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Madam C.J. Walker: de lavadeira a primeira negra milionária dos EUA

Conheça a história da mulher que construiu um império focado em cosméticos e beleza para mulheres negras
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Madam C. J. Walker usou a própria experiência com os cabelos como propagando para incentivar outras mulheres a usarem seus produtos capilares.

De filha de escravos a milionária. Este seria o resumo ideal de uma história impossível de ser verdadeiramente resumida.

Sarah Breedlove foi uma empresária, filantropa e ativista política e social que lutava, principalmente, pela independência econômica das mulheres negras. Ela, que em um momento da sua vida se tornou Madam C. J. Walker, está registrada no Guinness Book of World Records (livro de recordes mundiais) como a primeira mulher a construir uma fortuna de milhões de dólares, sozinha, nos Estados Unidos.

História

Sarah foi a primeira filha do casal Owen e Minerva Breedlove a nascer não escrava, no ano de 1867. Já aos sete anos de idade, ela perdeu os pais e foi morar no Mississippi com a irmã mais velha, Louvenia, e o cunhado Jesse Powell.

Aos 14 anos, ela se casou com Moses McWilliams e, três anos depois, deu à luz sua primeira filha,  Lelia McWilliams. Em 1887, aos 21 anos, Sarah ficou viúva. Se casou novamente em 1894 com John Davis, mas sofreu uma relação de abusos e violência doméstica, o que resultou na separação do casal em 1903.

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Em 1905, se mudou com a filha para o Missouri e começou a trabalhar como lavadeira. Casou-se com Charles Joseph Walker no ano seguinte e, a partir disso, passou a ser conhecida como Madam C. J. Walker.

Sarah Breedlove morreu como Madam C. J. Walker em 25 de maio de 1919, aos 51 anos, por conta de uma insuficiência renal e hipertensão.

A história e legado de C. J. Walker foram eternizados no livro “On Her Own Ground” (Nas Terras Dela, na tradução livre), escrito por sua trineta A’Leila Bundles e que inspirou a minissérie “A Vida e a História de Madam C. J. Walker”, da plataforma de streaming Netflix.

Carreira

Enquanto trabalhava como lavadeira, Madame C. J. Walker desenvolveu problemas capilares como caspa, calvície e doenças no couro cabeludo causados pela química dos produtos que utilizava para lavar as roupas e para os próprios cabelos.

Durante a Louisiana Purchase Exposition (Feira Mundial de St. Louis em 1904), Sarah conheceu Annie Malone, uma empreendedora afro-americana que desenvolvia produtos especializados para cabelos afros.

Com o objetivo de ir na contramão dos cosméticos especializados da época, os produtos desenvolvidos pela empresa de Annie, a Poro Company, não eram agressivos ao couro cabeludo e faziam os fios crescerem.

Apaixonada pelo negócio, Sarah começou a trabalhar vendendo os produtos de Annie de porta em porta. Porém, com o tempo, ela percebeu que os cosméticos não eram tão milagrosos como anunciado. Foi quando sugeriu uma parceria para trabalhar junto com a empresária que negou a proposta.

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Partindo da recusa, Sarah começou a desenvolver a própria linha de produtos capilares para mulheres negras. Já conhecida como Madam C. J. Walker, ela passou a fazer propaganda da sua linha ao lado do marido, que prestava consultorias de publicidade para jornais da época, vendendo cosméticos e usando a própria história para propor um novo estilo de vida aos afro-americanos.

Depois de um tempo, o casal se mudou para Indianápolis, onde montou um salão de beleza, um laboratório para pesquisas e uma fábrica, que se tornou a sede do negócio Madam C. J. Walker Manufacturing Company

A empresa de Sarah também pregava noções de higiene e beleza de uma forma que levava força e coragem às mulheres negras da época, ignoradas pelo sistema e pela sociedade.

A futura primeira milionária dos Estados Unidos abriu programas de treinamento para o chamado “sistema Walker”, que era utilizado por sua empresa para formar mulheres para serem agentes de vendas dos produtos da companhia no país.

Com a crescente expansão do negócio, a filha de C. J. Walker a convenceu a levar a empresa para Nova York. Lá, a empresária abriu um escritório e um salão de beleza no Harlem, bairro da cidade que se tornou um importante centro da cultura afro-americana.

No ano de 1917, a empresa já havia treinado aproximadamente 20 mil mulheres no sistema Walker para serem revendedoras dos produtos da empresa. O treinamento  incluía a aplicação de um xampú, uma pomada para o crescimento dos cabelos, muita escovação e uso de pentes de ferro quente, um método para dar brilho e maciez a cabelos secos e quebradiços.

Madam Walker não levava apenas tratamento e formação para mulheres negras, mas também as incentivava a construírem seus próprios negócios, e serem financeiramente independentes.

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O sucesso de Madam C. J. Walker a levou a promover uma conferência anual. A primeira foi feita em 1917, na Filadélfia, e contou com aproximadamente 200 mulheres, das quais algumas foram premiadas por Sarah pelo desempenho que obtiveram nas vendas, por trazerem novas consultoras para o negócio e por realizarem contribuições para instituições de suas comunidades. Acredita-se que esta tenha sido uma das primeiras reuniões de mulheres negras para discutir negócios no país.

Ativismo

Além de uma empreendedora de sucesso, Madam C. J. Walker também foi uma importante ativista do seu tempo. Ela era comprometida com causas sociais, políticas e trabalhistas dos negros, e atuou como palestrante e incentivadora de diversos projetos.

Foi responsável pela criação de convenções e clubes, e atuou fortemente na luta contra o racismo. Em 1912, fez um discurso na Liga Nacional de Negócios de Negros (NNBL), no qual contou sobre suas origens e sua história.

C. J. Walker também patrocinou várias bolsas de estudos, além de contribuir com fundos para beneficiários de iniciativas como a YMCA (sigla em inglês para Associação Cristã de Moços), a Igreja Episcopal Metodista Africana de Bethel, a escola industrial e educacional de Mary McLeod Bethune para meninas negras (que depois se tornou a Universidade de Bethune-Cookman), na Flórida. No ano de 1917, passou a fazer parte da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor, organização responsável pela Parada do Protesto Silencioso na 5a Avenida de Nova York. A manifestação atraiu mais de 8 mil pessoas em protesto pela morte de 39 afro-americanos no leste de St Louis.

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