Vitimismo nas finanças

Ignorar a realidade e se fazer de mártir não faz de ninguém protagonista da sua própria vida, mas refém dela
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avatar Francine Mendes
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Cara leitora, a educação das mulheres ao longo do tempo, baseada no bom comportamento e na arte de ser agradável, nos colocou em desvantagem moral, pessoal e profissional em relação ao homem. O desejo artificial implantado em nossas cabeças de que podemos subir no mundo pela via do casamento é uma falácia. Muitas meninas foram ensinadas pelas suas mães a serem suaves, aparentemente obedientes e demonstrarem certa fragilidade, ah e também precisam ser belas, do contrário todo esforço é inútil.  Prova disso, é o recente espetáculo indigesto que assistimos na última semana, protagonizado pelo tal deputado Mamãe Falei. Ouvimos de forma clara e objetiva o que subjetivamente foi instalado na  mente do ator protagonista. Pensamentos falados e minados de preconceitos, sim, porque o mesmo, provavelmente foi educado para ser independente, corajoso e provedor, afinal, meninos devem ser livres.  Essa prática da razão masculina é a base do raciocínio que permeia toda uma sociedade focada no treinamento abjeto de meninas para dependerem de um protetor a base da ignorância e exercício do medo.

Mamãe, falei. Mamãe falhei! Mamãe, meus amigos me traíram!

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Na psicanálise, a mãe ou quem exerce esse lugar,  ocupa papel central na constituição do sujeito. É o primeiro contato com o ser,  tal qual um reflexo no espelho. Ao longo do tempo vamos imprimindo ao infante nossas vivências, experiências,  julgamentos e esse cresce com impressões à nossa maneira.

Podemos dizer que uma mente instável é uma mente carregada de preconceitos. 

Mães fragilizadas intelectualmente são capazes de nos tornar insuficientes, inseguras em busca de alguém que nos livre do mal. Por outro lado, filhos são educados para desejar, admirar e bancar uma mulher desprovida de talentos admiráveis e que descuidam da própria mente. 

A responsabilização financeira é deles, a conta da vitimização, delas. De quem é a culpa afinal? 

Da infantilização cultural das reais habilidades femininas. Essa conta moral e financeira quem paga em sua integralidade é a sociedade. 

 Segundo a filósofa britânica, Mary Wollstonecraft, a mulher que fortalece seu corpo e exercita sua mente, irá, ao administrar sua família e praticar tais virtudes, tornar-se uma amiga, e não dependente humilde de seu marido, ela não necessitará esconder seu afeto, ou fingir uma frieza anormal para excitar a paixão do marido. 

VEJA TAMBÉM: O seu dinheiro é mesmo seu?

A construção de algo antes de alguém para uma vida emocional e financeiramente saudável persegue 3 etapas socráticas: 

  1. Toda mulher precisa ser boa em alguma coisa. 
  2. Precisa ter excelência em suas ações. 
  3. Deve perseguir a bondade moral.

E uma quarta que eu gostaria de implementar: 

  1. Ter como virtude principal aquela que é mãe de todas as outras – A Liberdade, que advém do conhecimento. Lembre-se, dinheiro dá poder. Para fazer dinheiro precisamos investir em racionalidade.  

Se não há controle financeiro, o fim é sempre igual: dependência econômica, endividamento, vitimismo e uma longa série de privações. Só você pode mudar isso!

Dados apurados em pesquisa do Banco de Desenvolvimento da América Latina mostraram que 53% dos brasileiros conseguem se manter por menos de três meses caso percam a renda. Mais que isso: para 30%, o limite seria de apenas um mês!

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Um estudo realizado pelo Datafolha com a consultoria Box1824 concluiu que metade dos brasileiros evita sequer pensar sobre dinheiro. Será que esse é o seu caso? E, para piorar, a outra metade só conversa sobre o assunto de maneira superficial: 60% das pessoas nunca falam quanto ganham, por exemplo.

E sabe qual outro fator torna mais difícil tomar as rédeas da vida financeira? O medo. Em uma pesquisa do Instituto Locomotiva, 39% dos entrevistados disseram que adiaram decisões financeiras pelo medo de encarar o orçamento.

Ignorar a sua realidade e se fazer de vítima não a torna protagonista da sua vida, mas sim refém dela.

Os aspectos visíveis e invisíveis dessa relação precisam ser investigados para que você se transforme em uma mulher saudável e lucrativa.

Se você não tem a exata compreensão da fatura do seu cartão e do extrato da sua conta, é hora de se responsabilizar e assumir o controle do seu dinheiro.

O que está por trás do vitimismo?

O vitimismo é uma estratégia do subconsciente para o indivíduo obter algum ganho secundário ou justificar as suas fraquezas.

Nas finanças, isso é muito comum. É como se a própria pessoa não fosse capaz de responder pelo seu dinheiro, lidando de forma desinteressada e passiva frente às decisões relativas aos seus ganhos, despesas e investimentos.

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A vitimista procura sempre terceirizar a culpa de tudo, isenta-se de qualquer responsabilidade diante de tudo que lhe ocorre.

Controle suas finanças sem se fazer de vítima

Será que você enxerga, de maneira realista, o cenário no qual você se encontra hoje?

Tomar as rédeas das suas finanças é fundamental para não se abalar com as intempéries da vida, da economia e do mercado.

É importante se planejar, construir a sua reserva de emergência e automatizar suas aplicações para não se esquecer do principal: investir no seu eu futuro.

Abandone a postura que a afasta dos seus sonhos e aprenda a subordinar o seu dinheiro a você e não o contrário.

E MAIS: Como uma mulher educa seus desejos de compra

A fraqueza precede a vitimização e é um poder astuto que sacrifica todas as outras virtudes. É chegada hora querida leitora, de dar verdadeiro vigor a mente e não mais se submetermos às gratificações temporárias do sexo oposto perdido em sonhos pré-poéticos e fantasiosos de nos transformar em objetos de desejo e adulação sexual. 

Francine Mendes é autora do livro ‘Mulheres que Lucram’, fundadora da Femtech Elas que Lucrem e CEO do Ellebank, além de ser mãe, esposa, empresária, e mestre em Psicanálise.

O conteúdo expresso nos artigos assinados são de responsabilidade exclusiva das autoras e podem não refletir a opinião da Elas Que Lucrem e de suas suas editoras

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