Dólar fecha em leve queda ao fim de sessão de intenso vaivém

No fim da manhã, as vendas apareceram com força e derrubaram o dólar à mínima intradiária de R$ 5,203
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O dólar fechou em baixa hoje (20), numa sessão de bastante volatilidade ao fim da qual a moeda acabou devolvendo apenas uma fração da expressiva alta da véspera, quando os mercados globais foram nocauteados por renovados temores sobre a pandemia.

O dólar à vista caiu 0,35%, a R$ 5,2308 na venda.

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A cotação iniciou o dia em queda, passou a subir ainda na primeira hora de negócios e bateu um pico de R$ 5,2953 (+0,87%) logo depois das 10h30. Posteriormente, começou a perder força, chegou a cair por volta de 11h15 antes de voltar a ganhar terreno.

No fim da manhã, porém, as vendas apareceram com força e derrubaram o dólar à mínima intradiária de R$ 5,203 (-0,88%). Ao longo da tarde, a moeda manteve-se em baixa, mas ganhou um pouco de fôlego já perto do fim da sessão e, assim, acabou fechando distante das mínimas do dia.

Segundo Lucas Schroeder, diretor de operações da Câmbio Curitiba, a descompressão no câmbio refletiu tanto alguma melhora de clima no exterior quanto a percepção de que eventual aumento de impostos implícito na polêmica fase da reforma tributária recentemente enviada pelo governo ao Congresso não passará.

“Bolsonaro tem criticado o aumento de carga tributária na reforma, e isso acaba trazendo algum otimismo”, disse.

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, em entrevista a uma rádio, que pode vetar o projeto de reforma se houver aumento da carga tributária. O texto da segunda fase da reforma, entregue ao Congresso há quase um mês, causou muito ruído no mercado e ditou forte alta do dólar e queda do Ibovespa nos dias seguintes à sua apresentação.

Por outro lado, Schroeder citou que o impasse político em torno do novo fundo partidário de R$ 5,7 bilhões pode manter o dólar valorizado. O presidente disse que deve vetar o fundo, porém lembrou que o Congresso pode derrubar o veto, movimentos que gerariam aumento de sensibilidade nas relações do governo com o centrão, sua base de apoio para reformas no Legislativo.

“Até o fim do ano, no melhor dos cenários o dólar poderia ir a R$ 5, R$ 4,90. Neste momento, a instabilidade deve persistir”, disse Schroeder.

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De toda forma, o real teve um dos melhores desempenhos globais nesta sessão, depois de na véspera ocupar a lanterna entre as principais divisas.

Na segunda-feira, o dólar saltou 2,59%, a R$ 5,2494 na venda, maior patamar desde 8 de julho deste ano e maior valorização percentual desde 18 de setembro de 2020.

No exterior, o dólar operava nas máximas em três meses e meio. A moeda voltou a ganhar terreno no mundo desde junho, com investidores colocando nos preços aperto da política monetária nos Estados Unidos. No Brasil, o dólar sobe 6,6% desde que tocou uma mínima de cerca de R$ 4,89 em 25 de junho.

Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos, diz por ora não ter visão direcional para a moeda no Brasil.

“Ainda acredito que o cenário-base seja de muita volatilidade e pouca tendência”, afirmou, acrescentando que em momentos de maior otimismo prefere adicionar posições pró-dólar, como o fez no fim do mês passado.

(com Reuters)

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