5 lições de Bruna Tavares para vencer no mundo do empreendedorismo

Proprietária de uma marca de maquiagem que fatura cifras de nove dígitos por ano, ela já tem planos para conquistar mercados internacionais
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Com mais de 500 pessoas em sua equipe, Bruna Tavares pensa grande, mas sabe que as metas só têm resultado com muita estratégia (Foto: Divulgação)

“No meu sonho, eu apertava várias bolinhas coloridas e as mostrava para a minha amiga, dizendo que era o novo lançamento da marca: massinhas de modelar que soltavam pigmento quando apertadas. Uma massinha que nunca quebraria.” A lembrança é de Bruna Tavares, de um episódio ocorrido há dois anos. “Quando acordei, contei para a minha equipe, que logo acreditou que seria possível transformar esse sonho em realidade.” Vinte e quatro meses depois, em dezembro de 2021, a marca homônima está lançando um produto dois em um – sombra e iluminador -, com a mesma textura de marshmallow que seu inconsciente criou durante o sono. 

Depois de muito pesquisar tendências globais de maquiagem, Bruna chegou até a testar alguns produtos com a textura da guloseima, como o Diamond Bomb, da Fenty Beauty, marca da cantora Rihanna. A tecnologia, no entanto, só existia no Brasil de forma importada. Mais do que isso: nenhuma massinha era “inquebrável”, como no sonho da empreendedora. Sendo assim, para transformar a ideia em realidade, foram necessários muitos testes de matéria-prima e durabilidade. Um processo quase artesanal, como define Bruna, mas que promete movimentar – mais uma vez – o mercado de beleza nacional. 

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Embora o BT Mallow, como foi batizado, seja a novidade da marca neste final de ano, essa não é a primeira vez que Bruna Tavares lança um produto inovador em território brasileiro. No ano passado, a BT Skin foi listada no ranking dos assuntos mais comentados da internet ao criar a base com a cartela de cores mais extensa do mercado: 30 no total, para todos os tipos de pele. Até então, essa diversidade era vista apenas no exterior. Para muitas pessoas de pele retinta, era preciso misturar duas cores ou importar um produto gringo para encontrar uma base que se adequasse ao tom da pele. Na época, a euforia pelo lançamento foi tanta que, apenas nos três primeiros dias, a marca vendeu 200 mil unidades de bases. 

De certa forma, foi por conta dessa vontade de oferecer algo novo para o mercado que Bruna se destacou no setor. Formada em jornalismo pela PUC Campinas, ela criou o blog “Pausa para Feminices” em 2009, com o objetivo de ingressar na área de moda e cultura depois de formada. A vida de blogueira – bem diferente do que é hoje em dia – era um hobbie possível de conciliar com a rotina de jornalista de redação, até as primeiras oportunidades de negócio começarem a surgir. 

Em 2011, após cerca de três anos do primeiro post, Bruna foi chamada pela Tracta para lançar uma linha de batons ao lado de outras 12 blogueiras. Na hora de escolher a cor, percebeu que, apesar da tendência de tons neutros que as Kardashians estavam lançando nos Estados Unidos, o Brasil não tinha muitas opções nesse sentido. Por isso, optou por um batom na cor salmão, que alcançou o top 1 de vendas e fez com que a marca reconhecesse a força de Bruna na criação de maquiagens. Um ano depois, em 2012, a companhia a convidou para fazer uma linha completa. Batizada com o nome do blog, a coleção Pausa para Feminices foi o primeiro passo da sua crescente paixão pelo desenvolvimento de produtos.

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(Foto: Divulgação)

Em pouco tempo, a linha cresceu e a jornalista começou a mergulhar cada vez mais fundo nos estudos de fórmulas de cosméticos. Os laboratórios viraram sua segunda casa e, em 2016,  ela começou a negociar a criação de uma marca própria que levasse o seu nome. Em parceria com a Farmaervas, conseguiu um espaço exclusivo para desenvolver as suas próprias maquiagens. Desde então, Bruna já lançou mais de 200 produtos entre linha regular e coleções especiais. Com um faturamento anual de nove dígitos e mais de 3 milhões de seguidores no Instagram, pode-se dizer que a empresária realmente conquistou o mercado nacional. Muitas vezes, seus produtos viram referência para outras marcas em termos de matéria-prima e tecnologia. 

“Começamos a crescer no mundo da beleza há cinco anos. Não tínhamos nem batom coral, enquanto os EUA já estavam fazendo batons holográficos”, destaca. “Ainda é muito caro trazer uma matéria-prima inovadora, mas o primeiro passo faz com que outras empresas também se movimentem, e isso é perfeito para a evolução. Já até me perguntaram se eu me incomodo com as cópias, mas eu realmente não me importo. Ser precursora no lançamento de algo faz com que os fornecedores conheçam o nosso nome.” 

Bruna revela, ainda, que ficar conhecida no exterior também é uma de suas metas como  empresária. “Temos planos para começar a vender nos Estados Unidos, mas, para isso, precisamos reestruturar os produtos para que eles agradem tanto aos brasileiros que moram fora quanto aos consumidores estrangeiros. Temos que levar o ‘Made in Brazil’ de um jeito que seja adequado à pele gringa”, explica. 

O nome dados aos produtos, por exemplo, já faz parte dessa estratégia de expandir a marca para o mercado internacional. Seja com a linha BT Skin ou com a BT Velvet, a nomenclatura sempre conta com as iniciais de Bruna Tavares e uma palavra em inglês, que seja curta e de fácil pronúncia. “Assim fica fácil tanto para os brasileiros quanto para os consumidores estrangeiros.” 

Com mais de 500 pessoas em sua equipe, a empreendedora pensa grande, mas sabe que as metas só têm resultado com muita estratégia e foco. “Muitas pessoas acham que os produtos internacionais são melhores do que os nossos, e isso não é verdade. Eles apenas estão correndo uma maratona enquanto acabamos de aprender a andar. Os produtos nacionais são ótimos, e meu legado é ajudar a movimentar esse mercado.” Para alcançar esse objetivo, Bruna ressalta cinco atitudes que a ajudaram a chegar onde está – e que vão continuar ajudando a impulsionar a marca. Veja, a seguir, quais são elas: 

1. Não ter pressa para lançar um produto

Protagonista de um sonho, o BT Mallow – com textura de marshmallow – seria lançado em julho de 2021. A fórmula, no entanto, não estava do jeito que Bruna queria. “Ele estava quebrando quando apertava fortemente. Os outros marshmallows do mercado também fazem isso, mas eu queria um produto inquebrável. Precisava alcançar isso sem perder a textura de massinha”, conta. Para isso, o laboratório da marca precisou realizar testes intensivos de matéria-prima e durabilidade até chegar à fórmula ideal. Foram dois anos de desenvolvimento.

“É um investimento de milhões – tanto no quesito dinheiro, quanto no tempo que dedicamos a cada produto. Alguns estão no laboratório há quatro anos”, revela Bruna. “Nosso demaquilante BT Midnight, por exemplo, que promete derreter a maquiagem, está sendo desenvolvido desde 2017. Falta encontrarmos a embalagem perfeita para ele. Nem tudo é rápido de se conseguir.” Nesse meio tempo, muitos outros produtos foram lançados, alguns com uma produção muito mais fácil e rápida. No entanto, a empresária ressalta a importância da paciência na hora de lançar um produto inovador de qualidade. “Na hora que eu comecei a apertar a massinha até o fim, e ela não quebrou, eu lembrei do meu sonho. Ainda bem que eu não desisti no meio do caminho.” 

2. Enxergar outros ângulos 

Em 2018, o mundo da maquiagem passou pela tendência do Lip Tint, o famoso pigmento que deixa a boca com cara de saudável. Em poucos meses, todas as marcas – nacionais e internacionais – tinham a sua versão do produto, o que acabou gerando um insight em Bruna. “Não podemos ficar sem um lip tint no nosso catálogo. Mas vamos fazer igual?”, questionou-se na época. Foi aí que, pesquisando sobre o assunto, ela descobriu que pessoas de pele retinta tinham dificuldade para usar o produto. Além disso, ouviu algumas reclamações sobre o uso de álcool nas fórmulas disponíveis no mercado, que ressecavam a boca. 

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“Logo pensei em criar um tint hiperpigmentado e sem álcool. Levei esse desafio para o laboratório, pedindo para produzirmos vários sub tons, como laranja, vermelho, rosa, roxo e magenta”, recorda. “Quando lancei, tive que explicar que nosso lip tint era super pigmentada para incluir todas as mulheres na experiência. Pessoas de pele clara podem dosar a quantidade. Isso não as prejudica.” Na época, o lançamento foi um sucesso, capaz de fazer do produto uma tendência para outras marcas, que começaram a disponibilizar versões mais pigmentadas. “É preciso prestar atenção nos gaps de mercado e no que o público está falando”, sugere. 

3. Não esquecer do propósito no meio do caminho

A marca Bruna Tavares nasceu com o objetivo de ter um bom custo-benefício. Por mais que seus produtos sejam inovadores e de boa qualidade, é difícil encontrar algo por mais de R$ 100. Os batons líquidos, por exemplo, que foram o primeiro boom da marca, custam apenas R$ 32, um valor bem abaixo dos importados. Muitas vezes, no entanto, é difícil manter esse propósito. “É muito difícil trabalhar com fornecedores norte-americanos e europeus  atualmente por conta do valor da moeda. Às vezes, deixamos projetos na gaveta porque fica tudo muito caro”, explica. “Eu poderia lançar cobrando R$ 300, mas aí perde o propósito da marca. Tenho um compromisso com a minha história.” 

Uma outra opção seria desenvolver os produtos na China, que oferece uma tecnologia acessível para empreendedores. Essa escolha, no entanto, não contribuiria com o avanço do mercado nacional. “Eu quero trazer a tecnologia para cá. Quero que os brasileiros tenham acesso a tudo isso, então não posso perder meu foco. Essa preocupação dificulta o nosso trabalho, mas faz parte da criação de um legado.” 

Muitas vezes, a empreendedora assume que diminui o lucro de um lançamento para conseguir manter um bom preço. Outras vezes, os produtos são desenvolvidos e não chegam ao mercado por conta do valor. “Fizemos uma paleta de sombras de seis cores que ficou linda, mas caríssima. Estava fora do nosso padrão e desistimos. Também temos pigmentos holográficos que estão aguardando oportunidades futuras. Pode ser que daqui um tempo, com outros fornecedores ou um valor mais baixo da moeda, a gente consiga lançar”, revela. 

4. Ficar de olho nas tendências do exterior – mas não cair em modismos

Seja no seu dia a dia ou durante as viagens, a vida de Bruna é marcada por pesquisas constantes de tendências mundiais. Ficar de olho no que o consumidor almeja ao redor do mundo é essencial para conseguir ser precursora nas inovações. Além disso, a empreendedora está sempre testando e fazendo experiências com outros produtos para saber o que desenvolver para sua marca. O BT Velvet, uma sombra líquida muito parecida com os batons da marca, foi lançado após muitos testes feitos por ela, que passava os batons na pálpebra. No entanto, embora seja inundada por diversas ideias o tempo todo, é preciso diferenciar o que é útil do que é modismo. 

“Alguns anos atrás, todo mundo começou a falar sobre a esponja de silicone para passar maquiagem. Foi uma febre, com muitos vídeos nas redes sociais. Mas, ao usar o produto, eu vi que não era uma boa opção. Pincéis e esponjas clássicas são muito melhores para aplicação, então eu deixei o modismo passar e não lancei nada parecido”, explica. Realmente, após alguns meses, a esponja de silicone deixou de figurar entre os temais mais comentados do mundo da beleza.

5. Não ter medo do diferente

Desde o início, a empreendedora pautou o seu sucesso na inovação. Conseguir lançar produtos diferentes, no entanto, não é tão simples quanto parece. Logo que começou a produzir sua primeira linha de produtos, Bruna percebeu a primeira dificuldade: o mercado de embalagens. “Todas as marcas usavam o mesmo molde. Tampa preta ou branca, com decoração dourada ou prata. Eu queria usar rose gold, mas não tinha essa opção”, conta. Hoje, a marca possui moldes exclusivos, mas essa foi uma conquista cara e demorada. No início, a ideia para driblar a falta de personalização foi investir nos cartuchos das maquiagens – ou seja, na embalagem de papel. 

“Até hoje sou eu que escrevo a descrição e o modo de uso dos produtos na caixinha. Esse é o meu ponto de comunicação com o consumidor, caso ele não me siga. É onde eu imprimo a essência da marca”, explica. Com o tempo, a embalagem foi ficando conhecida. Mas houve outros desafios. O acesso à matéria-prima também foi uma questão complexa. “Antes de lançar meus batons líquidos, descobri que as versões internacionais utilizavam nylon, um ingrediente que deixava a textura muito melhor do que a dos produtos nacionais. O único problema é que era uma matéria-prima caríssima, muito difícil de trazer para cá.” 

A solução inicial foi pesquisar outros ingredientes que performavam de maneira parecida. Atualmente, no entanto, a marca já consegue trazer o nylon e trabalha com produtos que não perdem em qualidade para os batons estrangeiros. “Depois disso, outras marcas conseguiram importar a matéria-prima, o que chamou a atenção do mercado. Hoje, alguns fornecedores já conhecem a nossa marca e entram em contato para falar de fórmulas. É assim que fazemos o setor girar.” Seu segredo, portanto, é não encarar o difícil como algo impossível.

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