobrir esses custos. O resultado foi um dos piores na história da economia mundial: o dinheiro passou a valer muito pouco e a inflação chegou a 29.500% ao mês. Relatos da época dão conta de que a população usava o dinheiro para manter as lareiras acesas, pois ele valia menos do que comprar os produtos para garantir o aquecimento.

No Brasil, essas medidas também já foram adotadas algumas vezes: na Era Vargas (1930-1945), no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e durante o governo de José Sarney (1985-1990). Em todas elas, a inflação disparou.

Aumento de gastos sem planejamento

Quando falamos de finanças – do governo ou de quem quer que seja -, existe uma regra básica: não se pode gastar mais do que se ganha. No entanto, em alguns períodos da história da economia, governos simplesmente ignoraram esse princípio.

Como os cofres públicos são abastecidos pela arrecadação de impostos, o governo precisa compensar gastos extras com arrecadação extra, ou ficará endividado. Por outro lado, contrair dívidas só adia o problema: uma hora elas terão de ser pagas e isso pode significar, mais uma vez, aumento de impostos.

No Brasil, estamos vivendo um cenário parecido desde 2020, quando o governo precisou gastar mais para cobrir as despesas extras acarretadas pela pandemia de Covid-19. Situação parecida ocorreu em 2014 e 2015, quando houve um descontrole dos gastos públicos, pois o governo passou a ter gastos maiores em projetos sociais, projetos de infraestrutura, com a Copa do Mundo de 2014 e para manter o restante da estrutura pública – hospitais, escolas e os próprios custos para que o governo consiga funcionar. Na época, o país viveu a pior retração econômica em 25 anos, com uma queda de 3,62% no PIB. Em 2016, o déficit fiscal já somava 2% do PIB. A economia foi se deteriorando.

Tudo isso serve para demonstrar que o jogo da economia é complexo e as jogadas devem ser extremamente estratégicas. Além de muita cautela e planejamento, uma espiadinha no passado não faz mal a ninguém. 

Carol Proença é estudante de economia e especialista de investimentos certificada

O conteúdo expresso nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva das autoras e podem não refletir a opinião da Elas Que Lucrem e de suas suas editoras

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