Autoestima e empoderamento: tatuadora conta os desafios no empreendedorismo e a relação da tatuagem com o universo feminino

Após nódulo na mama, empresária Aline Monteiro decidiu mudar de carreira e agora é especialista em pele negra e traços finos
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“Quando frequentava os eventos, vi que eram os homens que tinham o conhecimento e precisava procurá-los para isso. Eu sentia um certo desdém da parte deles” (Foto: Reprodução/Instagram)

Apesar do acúmulo de saldos negativos em diversos setores durante a pandemia de covid-19, os empreendimentos em tatuagem andaram na direção contrária. No Brasil, país que ocupa a nona posição entre os países mais tatuados do mundo, o ramo teve crescimento de 50% em 2020, segundo dados da Associação Nacional dos Tatuadores.

Hoje (20), o país comemora o Dia Nacional do Tatuador. Junto disso, os estúdios de tatuagem também parecem se atualizar às demandas sociais: dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que nos estúdios do país, 45% dos profissionais são mulheres. 

Aline Monteiro começou a tatuar em 2013. Sempre muito ligada à arte, ao grafitti e aos trabalhos sociais, começou sua carreira profissional na área administrativa de forma voluntária. Formada em administração, Aline foi incentivada a se aventurar na tatuagem através de um amigo. Foi enquanto dividia o hobby de tatuar com o trabalho que ela viveu uma reviravolta. “Eu descobri um nódulo na mama e fui demitida na semana da minha cirugia”, relembra a empreendedora. 

Apesar de estar em um momento conturbado, foi então que Aline decidiu abrir o próprio estúdio de tatuagem, no Tatuapé, e fazer disso seu ganha pão. “Eu já estava a um tempo querendo mudar de profissão, mas não tinha coragem. Depois dessa situação, que me deixou muito chateada, decidi que iria fazer o que realmente gosto”, conta.

OLHA SÓ

A experiência e a formação em administração de empresas auxiliaram Aline – tanto em questões burocráticas como sanitárias -, mas, ainda assim, entrar de fato nesse ramo não foi fácil. Isso porque o setor, ao menos lá em meados dos anos 2000, ainda não era tão favorável ao público feminino. 

“Quando frequentava os eventos, vi que eram os homens que tinham o conhecimento e precisava procurá-los para isso. Eu sentia um certo desdém da parte deles”, conta Aline. Para ela, na época em que começou no setor, o estigma ainda era grande com mulheres tatuadoras.

Não à toa, tatuagens delicadas ainda não eram tão abordadas em eventos. Aline se encontrou nesse tipo de desenho, e fez da tatuagem fineline a sua especialidade. Ainda assim, a tatuadora não parou por aí e também se especializou em pele negra. “Ouvi por muito tempo que nossa pele não é boa de tatuar. Muitas mulheres, inclusive, diziam isso para mim”. Desde então, Aline luta para mudar esse cenário.

A relação das mulheres com a tatuagem

“A tatuagem vem muito do ambiente masculino e também atrelada a uma visão de marginalização. Então, minha maior dificuldade em empreender foi pelo fato de ser mulher”, aponta Aline. “Nas convenções e eventos que eu frequentava, até para fazer networking, eram pouquíssimas as mulheres presentes”.

Esse cenário vem mudando ao longo do tempo. Com o crescimento do setor, cresceu também o número de mulheres tatuando e tatuadas. Uma pesquisa do o Instituto QualiBest apontou que 34% das mulheres entrevistadas afirmaram ter alguma tatuagem, contra apenas 19% dos homens. “Não apenas as mulheres se tatuam mais que os homens, mas elas preferem, geralmente, tatuadoras mulheres também”, aponta Aline.

Ainda mais, a tatuadora enxerga um movimento feminino no setor impulsionado pela micropigmentação de sobrancelhas. “Tem muita mulher que entra nesse ramo e acaba querendo tatuar, porque, apesar de não ser a mesma técnica de aplicação, nós usamos os mesmos tipos de tinta e temos os mesmos cuidados sanitários”.

Mas para além disso, Aline entende que a relação das mulheres com a tatuagem é muito mais profunda, uma vez que está ligada a autoestima e empoderamento feminino. “Quando tatuamos, estamos lidando com a saúde. Não é apenas desenhar algo na pele. Eu trabalho com tatuagens que têm sentimento, cada uma possui sua história. Isso faz toda a diferença”, conclui.

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