O que é a taxa Selic e como ela influencia na sua vida financeira

Ela está mais do que presente no nosso cotidiano e pode afetar desde o nosso poder de compra, até empréstimos pessoais e aplicações
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Twenty20photos/Envato Elements
A Selic serve de parâmetro para definir juros de empréstimos, rendimentos de aplicação e até o nosso poder de compra

Você está toda animada para entender sobre finanças e, quando menos espera, se depara com termos como taxa Selic. Num piscar de olhos, toda sua confiança vai por água abaixo. É aquela piscadela que você dá quando está vigiando o leite ferver e, numa fração de segundos de distração, ele derrama.

Assim como quando acontece esse pequeno incidente doméstico, a reação pode ser desde deixar pra lá e seguir a vida como se nada tivesse acontecido, até limpar a bagunça e começar tudo de novo.

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Se você está aqui é porque resolveu limpar a bagunça. Melhor: organizar as ideias e entender com calma e aos poucos o que essa taxa que tanto ouvimos falar sobre significa e o porquê dela ser tão importante para a nossa vida e os nossos investimentos.

Neste artigo você vai compreender de forma simplificada:

  • O que é a taxa Selic
  • Como ela é definida e executada
  • A importância da Selic
  • Como a taxa Selic influencia nos investimentos
  • Taxa Selic e inflação nos investimentos
Entenda a taxa Selic

O que é a taxa Selic

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Logo, se ela é básica, já temos a primeira informação de que ela serve de base, é essencial para o funcionamento da estrutura econômica brasileira em todos os níveis. Sim, em todos os níveis e você está inclusa nisso também!

Ela serve como parâmetro para definir os demais juros praticados nos empréstimos, os rendimentos de uma aplicação e até o poder de compra do nosso dinheiro. A partir dela, as outras taxas de juros são definidas.

Só para se ter uma ideia, a taxa do rotativo do cartão de crédito, por exemplo, é a taxa Selic mais um monte de outros itens que as instituições financeiras acrescentam, como impostos, lucros dos bancos, inadimplência, só para citar alguns.

Como ela é definida e executada

A taxa Selic é estipulada a cada 45 dias por meio de uma reunião do comitê de política monetária do Banco Central, o Copom. Neste encontro, em específico, é definida uma meta da taxa Selic, o que chamamos de Selic Meta.

Sim, ela é uma meta e, agora, você vai descobrir como ela é aplicada na prática.

Na prática, a taxa é aplicada por meio do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, cujo nome dá origem à taxa que estamos conhecendo, a Selic.

O Sistema Especial de Liquidação e Custódia é um programa virtual do Banco Central onde acontecem as negociações entre as instituições financeiras, utilizando os títulos públicos como garantia. Por conta do enorme volume de transações que são feitas nesta plataforma, o Banco Central consegue colocar e tirar o dinheiro de circulação. Esta prática reflete diretamente na inflação e nas demais operações realizadas pelas instituições.

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Ainda a partir dessas transações diárias feitas no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, é calculada uma média ponderada dos empréstimos feitos entre os bancos com o uso dos títulos públicos. Essa conta nos dá o que é chamado de Selic efetiva, que são os juros aplicados na prática, muito próximo à Selic meta estipulada pelo Copom.

Apenas um lembrete: quando ouvimos os noticiários falarem sobre a Selic, eles estão se referindo à Selic meta.

A importância da Selic

A taxa Selic, como já vimos, é importante porque ela é base para o cálculo dos demais juros que são praticados nas operações do dia a dia.

No mais, ela também é responsável por regular a inflação e o estímulo ao consumo.

Aqui a gente pode pensar da seguinte forma: se ela é a base para os demais juros calculados nas negociações, quando ela está em baixa, o acesso ao crédito é facilitado porque os juros também ficam mais baixos. Com os juros mais baixos, as pessoas tomam mais empréstimos e mais dinheiro entra em circulação. Com mais dinheiro nas mãos, as pessoas consomem mais e, se as pessoas consomem mais, existe uma demanda maior, o que encarece os produtos e influencia no aumento da inflação.

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O inverso acontecendo, com a taxa Selic subindo, fica mais caro pegar empréstimo. O dinheiro fica mais caro. Com isso, as pessoas e empresas têm menos recursos para gastar e resulta em redução no consumo. Isso alivia a pressão nos preços, reduzindo os índices que medem a inflação.

A taxa Selic também é de extrema importância para os investimentos porque ela é usada como base para a remuneração das aplicações, para os rendimentos.

Como a taxa Selic influencia nos investimentos

A taxa Selic influencia diretamente os investimentos de renda fixa que a usam como referência para remunerar os investidores que realizam aplicações em produtos desta categoria.

Veja alguns exemplos a seguir:

Poupança – você já deve ter ouvido falar que a poupança é uma aplicação ruim para quem quer ver o dinheiro render. Isso acontece porque ela usa como base a taxa Selic para calcular qual será o rendimento anual de uma aplicação.

A caderneta, especificamente, propõe remunerar quem aplica nela com 70% da taxa Selic ao ano. Como a nossa taxa Selic está em 2%, isso significa que a poupança vai render apenas 1,4% ao sobre o dinheiro que ficará lá. Mau negócio, não é?

Renda fixa – os produtos de renda fixa são diretamente influenciados pela Selic, isso porque são usados como base para o cálculo dos rendimentos ou o índice utilizado sofre interferência da Selic.

Alguns papéis, como o Tesouro Selic, que é um título público, se propõe a remunerar o investidor de acordo com a variação da Selic durante o período da aplicação.

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Quando entramos na esfera privada da renda fixa, quando os títulos são emitidos por bancos, esbarramos em alguns produtos de renda fixa como os CDBs e LCIs, que utilizam como base de remuneração a taxa Selic over, aquela que é bem próxima à Selic meta.

Desta forma, quanto maior for a taxa Selic, maiores serão seus rendimentos em renda fixa, mas isso não é tudo. É preciso estar muito atenta à inflação.

Taxa Selic e inflação nos investimentos

Aqui mora nosso ponto de atenção.

Aqui neste mesmo artigo, comentamos que cortes na taxa básica de juros podem refletir no aumento da inflação, que reflete diretamente no nosso poder aquisitivo, no valor real do nosso dinheiro.

Vamos a um exemplo: se você possui uma aplicação, cujos rendimentos estão atrelados à Selic e ela está em 10%, mas a inflação está em 7%, seu rendimento real será de 3% aproximadamente. É uma conta simples: abatemos a inflação do seus rendimentos, já que a inflação desvaloriza seu dinheiro. Na prática, quando se faz essa conta, mostra seu ganho real. Em outro cenário, vamos supor que a Selic está em 5%, mas a inflação está em 1%, neste caso seu ganho real será de aproximadamente 4%. Por isso, é importante sempre estar atenta à relação entre esses dois indicativos, mais dinheiro nem sempre representa maior poder de compra.

Desta forma, em momentos em que a taxa Selic está em baixa e a inflação ligeiramente em alta, o ideal é optar por produtos que remuneram o investidor com um juro fixo mais a inflação do período (IPCA, o índice de inflação oficial do governo) para que seus rendimentos reais sejam mais atrativos.

Outra alternativa é optar por produtos de renda variável, que apresentam rendimentos mais altos, mas também risco proporcionalmente elevados. Mas isso é assunto para outra conversa.

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