Elas que trabalham: Aos 74 anos, fundadora da Le Lis Blanc segue a todo vapor na vida profissional

Dona de uma vitalidade invejável, Traudi Guida é diretora criativa da SOUQ e diz que ainda tem muitos sonhos para realizar
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Divulgação
Com o vigor de quem tem um longo caminho pela frente, Traudi ainda quer realizar muito: “Até onde der, eu vou trabalhar”

O que vem à sua mente quando alguém solta a expressão “mulher à frente do seu tempo”? Um estilo futurista? Uma grande descoberta? Alguém que pensa fora da caixa e percebe o que ninguém viu? Quando o assunto são mulheres, eu diria que é aquela que segue seus objetivos sem ponderar demais todos os impeditivos que pode encontrar pelo caminho. Aquela que abraça o que vier, tira o que há de bom e joga fora o que não cai bem. Aquela que não tem medo de se aventurar em um mundo que valoriza a estabilidade, em todos os sentidos. Traudi Guida, de 74 anos, mãe e empresária, é tudo isso e mais um pouco.

Fundadora da marca de roupas Le Lis Blanc e dona de uma vitalidade invejável, Traudi começou sua carreira no setor varejista como vendedora e não saiu mais: “eu caí sem querer no ramo do varejo e, sem querer, me apaixonei”. Contrariando aquele anseio por estabilidade, ela deixou de lado a faculdade de direito em 1967 para se dedicar às vendas. Dois anos depois, com uma veia empreendedora pulsante, ela abriu as portas da multimarcas Snupy, seu primeiro negócio. 

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Em 1982, ao lado da estudante de economia Rahyja Afrange, nasceu o outlet Restoque, que, seis anos depois, viria a se tornar a consagrada Le Lis Blanc. “A Le Lis foi um grande acontecimento na minha vida, atuei na direção do estilo da marca por 25 anos. Acabei vendendo a empresa, mas segui por mais quatro anos nela antes de me despedir”. Comenta a empresária. 

Traudi deixou permanentemente o negócio que marcou sua vida em 2011, aos 64 anos. Mas engana-se quem pensa que após tanto sucesso ela pararia por ali! “Depois da Le Lis, tirei um ano sabático, aí surgiu o convite do meu filho, que era do mercado financeiro, de abrir um novo negócio no varejo”. Diz ela que completa: “Estava fora dos meus planos, mas aceitei e viajei por um ano para fazer pesquisa de mercado no Brasil, na Europa e nos Estados Unidos. A partir disso, lançamos a SOUQ, que tem de tudo um pouco”. Comenta ela como quem conta coisas corriqueiras do dia a dia, como ir ao mercado ou deixar as crianças na escola.

Com o vigor de quem tem um longo caminho pela frente, Traudi ainda quer realizar muito: “Até onde der, eu vou trabalhar. Tenho muitos projetos futuros, inclusive para a SOUQ. Estamos apenas começando e me sinto muito jovem”.

Ao relembrar os momentos de sua trajetória profissional enquanto fundadora da Le Lis, Traudi orgulhosamente aponta um momento marcante, um daqueles que nos faz entender por que ela, mais que ninguém, é uma mulher à frente do seu tempo. “Estávamos vivendo um período no varejo no qual o conceito era vender o máximo possível por metro quadrado. As lojas estavam encolhendo de tamanho. Mas, para mim e minha sócia, o importante era proporcionar experiências. Criamos coragem para sair de um espaço de 46 metros quadrados para abrir nossa primeira mega loja no [Shopping] Iguatemi. O mercado estava encolhendo e nós trouxemos um novo conceito”.

Quando partimos para a Traudi Guida mãe, filha e mulher, ela comenta que o momento mais marcante de sua vida foi quando pôde reunir a família pela primeira vez para passar o Natal em sua própria casa. “Minha mãe trabalhava muito e eu vivia como cigana com a minha avó: a gente morava um pouquinho na casa de cada filha dela. O Natal era sempre pulando de lar em lar, na casa de alguém. Então me marcou muito passar meu primeiro Natal, em 1979, nas paredes da minha própria casa”. Comenta Traudi, que pontua: “Eu já era casada e tinha filho”.

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O conjunto de vivências e experiências que formaram nossa conselheira atribuem a ela duas características que a levaram ao topo: coragem e paixão. “Sempre fui muito corajosa e penso que isso está relacionado a nunca perder as oportunidades que a vida me deu. Também sou muito focada e apaixonada pelo que faço. Acho que sem isso, trabalhar seria chato”. Diz Traudi que brinca: “O pessoal sempre falava que eu trabalhava muito, mas eu acho que me divertia mais do que trabalhava”.

Ah, os sonhos… É normal a gente pensar que quando chegamos à terceira idade os sonhos ficam para trás, assim como a carreira. Mas como dizer isso de uma mulher que se reinventa e segue a todo vapor? Depois de tudo que conquistou, Traudi ainda quer ser exemplo. “Meu sonho pessoal é estar cada vez mais com a minha família. Agora, um outro sonho que eu não sabia que tinha, é ser modelo para mulheres com mais de 50 anos”. Comenta Traudi que completa: “Divido minha vida nas redes sociais e sempre recebo muitas mensagens positivas de mulheres nesta faixa etária que se inspiram em mim. Quero me dedicar mais a isso”.

Seguindo a linha do espelho e da inspiração, ela conta que em sua vida sempre carregou consigo a missão de formar profissionais. “Sempre fui uma boa professora e nunca quis tudo para mim. Gosto de ver o desenvolvimento das pessoas e a geração de oportunidades. Cheguei a ter 2.000 famílias sob meu guarda-chuva profissional”.

E, claro, que todo processo de formação envolve princípios para que seja colocado em prática. Para complementar tudo que está conectado à sua linha de características, sonhos e missão, Traudi diz carrega consigo a ética, a sinceridade e a honestidade. A empresária aplica tais valores à sua vida e busca se cercar de quem pense da mesma forma. Ela completa dizendo: “Preciso sempre ter cúmplices que se portam dessa maneira. Pessoas que são humanas e pensam no próximo”.

Enquanto conselheira da Elas Que Lucrem (EQL), a empresária expressa seu desconforto ao encontrar espaços ainda carentes da presença feminina. “Não sei por que isso tá demorando tanto para acontecer. Eu tive marido até meu filho completar 11 anos, depois fiquei sozinha e construí coisas grandes. Também vim de uma família só de mulheres, não tive pai, ele foi ausente. Tudo isso me mostrou a força da mulher e o quanto somos multifacetadas”, raciocina Traudi que fecha: “Essa força e polivalência é algo que só traz benefícios para as empresas, ainda mais nos cargos mais altos”.

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Fazer parte da EQL é uma responsabilidade e tanta! Neste sentido Traudi diz que o grande ponto de inflexão, que a fez topar mais essa jornada, é “o posicionamento de trazer para as mulheres a ideia de que elas merecem tudo. Merecem igualdade e ter seu valor reconhecido”. Ela ainda acredita que o projeto vai contribuir pelo exemplo: “Não é o teórico, é o prático. Posso dizer com a  boca cheia que eu consegui e isso é o maior poder de incentivo que tenho”.

“Eu acho que cada vez mais esse movimento e disponibilidade de mulheres incríveis que formaram a EQL é um exemplo de união para um mundo melhor para todos. Nós temos uma sensibilidade que os homens não têm, eles não gostam de perder tempo para escutar o outro”. A partir deste ponto, Traudi complementa seu raciocínio: “Essa postura de escuta, aliada ao poder que temos de dar força para mulheres que às vezes só precisam de uma palavra, um exemplo, pode fazer com que ela mude de vida e mude a vida de outras pessoas”.

Com a sabedoria que os anos de experiência de vida lhe trouxeram, Traudi diz que o grande lema que leva para sua vida aprendeu ainda muito nova, com sua mãe: “Ela fez o que não gostava. Por isso, ela sempre dizia que eu nunca deveria me dedicar a nada que eu não goste porque fazer o que amamos é sinônimo de sempre estar de bem com a vida”. Diz Traudi que justifica: “Acho que por ouvir isso desde de pequena que deixei a faculdade de direito de lado para me dedicar às vendas”.

Quando o assunto é sobre sua relação com as finanças, sem pestanejar, ela dispara: “Minha relação é péssima, preciso ser honesta! Tive a sorte de ter uma sócia que cuidava dessa. Meu ex-marido era jornalista e largou o emprego porque meu negócio estava crescendo muito. E, hoje, esse lado fica sob responsabilidade do meu filho, que é meu sócio nos negócios e veio de uma carreira no mercado financeiro”. 

Apesar da relação pouco íntima com as finanças, Traudi reconhece a importância de estabelecer um relacionamento saudável com os números e comenta que, apesar da falta de afinidade, o que sempre lhe deu vantagem foi a obediência ao orçamento e a capacidade de cumprir metas. 

Conselho da amiga conselheira: “Tenha foco e trabalhe com as suas habilidades. As pessoas veem exemplos externos, que são pouco realistas, e acabam se frustrando. Aposte em você e nas suas aptidões. O que você sabe fazer? O que desperta seu interesse? Depois disso, busque o máximo de informação para desenvolver seu negócio. Na minha época era possível trabalhar com a intuição, hoje é preciso intuição e estudo de mercado”. 

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