Corpo de verão: como a influenciadora Gabi Camello superou a pressão estética e criou uma marca de biquínis para todas as mulheres

Em maio de 2021, a empreendedora decidiu fundar a Bem me Quero GC, que oferece modelos para todos os tipos de corpos
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(Foto: Divulgação)

“Vem verão”, gritam os comerciais televisivos, enquanto mostram corpos femininos perfeitos para o padrão estético do mundo atual. Não há gordura, cicatrizes ou estrias e celulites, o que faz com que as telespectadoras ao redor do país se questionem sobre a normalidade de seus corpos. É claro que essa é apenas uma pequena fatia do que a pressão estética causa na autoestima das mulheres, mas já é um ótimo exemplo para entender o que a carioca Gabriella Camello sentia quando desistia de ir à praia por ter vergonha do seu corpo. 

Aos 20 anos, por conta do estresse no trabalho e da depressão, Gabi engordou 60 quilos, chegando a pesar 125 quilos, o que a deixou refém da pressão estética. “Eu não ia à praia porque achava que tinha que emagrecer antes, mas também não fazia academia porque tinha vergonha de aparecer por lá”, recorda. Aos 23 anos, quando exames de rotina mostraram que a jovem estava com pré-diabetes e uma preocupante quantidade de gordura no fígado, ela decidiu recorrer a uma bariátrica. “A cirurgia tinha como foco a minha saúde, mas é claro que eu sentia que só seria feliz de novo quando emagrecesse.” – o que não aconteceu. 

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Mesmo perdendo 30 quilos na bariátrica – e mais 30 com reeducação alimentar após o procedimento cirúrgico -, Gabi não estava satisfeita. “Foi um processo sofrido. Eu fazia uma dieta super restritiva, estava perdendo peso, mas não me sentia feliz. Comecei a me entregar aos procedimentos estéticos achando que valeria a pena”, conta. De silicone a intervenção a laser para tirar estrias, a carioca fazia tudo que estava ao seu alcance para conquistar o corpo dos sonhos. Ainda assim, nada parecia estar bom o bastante. 

Em 2020, quase cinco anos depois da cirurgia, ela ainda vivia uma rotina focada no emagrecimento. Em meio à pandemia, começou a mostrar os seus treinos e sua alimentação no Instagram, o que foi fundamental para seu processo de autoaceitação. Ao lado de outras pessoas que estavam passando pela mesma pressão que ela, Gabi entendeu que seu padrão dos sonhos era inalcançável. “Era um poço sem fundo. Eu nunca ficaria satisfeita se continuasse buscando o corpo das revistas. Foi aí que eu mudei o meu conteúdo: comecei a compartilhar o meu processo de retomada da autoestima.” 

Mostrando suas cicatrizes e sua flacidez pós-cirurgia, Gabi criou uma rede de apoio feminina em sua página no Instagram. Ela ajudava as seguidoras, que começaram a admirar aquele corpo parecido com o delas – e as seguidoras também a apoiavam nos momentos mais difíceis. Quando pensava em desistir, era só observar o impacto que estava causando na vida de outras mulheres. “Se eu conseguir mudar a vida de uma mulher, meu trabalho já está feito”, ressalta. “Eu não quero que elas passem pelo que eu passei. Mostro minhas vulnerabilidades, e isso faz com que elas percebam que não são estranhas ou inadequadas.”

Com o crescimento exponencial de suas redes sociais, ela passou a pensar em como impactar ainda mais gente. Com a veia empreendedora pulsando, relembrou seus momentos de frustração ao procurar biquínis no verão. “Quando eu saía de casa para procurar um biquíni, acabava comprando o que tinha, não o que gostava. Para o meu peso, só tinha uma cor disponível ou um tipo de modelo. Eu não podia fazer a minha moda.” Para lutar contra isso, Gabi lançou, em maio de 2021, a Bem me Quero GC, que oferece modelos que vão do tamanho 34 ao 54. 

“O mercado não vende biquíni. Vende o desejo por aquele corpo padrão”, ressalta. Para o primeiro verão da marca, Gabi espera incentivar mulheres – de todas as idades e corpos – a curtirem este período do ano sem sentirem vergonha. Na última campanha, a empreendedora até chamou sua tia-avó, de 90 anos, para ser a grande modelo da sessão de fotos. “A tia Olga sempre foi muito livre, mas ainda tinha aquele tabu de que pessoas mais velhas não usam biquíni. No início das fotos, ela ficou envergonhada, mas logo se reconectou com a praia e começou a se divertir. Verão é isso. Não ligar para os julgamentos e curtir.” 

Até o momento, a resposta do público é positiva. Em sua rede de mais de 100 mil seguidores, Gabi recebe mensagens de mulheres dizendo que se sentiram empoderadas o suficiente para usar biquíni pela primeira vez. “Eu achava que emagrecimento era a solução da minha vida. Era sinônimo de felicidade. Mas a minha maior dificuldade foi perceber que o amor próprio é a chave para todos os nossos problemas. E isso levou tempo, muita terapia, muito choro e profundo processo de autoconhecimento.” 

Hoje, ela até estuda psicologia na faculdade para tentar entender o que se passa na cabeça das pessoas. No entanto, a empreendedora não pensa em seguir carreira na área. Criada em uma família de comerciantes, ela sabe que o empreendedorismo é o caminho certo para a sua vida. “No meio desse ano minha página virou trabalho. Foi aí que eu saí da empresa dos meus pais e comecei os meus próprios negócios. Primeiro a Bem me Quero. Depois a parceria com a Reserva, em que lancei uma coleção de camisetas com frases empoderadas.”

“Agora, já estou sonhando com a minha marca de roupas de ginástica”, brinca. Seu processo de autoconhecimento começou há pouco tempo, ainda na pandemia, mas as conquistas já a fazem sonhar alto. “Verão é calor, é felicidade, é se divertir. Os verões passam, as queixas continuam e você acaba não criando memórias. Viver no meu corpo é criar memórias. Precisamos nos libertar do julgamento”, conclui.

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