Como um TCC se transformou na Gestar, femtech que propõe atendimento humanizado para gestantes e tentantes

Liderada por Lettycia Vidal, plataforma conecta pacientes a profissionais da área de saúde e bem-estar
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Lettyicia Vidal, CEO da Gestar
“Falar de nascimento, de acolhimento a mães e mulheres, é falar de igualdade, responsabilidade, desenvolvimento e expansão” (Foto: Divulgação)

Filha da Fabiane, neta da Elenice e irmã do Pedro Lucas. É assim que Lettycia Vidal se apresenta. Aos 26 anos, ela é CEO da Gestar, uma femtech que conecta gestantes, mães e pais a profissionais da área de saúde e bem-estar. Com mais de 220 profissionais cadastrados de 20 diferentes especialidades, a startup integra o Black Founders Fund, iniciativa do Google for Startups que investe em negócios criados e liderados por pessoas negras no Brasil. 

Com a meta de transformar o cenário materno e infantil por meio da informação de qualidade, Lettycia começou a traçar os caminhos da Gestar quando ainda estava na faculdade de publicidade e propaganda. Foi do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que nasceu o empreendimento. 

Agora uma plataforma, a Gestar preza pelo parto humanizado, conectando gestantes e tentantes às profissionais que seguem condutas também humanizadas no trabalho. Com obstetras, ginecologistas, fisioterapeutas e pediatras, é a própria Gestar que faz a curadoria dos médicos. Além disso, ao mesmo tempo em que famílias podem, por meio da plataforma, agendar consultas gratuitas, a Gestar funciona como um portfólio para os profissionais, que ali incluem sua trajetória e até galerias de imagens.

“Quando escrevi meu projeto, sabia que teria que colocá-la de pé de alguma maneira. Foi naquele momento que entendi que precisaria me tornar uma empreendedora”, lembra.

O caminho até a Gestar

Lettycia não sabia que empreender era uma possibilidade até pensar em dar vida à Gestar. Nascida em uma família de profissionais CLT e funcionários públicos, o empreendedorismo nunca foi um assunto recorrente nos jantares em casa. Ainda assim, quando colocou o projeto no papel, soube que queria, de alguma maneira, que ele se tornasse real.

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“Comecei a me aproximar do mundo materno quando minha mãe ficou grávida e eu, finalmente, ganharia meu tão sonhado irmão”, conta a CEO. Ao acompanhar dona Fabiane nas consultas e ultrassonografias, Lettycia começou a entender o universo da maternidade. Mas foi no parto do irmão, ocasião em que a mãe sofreu violência obstétrica, que ela de fato se agarrou a uma causa. 

“Desde então, comecei a ficar mais atenta às histórias de mulheres próximas a mim e passei a perceber que a maioria tinha algo negativo para comentar sobre as experiências no pré-natal, acompanhamento, parto e pós-parto. Segui a vida captando essas histórias, até que, quando eu tinha 18 anos, ouvi um relato positivo e, então, um mundo se abriu e entendi que existiam outros caminhos possíveis”, conta.

Nessa época, Lettycia já estava na universidade. Mas foi no último ano que a Gestar começou a ganhar forma. A jovem foi, então, estudar inovação empresarial no México durante um semestre. Por lá, conheceu outro cenário de assistência e foi assim que ela entendeu que, no Brasil, havia uma normalização de diversas situações no período da assistência gestacional e materna. 

Ao voltar ao país natal, Lettycia se formou como doula e educadora perinatal, “Passei a ouvir o lado das profissionais da área para saber quais eram suas dores e resolvi que a Gestar seria o meu TCC.”

Surge uma femtech

“Meu primeiro desafio foi entender que empreender era uma profissão. Em seguida, parti para entender como eu poderia me especializar naquilo”, relembra. Para alguém que havia tido pouco contato com o empreendedorismo, Lettycia achava que, para tirar a Gestar do papel, bastava criar um aplicativo. “Foi no primeiro programa de aceleração que entendi que precisaria aprender muitos conceitos e técnicas para realmente dar vida à empresa.”

Na sequência, Lettycia ainda enfrentou o desafio de encontrar um lugar onde se sentisse representada e onde pudesse estar mais próxima do público, validando os problemas que a Gestar se propõe a solucionar. “Mas meu último desafio – relacionado ao início do empreendimento – foi fazer as pessoas entenderem que eu era capaz de conseguir levar algo da teoria à prática, mesmo sendo uma jovem mulher preta.”

Foi atravessando tudo isso que surgiu uma das, ainda poucas, femtechs brasileiras. Em números, o Brasil contava com apenas 23 delas até o fim de 2021, segundo o “Inside Healthtech Report”, da Distrito. Além disso, startups fundadas exclusivamente por mulheres somam apenas 4,7% no total de empresas do tipo que existem atualmente no país. 

Mesmo com números não muito animadores, a empreendedora diz que estamos no caminho certo. “O que ainda falta é concedermos, cada vez mais, oportunidades para que mais mulheres se sintam capazes e saibam que esse espaço é para ser ocupado também por elas.” 

Foi com esse objetivo, de reunir mulheres que querem estar à frente de femtechs e potencializar essa transformação, que a Gestar, em parceria com outras quatro startups do segmento, lançou o Movimento Femtechs Brasil, coletivo formado por mulheres empreendedoras do setor da saúde e bem-estar feminino.

“Somos a primeira geração de mulheres que estão criando soluções para outras mulheres. Ser uma representante dela, sabendo que faço parte da abertura de caminhos para as próximas mulheres que vierem, me traz um sentimento de honra e potência”, relata Lettycia, que almeja um espaço de referência. “Queremos que toda família tentante, gestante e com filhos, pense na Gestar como seu braço direito e esquerdo de apoio.” 

Agora, a femtech está com sua primeira rodada de captação aberta em modelo de crowdfunding. “Estamos buscando mulheres que queiram embarcar nessa causa com a gente.”

Lettycia considera que não trabalha apenas com maternidade, mas sim com vida, com a renovação da sociedade e o futuro de toda uma população. “Falar de nascimento, de acolhimento a mães e mulheres, é falar de igualdade, responsabilidade, desenvolvimento e expansão. As mulheres são metade da população mundial e a outra metade são os filhos delas, então a maternidade é muito mais do que só falar de gestação. É falar de futuro.”

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