Como Luana Ribeiro saiu de R$ 300 mil em dívidas para um bem-sucedido negócio na tecnologia

Fundada durante a pandemia, a startup de integração de sistemas DevApi foi adquirida pela TIVIT no início do ano
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Divulgação
Luana Ribeiro comanda a startup de integração de sistemas DevApi (Foto: Divulgação)

Aos 18 anos, Luana Ribeiro começou a estudar ciência da computação e decidiu que mergulharia de vez no mundo da tecnologia. Neste caso, não apenas em livros e longas noites de estudo, mas também como proprietária de uma loja de informática que vendia computadores e periféricos. “Naquela época era mais fácil ter um negócio, então eu peguei um empréstimo no banco, aluguei um espaço e comprei estoque de material. Eu não sabia nem emitir nota fiscal, e fiz tudo sem pensar direito”, conta. “Em menos de seis meses, tive o meu primeiro contato e minha primeira decepção com o empreendedorismo. Fali e fiquei com uma dívida de R$ 300 mil.” 

E foi assim que Luana, hoje aos 28 anos, começou sua carreira e sua vida adulta. “Meus pais falaram que, do mesmo jeito que eu fiz, eu teria que resolver.” Sem cartão de crédito, a jovem passou os cinco anos da faculdade sem fazer compras e economizando ao máximo para pagar o que devia. Fazia estágio e alguns freelas para garantir uma renda extra. “Foi um aprendizado muito grande. Eu entendi que, mais importante do que começar correndo, é começar andando”, revela. No final da graduação, conseguiu quitar o empréstimo, mas o histórico deixou sequelas: o medo de empreender e falhar novamente. 

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“Comecei a me identificar com as áreas de negócios das empresas onde trabalhava. Mas aquilo me assustava, já que continuava tendo muita vontade de empreender, mas um medo enorme de errar de novo e acabar adquirindo dívidas”, lembra. Nesse meio tempo, Luana também fez uma pós-graduação e começou a dar aulas para alunos de ciência da computação na universidade. Sua renda mensal era boa, já que tinha dois empregos, mas o sentimento de que estava faltando algo continuava ali, ocupando espaço.

Em 2018, Luana decidiu seguir seu próprio conselho e começar, a passos lentos, sua primeira startup – mas sem abandonar o emprego em uma companhia do setor agropecuário. Fundou, então, a Bem Casei, um site de lista de presentes de casamento. Nele, os convidados podiam escolher um item – meramente ilustrativo – e depositar o valor correspondente para o casal. Foi uma iniciativa importante para a volta gradual ao empreendedorismo, mas não gerava renda o bastante para ser uma atividade única. “Eu ganhava apenas 10% do valor da compra. Para faturar R$ 100 mil, por exemplo, 1.100 pessoas precisavam comprar um presente de R$ 90.” Foi então que ela começou a pensar numa segunda empresa, capaz de arrecadar o suficiente para investir na Bem Casei. 

Foi assim que surgiu, em janeiro de 2019, a Devninjas. “Era uma fábrica de softwares que desenvolvia sistemas e aplicativos para empresas. E, apesar de ter sido criado para impulsionar financeiramente o site de casamentos, o negócio começou, de repente, a ficar muito aquecido. Fez R$ 30 mil em apenas um dia”, lembra Luana. Naturalmente, a Bem Casei foi deixada de lado e a Devninjas começou a crescer. Em menos de um ano, a empreendedora conseguiu deixar o emprego e seguir apenas com o negócio. No entanto, como o empreendedorismo nunca é uma linha reta, novas ideias começaram a surgir, de forma a garantir a expansão. 

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“Não tínhamos recorrência. A empresa comprava um aplicativo de R$ 600 mil, por exemplo, pagava e nunca mais voltava”, explica. “Para criar uma base de clientes constantes, fundei a DevApi, assim podíamos entregar sistemas de integração e cobrar uma mensalidade vitalícia das empresas.” Esse serviço, embora um pouco desconhecido para quem não é da área tecnológica, é essencial para o bom funcionamento dos e-commerces.

“As marcas precisam de estoques integrados. E é impossível atualizar inventários de milhares de itens, com vários detalhes de cada um, manualmente. Imagine no caso da Black Friday, por exemplo. Já imaginou aplicar os descontos em cada um dos produtos? Além disso, os dados precisam estar sempre atualizadíssimos para que a loja não venda algo que já esgotou. Tudo isso nós conseguimos resolver com um bom sistema de integração.” 

Fundada em pleno auge da pandemia, em maio de 2020, a DevApi começou a chamar a atenção em um cenário no qual o comércio acelerava suas operações online para poder dar conta das novas demandas de compras provocadas pelo isolamento social. Até o final do ano passado, as duas empresas tecnológicas de Luana andaram de mãos dadas. Mas a DevApi começou a se sobressair e, no início de 2021, a multinacional de soluções digitais TIVIT fez uma proposta para comprar a empresa. “Inicialmente, achamos que eles queriam usar o nosso produto. Mas a ideia era mesmo adquirir nosso negócio. Foi uma grande surpresa.” O acordo – cujo valor não foi revelado e que Luana à frente da operação – foi concretizado em abril.

“Temos 25 funcionários e ainda somos pequenos. Com a TIVIT, uma empresa com atuação na América Latina, conseguimos visibilidade. Estamos embaixo do guarda-chuva de uma companhia gigante”, resume. A meta para o ano que vem é dobrar o quadro de funcionários e expandir pelo Brasil – e quem sabe até para países vizinhos. Enquanto isso, a Devninjas teve suas operações encerradas em dezembro de 2020. Para Luana, essas últimas três experiências foram a maior prova de que o empreendedorismo deve ser vivido com calma e paciência. Ela não enxerga a Bem Casei ou a Devninjas como falhas, mas sim como vivências essenciais para o sucesso da DevApi. 

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“Hoje eu olho para trás, para a minha loja de informática, e dou risada. Foi desesperador, mas eu aprendi muito. Não existe vitória sem derrota, a não ser que você tenha nascido herdeiro”, brinca. O maior desafio, para ela, é essa montanha-russa constante, essa sensação de não saber o que vai acontecer. “Tem que ter estômago, mas dá muito orgulho no final do dia.” 

Mais do que orgulho de conseguir emplacar sua empresa, Luana também ressalta sua presença como mulher no setor de tecnologia. “Quando entrei no curso de ciência da computação, só havia quatro meninas em uma turma de 70 pessoas. Apenas duas de nós chegaram ao fim”, recorda. “Eu sempre gostei de computadores, mas só fui ter um na minha casa aos 16 anos. Entrei na faculdade sem saber muito sobre o assunto, apenas porque eu gostava de tecnologia. Mas eu sei que, ainda hoje, isso não é muito comum. Meninas são direcionadas a brincar com bonecas, enquanto meninos ganham gameboys.” A empreendedora, no entanto, mostra-se esperançosa com o futuro do setor. “Eu estou aqui contando a minha história agora, o que deve significar alguma coisa”, conclui.

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