Elas Que Trabalham: Marcela Mc Gowan aposta nas plataformas digitais para quebrar tabus sobre saúde e sexualidade femininas

Médica ginecologista usa o poder das redes para alcançar mulheres fora das quatro paredes do consultório
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Divulgação
Assim como o projeto Elas Que Lucrem, o caminho de Marcela floresceu por meio da percepção de que existe carência de informação quando o assunto é saúde íntima e sexualidade

Sabe aquele tipo de pessoa que passa a moldar sua trajetória profissional e traçar seu propósito de acordo com o que a vida apresenta e o que toca no íntimo, na intuição? Marcela Mc Gowan transparece uma necessidade interna de adaptação, de entendimento e transformação. Ela é comunicadora, médica ginecologista e obstetra, terapeuta sexual e uma mulher que não tem medo de mudanças –talvez até tenha, mas é aquele ditado: vai com medo mesmo.

Assim como o projeto Elas Que Lucrem, o caminho de Marcela floresceu por meio da percepção de que existe carência de informação quando o assunto é saúde íntima e sexualidade e, mais do que isso, percebeu que a raíz de tudo isso é social e cultural. 

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Sua vontade de ser médica surgiu ainda na infância e foi quase como uma predestinação. “Falava que queria ser médica desde de criança, mas não sei exatamente o momento que decidi que seria isso”, diz Marcela.

Durante sua formação, ela se especializou em ginecologia e obstetrícia e foi aí que os ventos começaram a soprar em seu ouvido as possibilidades que poderiam surgir a partir disso. “Foi na especialização que passei a entender a parte da sexualidade, mas a grande virada de chave aconteceu quando tive contato com parto humanizado. Esse foi um momento incrível, foi a porta de entrada para um entendimento e aprofundamento sobre feminismo, gênero e opressões sociais”, comentou Marcela. Como já dissemos aqui, ela tem um perfil curioso, de alguém que puxa a pontinha de um fio, descobre um emaranhado e senta para desfazer cada nó, sem medo de mudar os planos, se tudo que vier pela frente fizer sentido.

Enquanto médica, ela também complementou sua formação com o estudo da ginecologia natural. A soma de todas essas vertentes de estudo, levaram Marcela a perceber duas questões: a primeira é que havia pouca informação sobre as áreas profissionais nas quais ela se concentrou; e a segunda é que aquelas consultas rotineiras de consultório não eram o que ela sentia ser o mais adequado. “Enquanto profissional, eu senti que as pessoas não sabiam responder meus questionamentos. E, depois de estudar a ginecologia natural, entendi que para mim fazia mais sentido trabalhar com a medicina integrativa, abordar desde a alimentação até os problemas emocionais e espirituais das pacientes”.

Mas calma, não acaba aí. Com uma inquietação constante e somando tudo que acredita, Marcela passou a investir profissionalmente na comunicação e informação por meio de um curso sobre sexualidade –uma carência que ela mesma já sentia, lembra? “Eu tinha para mim que o consultório já não alcançava todas as mulheres que eu gostaria que tivessem acesso a isso. Era importante para mim trazer essa pauta sob uma perspectiva mais abrangente. Acredito que a transformação dos tabus sexuais impostos às mulheres só podem ser ultrapassados se olharmos para o todo, do corpo ao social”, pontua a ginecologista. 

Depois de marcar presença em um programa de realidade e ver suas redes sociais crescerem, a médica se consolidou em diferentes plataformas para novamente levantar a bandeira da sexualidade feminina: do prazer às opressões e como tudo isso afeta todas nós.

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Quando questionada sobre suas características pessoais que a levaram onde está, ela logo dispara o que já é possível perceber no primeiro minuto de conversa: “eu sempre fui muito ousada e não tenho muito medo de viver as coisas. Eu não sei se é coragem ou falta de juízo, então chamo de ousadia”. Mas é aquela história: iniciativa sem consistência é igual fogo na palha, queima rápido e logo se apaga. Neste sentido, e como prova de sua vontade de fazer acontecer, Marcela aponta que trata o trabalho com muita responsabilidade e percepção. “Se eu falo que vou entregar, eu entrego. Sou muito certa, responsável e acho que também sou aberta ao novo: me permito ter outras visões e levantar outras questões e isso me traz diferentes entendimentos sobre tudo no mundo, inclusive no meu trabalho”.

Apesar de já ter conquistado muito, Marcela ainda tem sonhos e eles estão diretamente relacionados à sua missão de libertar mulheres por meio da informação, a ferramenta certa para o empoderamento. “Ainda sonho muito em voltar com os cursos presenciais porque era uma energia muito potente. Eu acho que hoje realizo a parte de alcançar um grande público feminino, mas ainda quero fazer algo em televisão aberta”, comenta Marcela.

Ainda sobre sua missão e valores, a médica diz que em seu íntimo tenta trabalhar sempre a empatia, o senso de justiça e ser fiel a si. “Penso sempre em não me deixar levar pelo dinheiro, porque isso pode fazer com que eu perca o protagonismo da minha história”. 

Com o propósito da emancipação feminina, Marcela acredita que para mulheres ocuparem espaços no mundo dos negócios e das finanças, que sempre foram atribuídos aos homens, é preciso conquistar primeiro posições de poder, onde as transformações são de fato viabilizadas no ponto de vista prático e em larga escala. “A gente vê um mundo pensado para homens, comandado por homens que indicam outros homens. Quando existe uma mulher em uma posição assim, teremos uma outra visão que leva em consideração pontos que beneficiam outras mulheres”, pontua Marcela. 

A médica e comunicadora também considera a autonomia financeira uma poderosa arma contra a dependência emocional, que nos coloca, automaticamente, na posição de vítimas. “Estar nessa posição tira nossa autonomia. É um ciclo vicioso”, comenta.

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Como conselheira do projeto Elas Que Lucrem, a médica puxa o cuscuz para a sua área de atuação e dispara: “o lucro é sobre o nosso corpo!” Nesta linha de raciocínio, Marcela pontua que lucrar com o corpo é se libertar de tudo que nos foi negado enquanto mulheres –ou dito como deveria ser. Isso abrange desde o prazer sexual, até o financeiro, afinal, o corpo é nossa ferramenta de existência, é por meio dele que tudo acontece. “A gente foi ensinada a caber e a ocupar o mínimo de espaço possível. Quanto menos barulho melhor. Lucrar com o corpo é se expandir”, reflete Marcela.

Nossa conselheira integrou o time da EQL com muita animação e inspiração. Para ela, a Elas Que Lucrem pode ser a chave para a autonomia da mulher ao fornecer um espaço pensado inteiramente para nós. Um lugar onde podemos nos sentir seguras para aprender, consumir informação e tirar todas as dúvidas possíveis com muito acolhimento. “As mulheres são como água, elas crescem quando se unem. Tirar a crença de que somos inimigas e que podemos crescer juntas, mudou minha vida. E é isso que estamos fazendo aqui”, diz ela.

Sobre as dificuldades e barreiras para a participação feminina no mundo das finanças e do empreendedorismo, ela comenta que a sensação é que ainda existe aquela velha ideia de que isso não é coisa de mulher. “Somos induzidas a escolher onde vamos colocar nosso dinheiro. A questão é tão profunda e enraizada que a gente alimenta o medo de ousar”. 

A relação da médica com o dinheiro nem sempre foi das melhores. Ela lembra que após participar do reality show entendeu que precisava de um plano de gestão, de uma garantia de futuro. “Hoje, entendo um pouco mais sobre a necessidade de ter tudo em ordem para colocar em prática o que planejo. E outra: agora sei que posso fazer meu dinheiro crescer e trabalhar por mim!”.

Conselho da amiga conselheira: “Acredite em si mesma. Esse pensamento de que você não pode é uma crença alimentada por uma sociedade que não foi pensada para nós. Tenha a ousadia de tentar e esteja respaldada por muita informação. Existe a barreira mental de que não podemos ocupar alguns espaços, mas se seu corpo pode estar lá, fisicamente, vire a chave e entenda que você pode sim estar por inteiro”.

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