CLT ou empreendedorismo? Conheça mulheres que trocaram a estabilidade de um emprego pelo desafio do próprio negócio

Rotina flexível e independência financeira fizeram com que elas deixassem o mercado de trabalho e se dedicassem a empreender
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Marília Luiza Ignez comanda uma escola de idiomas na cidade de Mogi das Cruzes, em São Paulo (Foto: Divulgação)

Só de pensar em voltar a ter um emprego convencional, Marília Luiza Ignez dispara: “Não é para mim”. Aos 31 anos, a empresária faz parte do grupo de profissionais que preferem tocar o próprio negócio a ostentar uma carteira assinada. No caso dela, a experiência em multinacionais, escritórios e até restaurantes serviu para mostrar que nem sempre uma vaga tradicional é o melhor caminho. “Não existe isso de ter estabilidade só com a CLT. Na prática, você pode ser demitido a qualquer hora, por qualquer motivo”, diz. 

Foi o que aconteceu com ela em 2019. Na época, a administradora trabalhava em uma distribuidora de cosméticos e atuava como maquiadora aos finais de semana. Por ironia do destino, acabou sendo duplamente surpreendida com a demissão e um cisto no punho que a impedia de maquiar. Assim, quando recebeu a proposta de um amigo para se tornar sócia de uma franquia de escola de idiomas, Marília não pensou duas vezes. “Naquela época, eu já sabia que queria arriscar e tentar algo diferente”, conta. 

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Mesmo com as experiências profissionais anteriores, inclusive na área administrativa, ela diz que rapidamente sentiu a diferença entre trabalhar para alguém e coordenar ela mesma a IP School. “É muita responsabilidade. Ao mesmo tempo em que não preciso me preocupar em bater o ponto, acabo trabalhando muito mais para dar conta de tudo”, relata. 

Se os deveres se mostraram árduos, por outro lado, acompanhar o crescimento da empresa mesmo diante de obstáculos foi compensador. Durante o início da pandemia de Covid-19,  Marília conta que as dificuldades eram “imensas”, mas que a insistência no negócio acabou valendo a pena. “Felizmente, como as aulas particulares já eram o carro-chefe da escola, a transição para o ensino virtual acabou sendo menos trabalhosa. No fim, acaba sendo muito mais gratificante”, conclui. 

Atualmente, no Brasil, cerca de 48% dos empreendedores são mulheres, conforme dados da Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor. Paralelamente, quase 96% do total de demitidos no país no início da pandemia eram do gênero feminino, somando 462 mil das 480 mil vagas perdidas, de acordo com o Ministério do Trabalho. 

Busca por flexibilidade atrai as empreendedoras

Juliana trocou um cargo em uma multinacional pelo empreendedorismo (Foto: Divulgação)

No caso de Juliana Gurjão, foi a falta de tempo com a família que acabou fazendo com que ela pensasse em deixar o cargo de representante em uma farmacêutica. Por causa da função, a profissional acabava tendo que viajar constantemente, o que a fez considerar opções mais flexíveis. “Minha rotina era muito puxada, eu viajava de duas a três semanas por mês. Na época, cheguei a me mudar para Portugal e abrir um wine bar, mas, quando retornei ao Brasil, voltei a atuar em uma multinacional. Por dentro, eu sabia que queria empreender de novo”, relata. 

Naquela mesma época, Juliana acabou tendo que se dedicar aos cuidados com a avó e o padrasto, que estavam doentes. Dessa forma, passou a procurar opções que garantissem um manejo melhor de horário, localização e demanda. A solução acabou vindo da startup Take, grupo que disponibiliza a compra de vendings machines de cerveja para instalação em condomínios. Controlada via aplicativo, as geladeiras funcionam à base do autoatendimento, fazendo com que a empreendedora se preocupe apenas com o abastecimento. 

Agora, com cinco cervejeiras instaladas em complexos residenciais em Natal, no Rio Grande do Norte, Juliana avalia que o negócio contribui não só para a satisfação profissional, mas para a sua autonomia como mulher. “A flexibilidade do empreendedorismo alivia quem está sobrecarregado com os cuidados da casa e da família”, destaca. 

Karina trabalhou 11 anos no SAC antes de adquirir uma franquia de biju (Foto: Divulgação)

Essa também foi uma das vantagens sentidas por Karina Gonçalo Pereira, de 34 anos, quando abriu o seu negócio. Depois de trabalhar quase 11 anos como supervisora de SAC, a profissional se viu diante de uma escolha importante na carreira quando a editora onde ela atuava passou por mudanças na operação. “Sou de São Paulo e, na época, decidiram realocar o atendimento para a Paraíba. Então eu tinha a opção de ficar na empresa e me adaptar ou sair”, diz. 

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Casada e mãe de uma menina de dois anos, Karina decidiu, junto ao companheiro, que passaria um tempo em casa, dedicando-se aos serviços domésticos. “Era para ser um período sabático, mas logo veio a pandemia e eu fiquei parada durante 2020 inteiro. Mas quem está acostumado a trabalhar não consegue ficar assim muito tempo, então logo eu resolvi criar uma loja online de bijuteria, algo que eu amava”, conta. No início, a dinâmica era a mais simples possível: Karina comprava as peças na rua 25 de Março, tradicional comércio popular no centro de São Paulo, e vendia pelo Instagram. Ela mesma fazia as entregas. 

O negócio não ia mal, mas a empreendedora acabou sabendo pela cunhada que poderia se tornar uma franqueada da marca Le Briju. A vontade de ter algo só dela já existia, tanto que na época que iniciou a carreira na área de atendimento, Karina chegou a cursar faculdade de gestão comercial. Assim, aquela pareceu a oportunidade certa para investir em um novo empreendimento – apesar de confessar o receio de abrir um estabelecimento do zero durante a pandemia. “Existem mais desafios. É diferente de um emprego comum onde você sabe que seu salário vai cair todo mês”, pontua.  

Pandemia assustou, mas não o suficiente para elas desistirem

Carolina considera o empreendedorismo um caminho sem volta (Foto: Divulgação)

Além de Karina, outras empreendedoras foram surpreendidas pela crise sanitária logo nos primeiros meses de um novo negócio. Foi o caso de Carolina Amorim, 46 anos. Embora não fosse seu primeiro empreendimento, ela havia acabado de se mudar para Indaiatuba, no interior de São Paulo, quando a pandemia a fez fechar as portas – pelo menos para as vendas presenciais. 

Quando deixou de ser CLT após um desligamento, em 2013, a empreendedora resolveu abrir uma cafeteria na capital paulista, onde morava. Dois anos depois, seu marido, Carlos Alberto dos Santos, de 59 anos, também acabou sendo dispensado, o que fez o casal se dedicar exclusivamente ao negócio. “Em 2017 já tínhamos três unidades na cidade. Apesar disso, não estávamos muito satisfeitos. A rotina de atendimento era muito cansativa”, conta. Assim, o casal decidiu trocar o ramo e abrir uma loja de suplementos alimentares. 

Com o dia a dia mais flexível na Dr. Shape e uma rotina que permitia que os dois dessem a devida atenção à vida pessoal e profissional, eles então optaram por uma nova mudança – desta vez, geográfica. Convencida a trocar a agitação de São Paulo pela tranquilidade do interior, a família foi parar em Indaiatuba, onde reabriu o espaço que tinha na capital. “No começo foi muito difícil, não tinha ninguém na rua e os moradores não nos conheciam. Mas decidimos persistir, já que o sucesso do comércio depende muito de ir atrás dos clientes – e não esperar as coisas acontecerem”, diz. Para isso, Carolina conta que o casal apostou em treinamentos de venda e pesquisas sobre os produtos, oferecendo um atendimento mais personalizado do que a média. 

Apesar de toda a responsabilidade envolvida no processo, Carolina afirma com convicção que não trocaria o esforço de trabalhar aos finais de semana por uma vaga que a prendesse no escritório durante todo o dia. “Acho que é um caminho sem volta. Quem começa a empreender, dificilmente quer retornar ao mercado, mesmo que a ideia original não tenha dado certo”, pontua.

Para elas, empreender é ganhar liberdade

Depois da experiência de passar um ano em casa sem trabalho, Karina destaca que o empreendedorismo a deixou mais livre e independente em relação às finanças, dando autonomia para que ela estivesse no controle dos próprios ganhos. Além disso, permitiu que ela tomasse as rédeas da própria carreira. “Nunca tive problema nenhum em ser CLT, mas sempre achei que eu podia mais, sabe? Eu sempre soube que daria conta”, afirma. 

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Na visão de Marília, da IP School, essa liberdade vem atrelada a desafios. A empreendedora conta que, apesar de ser sócia de um homem, costuma ser a responsável pelas decisões do dia a dia da escola. No entanto, já vivenciou a diferença no tratamento exclusivamente por ser mulher. “Já aconteceu de uma pessoa só concordar em falar comigo na presença de um homem, por achar que eu não iria entender”, conta. 

Por isso, hoje ela encara o empreendedorismo como uma forma de empoderamento que vai além de não depender financeiramente de companheiros ou familiares. Pelas dificuldades impostas pelo machismo, destaca, tomar conta de um negócio acaba fazendo com que a mulher obrigue que a sociedade a respeite e aceite como alguém de credibilidade. “A estrada é longa para as mulheres, nossos desafios são sempre diários”, conclui. 

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