Especial A Queda da Bolsa: entenda por que não há motivo para pânico

O primeiro passo para diminuir a ansiedade é entender que a volatilidade pode ser causada por vários motivos
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Desde julho, a bolsa de valores brasileira vem apresentando um desempenho bem abaixo da média, com alta volatilidade. Até o momento, o Ibovespa, principal índice da B3, acumula queda de 14%.

A situação não é confortável, mas também não é motivo para desespero. Conjunturas como essa já fizeram parte da história do Brasil e de vários outros países. Para Marcela Rocha, economista da Claritas Investimentos, diversificar os investimentos é uma maneira de se proteger dessas quedas bruscas e aproveitar as oportunidades que surgem sem grandes sustos. 

Vale lembrar que são várias as razões – nacionais e internacionais – que interferem na performance dos papéis listados em bolsa, e uma boa maneira de baixar a ansiedade causada por essa instabilidade é entender que o mercado de ações funciona com base em expectativas. Ou seja: se os investidores estiverem pessimistas com algum acontecimento local ou mundial, a tendência é de queda. O movimento contrário também é verdadeiro.

OLHA SÓ: Pergunte à especialista: como começar a investir

Marcela lembra, ainda, que qualquer fator que afete o lucro das companhias de capital aberto pode interferir no desempenho da bolsa. “Pode ser uma crise financeira, uma pandemia inesperada ou um conflito geopolítico”, diz.

A soma dos fatores

As crises surgem por diversos motivos e dificilmente é possível prever quando a próxima irá acontecer. Em 2008, por exemplo, houve o colapso financeiro nos Estados Unidos – considerado por muitos especialistas como o pior desde a Grande Depressão, em 1929 – ocasionado por uma bolha imobiliária. Em 2020, foi uma crise sanitária de proporções mundiais que abalou o mercado financeiro. 

Independentemente de como começam, esses momentos de instabilidade nunca possuem uma só razão. A crise atual na bolsa brasileira, por exemplo, é uma mistura que inclui o preço das commodities, a política e a economia nacionais, o cenário norte-americano e a situação na China. Com tanta instabilidade, é natural que os investidores se sintam mais seguros com investimentos menos arriscados, como a renda fixa, em detrimento das ações. 

Commodities 

As commodities são produtos feitos em larga escala e que servem como matéria-prima – petróleo, minério de ferro, soja, cana de açúcar, café, ouro etc -, cujos preços são regulados pelas leis da oferta e da demanda no mercado internacional. Historicamente, o Brasil é um dos maiores exportadores de commodities do mundo, principalmente petróleo e minério de ferro, cujas empresas produtoras – Petrobras e Vale – têm seus papéis comercializados em bolsa. 

Quando o preço desses itens cai, há um impacto no resultado das companhias e, consequentemente, no desempenho da bolsa. Mas, mais uma vez, é preciso levar em conta as expectativas, diz Marcela. “As valorizações ou desvalorizações dependem delas. Mas é preciso analisar também, com calma, o histórico de longo prazo. As empresas têm outras características que vão além das commodities, como governança, gestão e fundamentos”, diz a especialista.

Política

Política sempre foi um assunto delicado no Brasil, país que vivenciou uma ditadura ao longo de duas décadas, impeachments, conflitos entre os poderes, manifestações populares e casos recorrentes de corrupção. Tudo isso pode impactar diretamente a economia e a nossa imagem no exterior, afastando investidores, principalmente os estrangeiros. 

Mais uma vez, Marcela diz que, apesar da possibilidade de impacto negativo no mercado financeiro, uma quebradeira generalizada é algo muito remoto. “O Brasil não é um país politicamente arriscado, pois possui uma democracia sólida e instituições respeitadas. O processo político é transparente e as eleições seguem regras claras. No entanto, é um país incerto, já que tem muito a evoluir. Por isso, alguns podem ficar mais cautelosos.”

Economia

A economia é o pilar básico para o desenvolvimento do país e a melhoria da qualidade de vida da população, e está diretamente ligada ao desempenho do mercado financeiro. Quando uma coisa não vai bem, a outra tende a ser impactada negativamente.

Marcela diz que alguns fatores devem ser acompanhados de perto, principalmente a inflação, a taxa de câmbio e a taxa de juros. “Quando o aumento dos preços é muito alto, sinaliza que algo não vai bem na economia. Para conter a inflação, o governo normalmente aumenta a taxa de juros”, explica. Isso significa que, com a taxa de juros alta, a diferença entre investimentos de renda fixa e variável pode ser bem pequena, fazendo com que os investidores optem pelo menor risco.

Já no que diz respeito à taxa de câmbio, ela funciona como uma espécie de termômetro do que o restante do mundo pensa sobre o Brasil. “Quanto mais alta, menos confiança no país.”

Estados Unidos

Os Estados Unidos representam a maior economia do mundo, por isso, tudo que acontece por lá tem reflexos nas demais bolsas de valores, principalmente nos países emergentes – caso do Brasil.

“O país é muito relevante e influencia os demais quando o assunto é investimentos. Saber tudo sobre o mercado norte-americano, no entanto, não vai ajudar diretamente a investidora iniciante, já que a maioria dos investimentos são feitos no Brasil. Quem investe lá normalmente já conta com uma gestão mais profissional, encarregada de fazer todas as análises.”

China

A China é o maior importador do mundo e principal parceiro comercial do Brasil. Assim, tudo que acontece por lá tem consequências diretas aqui. “A China é tão importante quanto os Estados Unidos, já que é a segunda maior economia do mundo”, diz Marcela.

A simples decisão de parar de comprar um produto brasileiro, por exemplo, pode afetar muito o desempenho da companhia fornecedora, como aconteceu em meados de 2021 com o minério de ferro produzido e exportado pela Vale. 

Além disso, a especialista alerta que, por causa do sistema de governo chinês – e da consequente falta de transparência nas informações -, não é tão fácil acompanhar o sistema financeiro do país. Em paralelo, a prioridade atual dos governantes está na população – e não nas empresas – o que torna o “salvamento” de companhias em apuros algo menos comum do que no resto do mundo. “Durante anos, a China cresceu muito, mas com grande desigualdade social. Agora, com o crescimento menor, o governo está tentando diminuir essa diferença”, explica Marcela. 

Carol Proença é estudante de economia e especialista de investimentos certificada

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