Segundo dia do festival Converse Com Outras Ideias traz debate sobre finanças e economia

Nina Silva, Nath Finanças e Gil do Vigor fizeram parte do quadro da GloboNews para comentar sobre organização financeira e empreendimento
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Nina Silva, Nath Finanças e Gil do Vigor foram os participantes do segundo dia do festival Converse Com Outras Ideias

Nina Silva, Nath Finanças e Gil do Vigor. Três nomes que têm ganhado cada vez mais destaque no Brasil, principalmente quando se trata da luta contra o racismo, mas também no âmbito das finanças e economia. O trio de ferro fechou a lista de convidados do segundo dia do evento Converse Com Outras Ideias, um festival realizado pela GloboNews.

Marina Silva, a Nina, é escritora, mentora de negócios, CEO do Movimento Black Money e do D’Black Bank, e ministra palestras sobre empreendedorismo e finanças.

Nathália Rodrigues, que ficou conhecida como Nath Finanças, é administradora, orientadora financeira e usa as redes sociais e plataformas digitais para ensinar, de maneira fácil e prática, educação financeira, principalmente para quem não tem conhecimento na área.

Gilberto Nogueira , o ex-bbb Gil do Vigor, é graduado e doutorando em economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e foi aprovado para dois PhDs nos Estados Unidos, o primeiro em uma universidade no Texas e outro na Universidade da Califórnia, onde escolheu estudar.

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O evento, realizado ontem (20), teve duração de aproximadamente uma hora e contou com a participação de perguntas de pessoas que acompanharam o programa. Os convidados responderam dúvidas como: é possível investir ganhando pouco  ou como começar a investir.

Ao ser perguntada sobre como conseguiu organizar a vida financeira para começar a juntar dinheiro, Nath comentou que ganhava um salário de R$ 500 em um estágio e, com esse dinheiro, precisava ajudar em casa, pagar contas e dar um jeito de continuar estudando. “É o que acontece com o público de baixa renda”, enfatizou ela.

Ela conta que precisou começar a organizar as finanças. Analisava quanto dinheiro entrava, quanto saía e começou a guardar R$ 5 e R$ 10 que sobravam para reserva de emergência. A administradora também fez questão de explicar que fundo de emergência é aquele dinheiro que fica guardado para uma situação de necessidade não prevista no orçamento, como acabar o gás, precisar de remédios urgentes, entre outros. “Essas coisas surgem na nossa vida, pensamos que não vão acontecer nunca, mas acontecem”, acrescentou ela.

Nath também acrescentou um ponto importante ao falar sobre organização financeira em determinadas fases da vida. “Está tudo bem começar com 20, 30, 40 anos. Colocar as despesas fixas, variáveis, o que entra e sai. Não é porque ganha pouco que tem que deixar as contas soltas, é importante começar a se organizar”, disse a orientadora financeira.

Gil comentou que precisou deixar alguns lazeres de lado para conseguir juntar dinheiro e, a partir disso, pagar uma parte da faculdade de Direito da irmã. “A falta de apoio das políticas públicas que pessoas pobres têm faz com que sejamos nós por nós mesmos”, comentou o economista, que enfatizou “por isso, dentro do BBB, eu fiz questão de falar e gritar, porque eu preciso dar voz a esse público”.

Já Nina foi questionada sobre o empreendedorismo negro e as dificuldades existentes. Ela fez uma análise em relação ao auxílio emergencial distribuído pelo governo e, a partir disso, disse que o problema é estrutural e é muito maior do que a pandemia.

A CEO do Movimento Black Money também citou os últimos números de pessoas autodeclaradas pretas ou pardas no Brasil, divulgados pelo IBGE, cujo valor é de aproximadamente 56% da população. Essa porcentagem movimenta mais de R$ 1,5 trilhão na economia do país, segundo dados do Instituto Locomotiva, uma empresa de pesquisa e estratégia.

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Nina relatou a discrepância entre os valores movimentados pelos negros e o fato de não haver retorno para eles. Ela explicou que a grande causa disso está ligada ao tipo de empreendimento e à forma como surgem os negócios criados pela população negra. “Nós abrimos negócios e movimentamos a economia, mas abrimos negócios de subsistência, abrimos negócios por necessidade. Isso acontece por sermos uma maioria desempregada ou em subempregos”, relatou ela.

A mentora de negócios também disse que a diversidade no Brasil não está inserida em um espaço de democratização, não tem acesso à tecnologia e ao crédito no mercado para alavancar o negócio próprio. Muitos negros acabam por adotar o “se vira” em vez do empreendedorismo em escala e com aceleração do negócio.

Próximo ao final do programa, Nath respondeu a uma pergunta sobre o medo de investir. Ela disse que o primeiro passo é definir os objetivos dos investimentos, como uma viagem, a compra de algo importante, especial ou necessário. O próximo passo dado foi o de não entrar em desespero ou ficar ansiosa para começar a investir direto em Renda Variável. “Começa na Renda Fixa, monta uma reserva de emergência nela. Não coloca em um lugar só, pode ser em Tesouro Direto, CDBs, que são ótimo para retirar um dinheiro quando quiser ou em situações emergenciais”, complementou.

Outra pergunta direcionada à Nina foi sobre como é possível debater educação financeira com trabalhadores de baixa renda de forma realista. Ela enfatizou a questão de falar sobre processos colaborativos e o fato de que ninguém chega a lugar nenhum sozinho. Ela citou a si mesma e aos outros membros do programa, Nath e Gil, para reforçar que todos tiveram o apoio e o auxílio de amigos e da família. 

Para responder sobre negócios de pessoas pretas, no geral, Nina afirmou que “normalmente são empreendimentos mais locais. Empreende com algum familiar, com alguém da própria comunidade”. Neste ponto, ela voltou ao comentário de Nath sobre saber a receita financeira no final do mês para comparar com a questão do consumo. “Da mesma maneira que é preciso saber o que entra e o que sai, também é preciso saber o por quê gastar aquilo e o porquê gastar é um ato consciente. Se é possível consumir de maneira consciente, também é possível consumir de maneira intencional”, afirmou ela.

O consumo consciente pode ser positivo, e Nina explicou isso ao falar sobre o consumo de grupos minorizados e de pessoas das próprias comunidades. “Nós só precisamos de intencionalidade para ajudar uns aos outros. Assim, vamos ajudar a nós mesmos”, completou ela.

Na última pergunta feita no festival, Nina, Nath e Gil fizeram questão de enfatizar a importância que a educação financeira tem na sociedade, e o quanto é necessário que ela seja implementada nas escolas, como matéria obrigatória validada pelo Ministério da Educação, tanto em instituições privadas como, principalmente, públicas.

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Nina comentou sobre a possibilidade de unir a educação financeira à matemática, ao implementar a economia como parte prática da matéria. Nath também levantou o ponto de que é necessário formar e treinar os professores para a educação financeira. “Não adianta jogar a matéria e dizer ‘professores, vocês que lutem e criem uma metodologia’”, disse ela, que finalizou ao enfatizar que “é necessário colocar exemplos reais, não adianta falar de Tesouro Direto, finanças pessoais sem colocar um contexto.”

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