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Apaixonada pelo surfe, Natália Pirro enfrentou ondas turbulentas até se tornar CEO da operação latino-americana da API

Coragem, persistência e ponderação - lições aprendidas no mar - pavimentaram a carreira da executiva de 35 anos
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Natália Pirro, 35, é chefe de operações da Automated Precision In. no Brasil e América Latina (Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal)

Se mar calmo nunca fez bom marinheiro, que dirá bom surfista. Coragem, persistência e ponderação foram lições que Natália Pirro aprendeu graças à sua paixão pela prancha – e que aplicou ao longo de sua carreira profissional. Aos 35 anos, ela é atualmente a executiva à frente das operações latino-americanas da companhia norte-americana Automated Precision Inc. (API), uma das principais fornecedoras de tecnologia e equipamentos de calibragem, precisão e medição de maquinário para indústrias do mundo. 

“No esporte, se você não for treinar todos os dias para errar, literalmente, e aprender com isso, você não evolui. O esporte e o profissional estão completamente ligados. Ao errar, passar por adversidades e correr riscos, aprendemos algo e nos desenvolvemos. Só não podemos desistir”, comenta a executiva.

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Do pai e tio, também surfistas, Natália herdou o gosto pelas ondas, mas seu caminho empresarial teve marés altas e baixas. Nascida em São José dos Campos, no interior de São Paulo, ela se mudou para a capital paulista para fazer faculdade, mas escolheu o caminho errado. “Eu acho que quando entramos na faculdade, aos 17 anos, não temos como saber o que queremos de verdade. Fiz faculdade na área da saúde e só percebi lá que aquilo não tinha nada a ver comigo. No segundo ano já queria desistir”, lembra. 

Mesmo assim, Natália encarou o desafio e se formou. Seu pai então lhe sugeriu que fizesse um intercâmbio, para viver novas experiências e aprimorar um segundo idioma. Ela foi para os Estados Unidos e, por lá, decidiu de vez investir em uma nova carreira. “Foi muito bom não só pela questão do inglês, mas nos aspectos profissionais e pessoais, para me descobrir e viver sozinha em um outro país. Foi um desafio grande.” Voltou graduada em Finanças e Negócios pela Notre Dame University. 

Um novo começo

De volta ao Brasil, Natália ingressou na API como analista administrativa, trabalhando na instalação e operação da empresa no Brasil. Lidava com todas as áreas, mas lembra que não foi contratada para trabalhar com gestão. Ela foi crescendo conforme a empresa se desenvolvia. “Eu tinha interesse em entender as necessidades das outras áreas para ajudar, conversava com todo mundo e aprendia como elas funcionavam.”

A oportunidade de assumir uma posição de liderança surgiu em meio ao mar agitado da crise econômica de 2014 e 2015. “A empresa não sabia se ia continuar no Brasil. Quando o diretor geral decidiu sair, o CEO veio até aqui e me deu o desafio de ocupar a posição e tentar fazer a empresa acontecer num prazo de seis meses”, conta. Deu certo: Natália já contabiliza nove anos na companhia.

“Eu estudei finanças e controladoria, ou seja, gestão de operações não era algo que eu pensava em fazer, queria ficar nas minhas planilhas. Mas arregacei as mangas e fui atrás com unhas e dentes”, diz. Ela passou um ano nos  EUA para aprender tudo sobre a empresa. “Fiquei na produção da fábrica mesmo. Colocavam uma máquina dentro de outra, tentavam me explicar as coisas e eu não conseguia entender, mas eu não desisti. Tive que ter coragem e muita motivação para entender que não sabia tudo aquilo, mas que ia aprender porque era necessário. Foi um processo.” 

Sem medo de fazer perguntas

Apaixonada pelo surfe desde pequena, Natália é praticante do esporte até hoje (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Natália conta que sempre teve vontade de entender – e nunca teve vergonha de perguntar. “Questionava até os clientes por que eles compravam a máquina e como ela iria ajudar. Então muita gente me ajudou a entender os processos da empresa e as necessidades que ela supre. Não entendo 100% de tudo, mas entendo o que é necessário”, diz.  Nesse caminho, aprendeu a se adaptar a cada situação, seja em palestras, jantares executivos ou visitas às fábricas. 

Mas assumir um cargo de liderança numa empresa voltada para o setor fabril não é fácil. Mesmo nos EUA, onde a representatividade feminina chega a 36% em cargos de direção, as mulheres ainda lutam por respeito, aponta o relatório “Women in the Workplace”, publicado pela McKinsey. Natália conta que não é exceção nas estatísticas e que já passou por diversas situações difíceis, incluindo questionamentos sobre sua competência simplesmente por ser mulher. “Eu ia a eventos onde era a única mulher e as pessoas em volta não me encaravam como uma líder como os demais.”

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A executiva encara essas situações como parte de sua trajetória. “Mas não quer dizer que as mulheres não são capazes de estarem lá. Muitas vezes, essas situações infelizes acontecem e nem é culpa da outra pessoa, é um costume geral de homens e outras mulheres questionarem as mais novas”, opina. Mesmo passando por tudo isso, ela garante que nunca se deixou abalar.

Mas Natália enxerga avanços. Em sua opinião, a forma como a mulher é entendida no mundo empresarial está mudando para melhor. “O reconhecimento tem mudado nos últimos dois anos, como um todo. Na API estamos no caminho de mostrar que é uma questão de capacitação, não de gênero. Então temos essa inclusão em todos os níveis, na liderança, na engenharia, em todos os espaços”, revela. 

Para ela, o principal fator de sucesso foi ter certeza de seu propósito, mas, para abrir esse caminho antes de uma mudança perceptível no mercado de trabalho, focou na busca por aperfeiçoamento e aprendizado para conseguir bons resultados. “Anualmente, conseguimos aumentar nosso lucro em 20%, com baixíssimas demissões. Mesmo com a pandemia, estamos onde gostaríamos de estar, com o mesmo time e sobrevivendo.” 

Atualmente com toda a responsabilidade sobre as operações da América Latina, Natália supervisiona as áreas de suporte, engenharia, desenvolvimento, marketing e vendas. No entanto, valoriza o trabalho em equipe para buscar o melhor resultado para a empresa na região. “Até brinco que os times mandam mais do que eu, porque eles me contam tudo para que eu possa tomar uma decisão em conjunto com eles”, comenta. “Mas, da mesma forma que eu fui tentar entender como tudo funcionava e os objetivos da empresa, eu tento passar isso para que todo mundo também se mantenha consciente e motivado.”  

O aperfeiçoamento fica claro pela quantidade de pós-graduações que a executiva fez. Hoje, ela também é mestre em vendas pela Northwest University, e possui pós em gerenciamento de operações pela University of Cape Town, vendas e supply chain pela Business School São Paulo, e finanças e controladoria pela INPG Business School, além de um MBA em gerenciamento corporativo e liderança feito na mesma instituição.

Para Natália, o propósito de fazer algo é essencial, assim como a ponderação de entender seus limites. “Nada tem que ser feito sem objetivo e sem que aquilo não lhe faça bem. No surfe você está sozinha no mar, então pegar uma onda muito grande pode ser um risco se não estiver preparada. Além de coragem, é preciso analisar como você está pronta para enfrentar aquilo. Na vida profissional é a mesma coisa.  É preciso saber que as dúvidas e questionamentos vão existir, mas a decisão de desistir ou enfrentar é sua.”

No meio de tanta coisa, a executiva ainda encontra tempo para o mar. “Cada um tem o seu refúgio, o meu é o surfe. É o meu momento de manter o equilíbrio; primeiro vem uma adrenalina muito forte de estar sozinha no mar e manter o foco, mas depois eu relaxo. Esse momento de descanso é muito necessário e ajuda na vida profissional.” 

Ao pensar no futuro, Natália diz que ainda não sabe quais serão seus próximos passos. A meta é manter a empresa estável, com bons resultados e sobreviver aos percalços da pandemia.  Olhando para trás, ela também aprendeu que a paciência é uma lição valiosa. “Ninguém tem que saber o que quer fazer desde o início, então a sugestão é tentar coisas diferentes. Essas experiências ajudam a entender o que gostamos e qual o nosso propósito. É difícil, mas faz parte do processo de crescimento. As vivências são necessárias para nos descobrirmos. Eu mesma demorei para encontrar o que eu realmente gostava de fazer, mas encaro isso como parte da minha trajetória.”

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