Mãe e filho empreendem juntos e faturam R$ 3,4 milhões por ano

Na busca por um futuro melhor, Silvia e Rafael abriram uma sociedade que caminha para a terceira unidade em três anos
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Com a influência do filho, Silvia Barreto buscou o ramo de franquias para continuar empreendendo e levando conhecimento para as pessoas.

“Lecionar é um dos ofícios mais sublimes da humanidade. Não existe nobreza maior do que ensinar e ajudar a desenvolver outras pessoas”.

A educação é natural e fundamental para a humanidade. A transmissão de conhecimento existe desde que o mundo é mundo, quando os antigos precisavam ensinar as gerações futuras a caçar, pescar e se proteger. Ao abordarmos a sociedade contemporânea, é possível observar a enorme evolução do conhecimento e da forma de transmiti-lo.

E foi na busca por ensinar e desenvolver outras pessoas que surgiu o Instituto Gourmet, maior rede de franquias especializada em cursos profissionalizantes na área de gastronomia do Brasil. 

A história da empresa começou quando Lucilaine Lima decidiu abandonar a sala de aula como professora de biologia do ensino médio para investir em doces caseiros e poder aproveitar melhor o tempo com seu primeiro filho. Mas, na época, ela ainda não tinha experiência na cozinha e nem na confeitaria. Foi quando o marido, Robson Fejoli, a desafiou a fazer a receita perfeita de bem-casado. 

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A receita deu certo e, quando começou a vender os doces, os clientes questionavam a empresária sobre seus segredos culinários. Foi então que ela passou a repassar o que aprendeu e tudo isso virou um grande negócio.

Lucilaine brinca que o formato do seu curso é sete em um. Isso porque a empresária trabalhou por sete anos com doces e desenvolveu um programa de formação que contempla tudo que ela aprendeu, mas com duração de apenas 12 meses. 

A proposta de colocar em prática a ideia do Instituto Gourmet surgiu em 2010, na cidade de Serra, no Espírito Santo, mas foi só em 2014 que o projeto ganhou vida e teve sua primeira unidade inaugurada. Alguns meses depois, o negócio já tinha rendido um bom faturamento.

Em 2017 a marca ingressou no mercado de franquias e, no primeiro ano, inaugurou 35 unidades. O que rendeu aos empresários envolvidos um faturamento de R$ 5 milhões.

Da sala de aula para a própria escola

Assim como Lucilaine, a professora Silvia Regina Barreto também abandonou as aulas de biologia para transmitir conhecimento de outra forma.

A transição em sua carreira começou com um negócio próprio, na área de informática. Com duas unidades em funcionamento, a empresária chegou a ter 1.200 alunos em cada uma das escolas, mas o avanço e naturalização do universo da internet e computacional na vida das pessoas, fez com que seu negócio entrasse em declínio. “Hoje a pessoa já nasce com um computador embaixo do braço, já sabe fazer tudo, não faz mais curso de computação”, brinca ela.

Após 15 anos de funcionamento, a ex-professora decidiu fechar a escola de informática, mas não parou mais de empreender e nem de ensinar. Influenciada pelo filho, Rafael Barreto, Silvia passou a buscar o modelo de franquias para dar sequência ao seu propósito de aliar empreendedorismo e formação. 

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A partir disso, ela e Rafael passaram a procurar modelos de negócio que acreditassem ter um futuro sólido. E, como a empresária diz, nada acontece por acaso: enquanto Silvia passava pelo processo de encerrar as atividades de sua escola de informática, surgiu na vida dela o Instituto Gourmet.

Com alguns meses de estudo e análises, em três de maio de 2018, Silvia e Rafael abriram a primeira unidade da franquia em São João do Meriti, RJ. Contentes e esperançosos, mãe e filho inauguraram a segunda unidade em quatro de julho de 2019, desta vez em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

A expansão não parou por aí. Silvia e Rafael estão no processo de finalização das obras da terceira unidade, em Campos dos Goytacazes. A nova filial do negócio vai contar com mais um integrante da família nesta sociedade, a filha de Silvia e empresária, Barbara Barreto. 

Silvia defende que a qualidade é um dos principais pilares para manter um negócio sólido, seja ele independente ou por meio de franquias. A decisão pelo negócio foi pautada no estudo do nicho de mercado no qual está inserido, além da capacidade de inovação, para que não caísse na obsolescência como a escola de informática, além do propósito e projeção de crescimento.

“Não existiam muitas opções de formação na área de gastronomia para além da universidade. Nos identificamos com o negócio, era algo que a gente via que funcionava e que tinha um propósito parecido com o nosso: ajudar pessoas a se desenvolverem e, com isso, ganhar dinheiro”. A empresária acrescenta ao dizer que uma das diferenças em comparação ao seu antigo negócio é que, por meio do instituto, é possível vender uma profissão e formar pessoas para o mercado de trabalho. Muitos de seus alunos passam a ter uma nova fonte de renda já durante o curso.

Os resultados do negócio da mãe com os filhos são fruto de muita crença no projeto, aliado à dedicação dos envolvidos. Hoje, ainda antes da inauguração em Campos dos Goytacazes, as duas unidades de Silvia e Rafael têm um faturamento médio mensal de R$ 290 mil, o que resulta em aproximadamente R$ 3,4 milhões anuais. As duas unidades em funcionamento contabilizam por volta de 800 alunos.

Família, família, negócios à parte

Uma parcela do sucesso de Silvia e Rafael está atrelada à capacidade de separar a vida pessoal da profissional. Quem nunca assistiu um daqueles filmes em que pais e filhos decidem empreender juntos, mas um fala uma coisa, o outro parte de outra ideia, e aí surge uma tia ou um avô que intervém antes de tudo ir por água abaixo?

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O problema é que, na vida real, nem sempre existe alguém de fora para chamar a atenção dos sócios (que também são família) antes do negócio desmoronar. Por isso, é importante saber separar o que acontece em casa do que acontece no trabalho.

Dentro das escolas, mãe e filho são, na verdade, apenas Silvia e Rafael, sócios e donos do negócio. “A primeira vez que a gente chegou do trabalho e ele me chamou de Silvia, eu falei ‘opa’”, comenta a empresária, rindo.

A empresária diz que este é um sistema que funciona bem em sociedades entre famílias. Cada um tem uma área na qual desempenha melhor, mas as decisões são tomadas em conjunto, sempre com base em planejamento e ponderação sobre o que é melhor para o futuro do negócio e não de cada um.

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