Como a inteligência emocional e financeira podem ajudar no combate à violência doméstica

Segundo especialistas, é necessário reconhecer os tipos de agressões vividas e buscar apoio
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A advogada especializada em pesquisa de gênero Juliana Bertholdi afirma a importância da Lei Maria da Penha no combate à violência doméstica

Ao contrário do que muitas mulheres pensam, sinais de violência doméstica não se mostram apenas por meio de hematomas e cortes. Há formas de violência doméstica nas quais o agressor sequer encosta na mulher.

Na Lei Maria da Penha (Capítulo II, art. 7º, incisos I, II, III, IV e V) estão previstos cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher: psicológica, moral, sexual, patrimonial e física.

Mas o que caracteriza cada tipo de violência e como é possível identificá-las?

1. Psicológica

Qualquer atitude que cause danos emocionais à mulher, alteração da autoestima, degradação, além de controle das atitudes e pensamentos da mulher, como uso de roupas, maquiagem, crenças e religião, política ou qualquer tipo de decisão.

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A violência psicológica tem como principais características a humilhação (particular ou em público), ameaças, constrangimento, chantagem, exploração, controle da liberdade garantida por lei de ir e vir, além da liberdade de crença e até mesmo a manipulação de fatos para colocar a sanidade da mulher “em xeque”, entre outras.

2. Moral

Ações que caracterizem calúnia (atribuição falsa de um ato criminoso), difamação (atribuição de uma atitude ofensiva à reputação) ou injúria (ofensas à dignidade) à mulher.

Dentro da violência moral se encaixam a falsa acusação de traição, exposição da vida pessoal da vítima, rebaixamento da mulher e críticas mentirosas, entre outras.

3. Sexual

É caracterizado como violência sexual qualquer comportamento que cause constrangimento ou incômodo ao presenciar ou participar de relações sexuais não desejadas por meio de intimidação ou ameaças.

São consideradas formas de violência sexual o estupro, impedir a mulher de fazer uso de métodos contraceptivos ou abortar, manipular, chantagear ou subornar a mulher para que ela se case, engravide etc.

4. Patrimonial

Qualquer atitude que retenha ou destrua qualquer bem ou patrimônio da mulher, seja um objeto, instrumento de trabalho, documentos etc. Não há diferença entre a destruição de um bem em partes ou inteiramente.

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Controlar o dinheiro e finanças da mulher sem autorização dela, privar de bens ou recursos econômicos, causar danos a objetos da mulher, estelionato e furto são alguns dos exemplos de violência patrimonial.

5. Física

Há ainda o tipo de violência mais visível, que se caracteriza por qualquer atitude tomada contra a integridade e saúde física da mulher. Entre os tipos de violência física estão o espancamento, tortura, lesão com objetos cortantes, sufocamento, atirar objetos, causar queimaduras e até apertar os braços ou sacudir a mulher.

Saber lidar com a violência não é fácil, tanto para quem vê de fora como, principalmente, para quem sofre com ela. Sair de uma situação de violência doméstica se torna um processo ainda mais longo quando a mulher nem sabe que vive nesta condição.

Inteligência emocional e financeira

Neste ponto, duas expressões extremamente importantes podem ser uma base para ajudar as mulheres: inteligência emocional e inteligência financeira. No entanto, se não passarem de expressões a atitudes, não servirão aos seus papéis.

Antes de explicar o porquê de esses termos serem grandes auxiliadores, é preciso entender o que eles significam.

A inteligência financeira é quando uma mulher não só sabe, mas consegue dominar seu dinheiro, sabe controlar ganhos, gastos necessários e extras, ou seja, exerce poder sobre as próprias finanças.

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Já a inteligência emocional, assim como as finanças, caracteriza-se pelo controle das emoções. Ela é definida a partir de como e quanto se percebe as próprias emoções, de que maneira se processa cada uma delas e se a mulher possui a capacidade de gerenciar e agir baseada nos sentimentos e emoções.

Ajuda no combate à violência doméstica

Há mulheres que possuem inteligência financeira, mas sofrem de violência patrimonial. Nestes casos, a Lei Maria da Penha pode auxiliar “atuando judicialmente para garantir a liberdade feminina”, segundo Juliana Bertholdi, advogada especializada em pesquisa de gênero.

Além disso, existem grupos de apoio no Brasil que oferecem oportunidades de profissionalização e apoio para as mulheres que buscam quebrar o ciclo de violência.

Juliana diz ainda que a forma mais acertada de quebrar ciclos de violência é o reconhecimento de que a mulher está vivendo agressões e, a partir disso, buscar apoio psicológico, visto que muitas mulheres, ao entrarem em situações de vulnerabilidade e violência, perdem a autoestima e qualquer inteligência emocional que possam ter desenvolvido. O apoio psicológico ajuda a resgatar a coragem necessária para sair de um relacionamento abusivo.

A advogada reforça também a importância da Lei Maria da Penha. “A legislação prevê, inclusive, a possibilidade de atendimento psicológico e terapêutico para estas mulheres, a solução mais indicada para quem precisa se desenvolver emocionalmente.”

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Juliana diz que, por meio do Disque 180, a Central de Atendimento às Mulheres pode fornecer “escuta e acolhida qualificada a estas mulheres em situação de violência, registrando e encaminhando as denúncias”.

A especialista também relata que quase metade dos lares brasileiros são majoritariamente sustentados por mulheres, mas que a independência realmente só é possível após a mulher desenvolver a inteligência emocional.

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