Como Amanda Djehdian transformou as ofensas sofridas no “BBB” em uma marca de sucesso

Fundada no final de 2020, a New Eyes já faturou mais de R$ 2 milhões com produtos para suavizar as olheiras
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Rodolfo Corradin
Fundada no final de 2020 por Amanda Djehdian, a New Eyes já faturou mais de R$ 2 milhões (Foto: Rodolfo Corradin)

Quando Amanda Djehdian saiu do confinamento de três meses do “Big Brother Brasil” com a coroa de vice-campeã, os comentários sobre a sua aparência a surpreenderam mais do que a fama iminente. Em memes e posts, os internautas a apelidaram de “panda” e chamavam atenção para suas olheiras marcadas e pigmentadas. “Eu sou armênia e, por conta da genética, já tinha problema com as olheiras desde a infância. Após o programa, sofri ainda mais ataques e pitacos sobre o que deveria fazer para suavizá-las.” 

Na época, aos 27 anos, Amanda já conseguia lidar melhor com as críticas, mas ainda assim reconhece que sofreu bullying. “Tentei levar com bom humor porque eu já tinha me machucado demais tentando me livrar das olheiras durante a vida”, diz. “No reality, elas estavam muito marcadas por conta de um procedimento que fiz antes de entrar na casa. Foi um preenchimento que deu origem a uma sucessão de erros. O profissional injetou um produto destinado para a boca nos meus olhos. Demorei três anos para me livrar completamente do ácido hialurônico injetado no local. Isso é muito perigoso.”

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Assim, quando voltou para o mundo real, sem câmeras durante 24 horas – mas ainda com a vigilância da internet e da mídia -, Amanda colocou na cabeça que não faria mais nenhum procedimento estético agressivo para lutar contra algo que era genético. “Eu poderia cuidar da minha pele, mas jamais machucá-la”, ressalta. Nesse meio tempo, começou a receber diversas propostas de marcas querendo contratá-la para fazer publicidade de produtos para olheira. 

“Eu testava e dizia que não tinha mudado nada, mas elas me pediam para fazer mesmo assim. Os valores eram tentadores, mas minha consciência pesava só de considerar fazer uma publicidade falsa.” Em linha com a decisão de não se machucar mais – e de não enganar outras mulheres que passavam pela mesma pressão estética -, a ex-BBB optou por abrir mão dos gordos contratos. 

Sua única parceria foi com uma farmácia de manipulação, que deu liberdade para opinar nas fórmulas dos produtos. “A união durou um tempo, mas depois as matérias-primas começaram a ficar muito antiquadas. Eu desisti porque imaginava algo mais inovador.” E foi exatamente essa vontade de gerar algo único e diferenciado que fez com que Amanda pensasse em criar sua própria marca. Assim, não dependeria de ninguém para testar fórmulas e resultados – e ninguém melhor do que ela para saber o que o mercado estava precisando. 

“Hoje, há muitos produtos que tratam as olheiras, mas não as hiper pigmentadas, como as minhas. Geralmente as opções disponíveis no mercado cuidam das bolsas e do inchaço, não da pigmentação abaixo dos olhos”, explica. Quatro anos depois de deixar o reality show, em 2019, Amanda decidiu começar a montar o projeto da empresa, ao lado de grupos de dermatologistas e farmacêuticos que ajudassem na formulação de um produto ideal. “Na época, também vendi a loja de 1,99 que tinha herdado dos meus pais e foquei apenas neste negócio. A loja era um sonho do meu pai, mas tinha chegado o momento de viver o meu sonho empreendedor.” No início de 2020, após longos meses de estudo, as primeiras amostras da New Eyes – como foi batizada a marca -, estavam prontas para dar início aos testes clínicos. 

“Estava tudo certo, mas a pandemia chegou e todo mundo apertou puxou o freio, inclusive a gente”, revela. “Na inocência, achei que o isolamento duraria apenas 15 dias e decidi que faria o teste sozinha nesse meio tempo. Os 15 dias, como já sabemos, viraram meses, e logo nas primeiras semanas de uso o produto deu uma reação no meu olho. Minha pálpebra enrugou e eu fiquei desesperada.” No auge da crise sanitária, com todo mundo em casa, Amanda decidiu que era hora de mergulhar em modificações e testes mais intensos. 

Após um tempo de avaliação solitária, já sem a reação alérgica que desenvolveu na primeira formulação, a empreendedora montou dois grupos de testes: um com pessoas que a conheciam e outro com pessoas que não tinham ideia da finalidade do produto. “Queríamos opiniões livres de influência externa, por isso fizemos essa divisão. Foi maravilhoso. Começamos a receber fotos quinzenais dos nossos grupos com a evolução das olheiras após o uso do produto. Além disso, tínhamos todas as considerações documentadas, assim como as sugestões para melhorias.” O processo de lançamento da marca foi adiado, mas essa foi uma decisão essencial para que Amanda se sentisse completamente segura com a sua criação.

Em setembro de 2020, a New Eyes foi lançada com duas opções de produto – diurno e noturno -, com foco tanto em olheiras de cansaço quanto nas versões crônicas e ultra pigmentadas. “Nosso carro-chefe é a região dos olhos, mas nossos cremes são hidratantes, então também fazem bem para linhas de expressão no rosto inteiro”, explica. Para ela, isso é sinônimo de autocuidado, não de falta de aceitação. “Olheira é uma característica, mas isso não quer dizer que não podemos nos cuidar. Se meu cabelo é seco, eu posso passar um shampoo para hidratá-lo, então também posso cuidar da minha olheira.” 

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“Na escola, quando me zoavam por conta das olheiras, eu fingia que estava tudo bem, mas chegando em casa chorava muito. Perguntava para a minha mãe porque eu tinha aquilo na cara. Dizia que preferia não ter um dedo. Imagina uma criança falando isso?”, lembra. “Na adolescência, eu não me permitia nem tomar banho com meu namorado porque não queria que a maquiagem saísse.” 

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Esses são relatos que a empreendedora ouve diariamente. “Já conheci mulheres que perderam o emprego porque não conseguiam olhar diretamente para outras pessoas, então esse meu trabalho de criar produtos para o autocuidado é muito maior do que um simples negócio”, destaca. “Eu sei o que é essa dor, e tenho um contato direto com o meu público para saber o que podemos melhorar na marca. Mesmo não tendo conhecimento em química, eu sei tudo sobre os itens que fabrico.” Após um ano de lançamento, a New Eyes já conta com 15 funcionários, atendeu 5.000 clientes e faturou cerca de R$ 2 milhões. 

(Foto: Rodolfo Corradin)

“Acabamos de fechar um grande contrato com um dos nossos fornecedores de embalagens. Nossa expectativa é triplicar o faturamento em 2022. Somos uma startup super pequena nesse mercado de gigantes, mas isso facilita nosso trato com os clientes, aumenta a proximidade”, comemora. Para ela, a New Eyes é a representação do que é transformar um limão em uma limonada. 

Após uma enxurrada de críticas em rede nacional, Amanda sente que está servindo a um propósito essencial na sua vida e na de outras mulheres. “Atualmente, cerca de 10 mil pessoas procuram diariamente no Google formas de diminuir suas olheiras. Eu sinto isso na pele. Já faz sete anos que eu saí do ‘BBB’ e ainda não passei um dia sem receber uma mensagem falando sobre o assunto”, revela. “Por isso, seguimos investindo e mostrando que o autocuidado é essencial para que nos olhemos com carinho.”

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