Quem são as empreendedoras por trás do primeiro absorvente orgânico zero plástico do Brasil

Luri Minami, 35 anos, e Erika Tomihama, de 33, lançaram a Amai em outubro como uma opção hipoalergênica e sustentável
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Breno da Matta
Luri Minami, 35 anos, e Erika Tomihama, de 33 (da esquerda para a direita), lançaram a Amai em outubro (Foto: Breno da Matta)

Desde sua primeira menstruação, na pré-adolescência, Luri Minami sentia um enorme incômodo ao usar absorvente. No entanto, embora fosse desconfortável a ponto de machucar seu corpo, ela cresceu achando que essa era uma consequência normal dos produtos externos disponíveis no mercado. Algo corriqueiro quanto as cólicas e TPM’s. Na vida adulta, o coletor foi considerado por Luri como um grande salvador da pátria. Mas a alegria durou pouco e, em dois anos, seu corpo passou a rejeitá-lo também. Longe de ser uma grande fã da calcinha absorvente, Luri se viu perdida em um ambiente íntimo e rotineiro de sua vida como mulher. 

Frustrada com a situação, desabafou com Erika Tomihama, amiga de carreira e de vida, e descobriu que sua relação com o absorvente externo realmente não era saudável, mas que tinha uma explicação racional para tudo que vinha sentindo. “A Erika tinha lido uma pesquisa falando sobre a quantidade de produtos químicos utilizados em absorventes e o impacto disso no número de mulheres com reações alérgicas. A vulva é sensível, qualquer perfume ou presença sintética pode afetá-la. Era isso que acontecia comigo”, explica Luri. “Demorei tanto para perceber porque nós não falamos sobre isso. Sentimos coceira ou dor e, estranhamente, achamos que é normal. Evitamos falar sobre vulva e vagina.” 

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A percepção de que esse assunto afeta silenciosamente diversas mulheres fez com que as amigas abrissem os olhos para um novo mundo – não apenas para dar atenção à alergia, no caso de Luri, mas também para avaliar um possível mercado com muito propósito. No início de 2020, a dupla deixou seus respectivos empregos em grandes corporações para abrir um negócio de economia circular. Finalmente empreendedoras, seguindo um sonho que tinham desde o início da carreira, elas já estavam quase colocando o projeto no ar quando a pandemia chegou – e mudou todos os planos. Com o isolamento social e um expressivo aumento no índice de desemprego do país, muitas coisas deixaram de ser prioridade, e a ideia do aluguel de roupas não se adequava mais ao momento.

Ainda em abril, as amigas desistiram da economia circular e começaram a pensar em um novo negócio com propósito. Foi nesse momento que a conversa sobre o impacto dos absorventes tradicionais caiu como uma luva. “Acho que esse problema não é só meu”, pensou Luri. Em maio, elas começaram a entrevistar mulheres para entender se elas compartilhavam da mesma necessidade e desconforto durante o período menstrual. Foram mais de 200 entrevistas iniciais, até a dupla ter a certeza de que criar um absorvente orgânico zero plástico era uma urgência no mercado nacional. 

Com um investimento de R$ 400 mil, a Amai, como foi batizada, conduziu uma série de estudos até identificar matérias-primas e tecnologias ideais para o seu propósito. “Uma delas é o algodão orgânico, porque não tem potencial alergênico e não usa pesticida. Além disso, ele é certificado com boas práticas sociais e ambientais”, conta Erika. “No interior do absorvente, temos celulose com uma tecnologia super absorvente, enquanto a parte de trás é feita com bioplástico biodegradável à base de amido de milho, para garantir que desmanche em menos de seis meses após ser jogado fora.” 

Além da preocupação ambiental com o produto, existe um cuidado com a embalagem que envolve o absorvente, que também é feita de bioplástico, enquanto a caixa é produzida com papel cartão. Já o pacote do correio utiliza papelão reciclado e cola vegetal para lacrar – nada de fita plástica. “Organizamos todas as esferas da marca para que seja uma iniciativa coerente com nossos princípios. Também estamos organizando projetos de carbono neutro na entrega”, diz Erika, que ressalta a dificuldade de encontrar opções eco friendly na hora de criar uma marca. 

Divulgação
(Foto: Divulgação)

Um plástico comum demora 400 anos para se decompor na natureza, mas, ainda assim, é um produto útil, eficiente e barato, o que faz com que as pessoas insistam no seu uso. “É muito difícil produzir algo sem plástico. Quando você quer fazer algo diferente, precisa fazer uma pesquisa infinita buscando a melhor opção em um grupo seleto de fornecedores”, completa a empreendedora. Além disso, é preciso investir em tecnologia para que o produto desempenhe bem. Afinal, o objetivo principal dele é a funcionalidade.

“Nosso processo exigiu máquinas avançadas, já que o produto é ultrafino e precisa de um cuidado diferente do absorvente clássico. Por conta disso, ele foi desenvolvido a partir de diferentes fornecedores, e fizemos um ano e meio de testes e modificações”, conta Erika. O mais difícil, segundo ela, foi encontrar a cola orgânica perfeita para o produto, mas o esforço foi recompensado. Segundo os testes, o absorvente da Amai absorve duas vezes mais do que a tecnologia comum – algo que o público consumidor parece já ter percebido.

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Lançada em outubro, a Amai já tem 30% de clientes que assinaram o plano de compra recorrente. “Isso quer dizer que elas realmente gostaram do nosso produto e querem envios frequentes, sejam mensais ou trimestrais. Ficamos muito realizadas com isso”, ressalta Luri. Para ela, estar à frente de um projeto com propósito ambiental e feminino, sem exclusão ou prioridades, é algo especial. “Os coletores e as calcinhas, embora sejam ótimos para o meio ambiente, nem sempre são práticos de se adaptar. Nem todas as mulheres conseguem, então precisamos de opções para decidirmos o que queremos para nós.” 

Com o objetivo de se tornar uma empresa de autocuidado feminino futuramente, as empreendedoras vão além com o negócio ao firmar uma parceria com o projeto Fluxo sem Tabu, que doa 1% das vendas em forma de absorventes e outros produtos de higiene pessoal para mulheres em situação de vulnerabilidade. Com a expectativa de  faturar R$ 2 milhões em 12 meses, o cenário de doação se torna ainda mais promissor. “A cada mulher que se eleva, a sociedade inteira se beneficia”, conclui Erika.

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