Conheça a estudante que transformou um grupo de Facebook sobre sexo em negócio

Empreendedora fundou a primeira plataforma de streaming de áudios eróticos 100% voltada para a sexualidade feminina do Brasil
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O gosto pelo empreendedorismo é de berço: pais, irmãos e tios sempre tiveram seus próprios negócios e por isso ela nem se lembra ao certo o momento em que realmente se apaixonou pela área. A primeira lembrança é de quando era criança e brincava de fazer bijuterias para vender aos vizinhos. Aos 26 anos, a estudante de Sexologia Mariah Prado já coleciona algumas experiências e vários negócios na bagagem.

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Atualmente, o principal deles é o aplicativo Share Your Sex (“Compartilhe seu Sexo”, na tradução livre do inglês para o português), que teve origem de um grupo do Facebook, e hoje é uma plataforma com áudios eróticos para mulheres, textos e dicas sexuais.

O início da jornada empreendedora

Ainda quando frequentava o colégio, Mariah começou a vender produtos de sex shop, de forma despretensiosa, seu intuito não era ter nada profissional. Mas, anos depois, na faculdade, ela uniu a paixão pelo negócio e pela gastronomia e criou uma marca de confeitaria, a Sweety Mamo, seu primeiro empreendimento oficial. 

Já em 2017 veio a segunda empresa. Mariah fundou a Trace, marca de papelaria com produtos autorais. Nessa época, mais madura e com mais conhecimento, ela conta que aprendeu a gerenciar um empreendimento formal. “Eu tinha sócios, site, fornecedores e clientes”, lembra.

Mas, foi em 2018 que deu os primeiros passos para tornar o então grupo de Facebook voltado para mulheres falarem sobre sexualidade em um negócio. “Eu sentia que o projeto era grande, mas me faltava uma base mais técnica”, conta a empreendedora.

Ela terminou o curso superior na área de Relações Públicas e logo procurou uma pós-graduação em Empreendedorismo e Gestão de Negócios. “Assim que terminei minha pós comecei o trabalho de profissionalizar a Share Your Sex e estruturar o modelo de negócio que iríamos seguir. Com a chegada da pandemia, meus outros negócios esfriaram e pude direcionar toda minha energia a essa nova empreitada”, explica Mariah.

Como nasceu o Share Your Sex

O que hoje é um aplicativo bem-sucedido, já foi um só grupo secreto no Facebook. Tudo começou em 28 de maio de 2015, quando ela teve a ideia de criar o espaço virtual para falar sobre sexualidade feminina sem tabus e sem medo de julgamentos.  “Na época, eu vendia produtos eróticos junto com outras meninas e notamos que faltava um ambiente assim, até porque era difícil vender produtos quando as pessoas sequer falavam sobre sexualidade”, diz. 

Para gerenciar o grupo, ela contava com a ajuda de amigas que também vendiam produtos eróticos. Mas, apesar da empolgação inicial, ela e as outras parceiras pararam de comercializar os itens e algumas até se afastaram do grupo.

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“Mesmo não tendo mais interesse em vender produtos, eu via muito valor no que havia sido construído e por isso continuei investindo. Chamei algumas outras amigas para me ajudarem na moderação das postagens. Na época já eram quase oito mil membros”, conta. O que era um pequeno espaço virtual, se tornou uma comunidade, um local de acolhimento para muitas mulheres”, conta Mariah.

Sobre o ramo da sexualidade, Mariah destaca que para ela quase nunca houve tabu no assunto, sempre foi muito natural falar sobre sexo. “Mesmo antes de perder a minha virgindade, eu sempre gostei de falar sobre sexualidade de uma forma saudável e positiva, meu olho brilha ao falar disso. Por isso, foi um caminho muito tranquilo começar a vender os produtos eróticos e depois criar o Share Your Sex“, explica.

O aplicativo se tornou um modelo de negócio

Em 2020, a pandemia da Covid-19 e o isolamento social a estimularam. Ela decidiu dar o próximo passo e investir seu tempo e estudo no Share Your Sex, como um modelo de negócio real. Mariah começou a criar conteúdos com mais qualidade nas redes sociais, abriu vagas de moderação e até dobrou o time de envolvidos no projeto. Além do Facebook, criou uma conta no Instagram e um blog para publicar as informações.

Com essa organização, em dezembro de 2020, ela fundou a primeira plataforma de streaming de áudios 100% voltada para a sexualidade feminina do Brasil, a SYS Club. “A receita viria por meio dos nossos planos de assinatura, que dariam acesso à plataforma com contos eróticos narrados, masturbações guiadas, meditações e podcasts desenvolvidos por profissionais da área da saúde”, explica. 

Apesar do empenho, o Facebook enviou notificações sobre as políticas da comunidade; A rede social afirmou que as regras estavam rígidas e que o grupo estava em risco. ”Foi aí que decidimos que era hora de termos nosso próprio espaço. As redes sociais podem até ser um caminho mais fácil no início, mas o terreno é alugado e as regras podem mudar”, alerta a fundadora do Share Your Sex.

Além das assinaturas dos planos de streaming, a receita do projeto vem de parcerias com marcas do ramo. “Nesse processo, me deparei com o próximo desafio: levantar caixa. Por isso, comecei a ir atrás das empresas. Mas, assim como nós, todas as empresas do mercado de sexualidade têm dificuldade de se comunicar pelas redes sociais sobre seus produtos. Hoje, temos como patrocinadoras marcas como Jontex, Olla, Fun Factory e Excitame, o maior sex shop brasileiro do Instagram”, comemora.

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O aplicativo saiu do papel em fevereiro deste ano, com a ajuda de uma empresa de tecnologia que apostou na ideia, mas só foi inaugurado há duas semanas.

“No app temos dois grupos, um exclusivo para mulheres e outro aberto para pessoas de todos os gêneros. Lá as pessoas podem interagir normalmente ou de forma anônima. Ficou ainda mais fácil tirar dúvidas e compartilhar experiências. O grupo funciona no mesmo formato que o Facebook, com postagens, comentários e respostas, mas com mais segurança e agilidade. Mesmo só com duas semanas do lançamento, nós temos mais postagens por dia do que no grupo do Facebook”, afirma Mariah.

Além do conteúdo gratuito no aplicativo, também há a parte paga da SYS Club, que é dividida em três planos. O semanal, que custa R$ 9,90, o mensal, R$ 19 e o anual de R$ 117. Nessa área exclusiva, estão os áudios eróticos escritos por mulheres e narrados por atrizes. São contos em primeira pessoa com uma ambientação, suspiros e gemidos.

“A gente começou a criar os áudios eróticos com a intenção de substituir a pornografia porque é um conteúdo nocivo para quem faz e para quem consome, psicologicamente falando. Os nossos contos são diferentes dos que têm hoje no Brasil. Não trabalhamos com a objetificação feminina, sem relacionamentos tóxicos, a ideia é mudar o formato e o conteúdo. É mostrar para as pessoas que elas conseguem sentir prazer com outros estímulos”, pontuou Mariah.

Hoje, a página do Share Your Sex no Instagram já tem mais de 40 mil seguidores e com a repercussão de suas postagens nas redes sociais e do trabalho com o aplicativo, ela recebeu o convite, em março deste ano, para cursar gratuitamente Sexologia no Instituto Paulista de Sexualidade. “Foi uma surpresa muito maravilhosa ter recebido esse convite com bolsa integral. Eu já tinha falado sobre essa pós em algumas postagens. Eles falaram que o interesse pelo curso aumentou demais depois disso”, conta.

Para o futuro, os planos são muitos. Além dos contos eróticos em áudio, o aplicativo terá o conteúdo no formato de texto e mais grupos para ampliar o debate entre as mulheres.

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