Como falar de dinheiro no relacionamento

Essas conversas não precisam de um momento solene ou data marcada para acontecer: o importante é que a comunicação seja às claras e o quanto antes
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avatar Francine Mendes
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 (In)Felizes para sempre, pode ser?

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Acredite, segundo estudos recentes, mais de 75% dos relacionamentos estão em baixa performance a respeito das expectativas emocionais e financeiras que o precedem. 

Quase 80% dos casais nos Estados Unidos colocam no dinheiro a maior fonte de estresse da “parceria”.

Cara leitora, eu acredito que toda relação deva ser uma união de esforços com objetivos convergentes. 

Eu sei, somos ensinadas desde a infância a buscar um bom casamento, alguém que nos salve das “mazelas” da vida adulta. Oh céus, oh vida, como lamentamos, reclamamos e exigimos indenização moral (e financeira ) da sociedade pela culpa que sentimos por nos dedicarmos demais ao outro e não obtemos os juros adequados pelos investimentos feitos. Pois é, colocaram em nossas cabeças uma fragilidade mental e para compensá-la devemos exercitar fortemente a arte de sermos agradáveis e belas. Não cultivar a beleza é um insulto cultural.  Tudo porque aprendemos que no modelo padrão o homem precisa ser o provedor da casa, o chefe da família – ouvimos piadinhas do tipo, homem esperto é aquele que ganha mais do que sua mulher consome e a mulher esperta é aquela que acha um homem desses; o assaltante pede seu dinheiro ou sua vida, as mulheres querem os dois; mulher não gosta de homem, gosta é de dinheiro e por aí vai.

Essas são algumas frases que você já deve ter ouvido e certamente sorriu constrangida. São as mesmas frequentemente faladas numa roda de homens e que levantam inúmeras gargalhadas. Se bem que a última delas em parte eu concordo, mulher gosta de dinheiro sim! Já de homem, algumas gostam, outras não… 

Não confunda espírito materno com espírito de tonta. É legítimo querer cuidar da família, sonhar em casar, ter filhos e se dedicar à felicidade das pessoas que amamos, desde que esse também seja o nosso objetivo, e principalmente – esse investimento de tempo aos nossos, não nos leve para a pobreza mental e monetária.  

Mulheres que lucram assumem autorresponsabilidade e dizem exatamente o que sonham em termos de dinheiro e padrão de vida dentro da relação. 

Portanto, se você quer ter autonomia sobre suas escolhas enquanto viver saiba que precisa ser interessada hoje – não interesseira, interessada!

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Nos relacionamentos, é importante cultivar essa vulnerabilidade, parte crucial da intimidade, para saber como será o futuro de ambos na relação, os objetivos devem ser, necessariamente convergentes, mas cada um precisa respeitar o espaço do outro. 

Eu penso que os opostos se repelem e os dispostos de atraem. Quais são os valores fundamentais ao casal? 

Quem é mais generosa (o) e quem é mais egoísta? 

É preciso haver uma zona segura para ambos os comportamentos, sobretudo nas finanças.  

Quem contribui com o quê na relação? 

Como você e a outra parte lida com o dinheiro, quais são suas crenças em relação ao consumo, trabalho, poupança, investimentos… 

E essas conversas não precisam de um momento solene ou data marcada para acontecer. A comunicação precisa ser às claras e o quanto antes. 

Em que momento você está da sua carreira? Qual carreira quer seguir? 

Os eventos que mais influenciam na saúde financeira da mulher são casamento, maternidade e divórcio. 

Quanto custa a vida que você quer levar? Quais são suas ambições morais e financeiras? Seu parceiro(a) está disposto a embarcar no seu sonho ou apenas você nos projetos alheios. A disponibilidade na relação começa no primeiro encontro e só permanece quando ambos desejam juntos o desejo um do outro. Acontece que as mulheres não foram educadas para serem o que precisam ser. A felicidade mentirosamente pregada acerca da vida das princesas, não acontece no mundo real.

Nós mulheres temos mais esse trabalho de reposicionamento social – educar nossos instintos e os instintos do outro que foi ensinado por sua mãe,  ser  prioridade.  O nascimento dos meninos costuma ser mais festejado que o das meninas. 

Esse é o elefante na sala. Essa é a questão central, entrar numa relação para evoluir na mente, no corpo e no espírito. Dinheiro é um meio de manter esse tripé em equilíbrio. 

Eu vejo três formas de um posicionamento firme na relação: 

  1. O que é meu é meu; o que é seu, é seu; o que é nosso, é metade de cada um.  Para isso aconselho contas bancárias individuais e uma conta conjunta para que cada um compartilhe as despesas de acordo com a proporcionalidade de sua renda. 
  2. Caso alguém no relacionamento optou pela carreira de esposa (o) e/ou mãe (pai), exclusivamente,  para mim a profissão mais trabalhosa do mundo, deve estipular uma remuneração pelo seu tempo, ainda que fictícia. É ideal que seja real mesmo. Esse valor investido pelo seu tempo em cuidados familiares permitirá que você tenha liberdade de consumo na relação caso você seja mais egoísta ou mais generosa e possa consumir o que der vontade sem dar muitas explicações. Mas esse assunto deve ser conversado da maneira mais aberta e transparente possível, ambos devem estar confortáveis com as escolhas. No entanto, os homens costumam ser mais racionais nesse aspecto. Racionalidade se faz com porquês. Questione a si e leve de forma clara suas preocupações. 
  3. Independentemente da profissão que você decidir exercer, aconselho que faça um seguro para protegê-la de suas próprias escolhas. A partir deste ano existe seguro para esses eventos na vida da mulher tão importantes para a sociedade. Seguro é investimento e investimento é seguro. Garanta uma reserva de emergência para sua família e uma para você. Eu costumo chamar essa estratégia de mala pronta e também ser honesta sobre essa decisão é fundamental. Infidelidade financeira, segundo vários estudos, machuca mais que traição conjugal. Cuidado!  

Por isso, compreender a situação financeira e relação com o dinheiro de cada um não serve para fazer pré-julgamentos, mas para compartilhar intimidade, valores e planos. A única coisa que realmente importa aqui é o respeito. E, dessa forma, a situação fica mais leve para ambos. 

No Brasil, por exemplo, falar de dinheiro é um tabu tão grande que menos da metade das pessoas têm esse tipo de conversa em casa – 44%, segundo uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). 

Casais que falam sobre finanças são mais felizes

Um estudo conduzido pela Fidelity Investments mostrou que a comunicação é crítica para o sucesso financeiro do casal. 

Isso porque entre os casais que se comunicam bem, oito em 10 dizem que têm a expectativa de ter um estilo de vida confortável quando aposentados e 73% se dizem com muito boa ou excelente saúde financeira. 

E então, como está sua relação com sua mente, corpo, dinheiro e conjugal? 

O dinheiro que temos é instrumento de liberdade, o que corremos atrás, é nossa servidão. Qual papel você desempenha hoje na relação? Ambos são servos? Ambos são livres? Quem é um ou outro? Independentemente do que e como seja, é fundamental questionar para evoluir. Mulher em construção de sua autonomia e  independência financeira conduz com sabedoria a si e seus. 

Francine Mendes é autora do livro ‘Mulheres que Lucram’, fundadora da Femtech Elas que Lucrem e CEO do Ellebank, além de ser mãe, esposa, empresária, e mestre em Psicanálise. O Instagram é @francinemendes e o canal do YouTube é https://www.youtube.com/c/FrancineMendes2022

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