Saiba por que muitos dos nossos gastos podem estar ligados às emoções

Para especialistas, descontrole financeiro pode vir de traumas, excesso de autoconfiança e otimismo exacerbado
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Segundo a doutora em psicologia clínica Andreza Manfredini, o descontrole emocional gera o descontrole financeiro.

A importância da educação financeira para alcançar uma relação próspera com o dinheiro já é amplamente difundida. Mas saber investir e organizar as despesas nem sempre é suficiente para evitar problemas financeiros. Para Luara Fernandes, psicóloga do dinheiro e criadora da conta @psicofinancas, ao fazer escolhas relacionadas à renda, as pessoas não são totalmente racionais e sofrem com a influência de pensamentos e sentimentos. 

Por isso, se você tem gastado mais do que deve e se colocado numa situação de endividamento, provavelmente tem usado demais o Sistema 1 para tomar decisões. Segundo Daniel Kahneman, psicólogo que ganhou o Nobel da Economia em 2002, o cérebro age por meio de dois modelos, o Sistema 1 e o Sistema 2, que atuam de modos diferentes no momento em que se é necessário fazer escolhas, como decidir o que comer ou como gastar. 

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Kahneman, que é também um dos fundadores da economia comportamental, relaciona os aspectos psicológicos à maneira como as pessoas gastam, e explica o funcionamento do caminho da tomada de decisão com base nas duas categorias apresentadas por ele no livro “Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar”, de 2011. Nele, o Sistema 1 é classificado como automático, rápido, guiado pelo instinto e, muitas vezes, pelo inconsciente. Já o Sistema 2 é entendido como racional, analítico e sistemático. 

O problema de agir pelo Sistema 1 ao lidar com o dinheiro está não somente nas dívidas advindas do descontrole financeiro, mas também nos problemas emocionais e nos desdobramentos deles. Jéssica Schimitt, especialista em finanças comportamentais, ressalta que ter uma relação conturbada com o dinheiro pode trazer ansiedade, sintomas de depressão, afetar a qualidade do sono, prejudicar relacionamentos e ainda impossibilitar a criação de metas, o que gera ainda mais infelicidade. 

“Trabalhar apenas para pagar boletos, dívidas e contas deixa as pessoas deprimidas”, destaca. Além disso, outros aspectos da vida pessoal são impactados. A dificuldade de socialização devido à falta de dinheiro e a diminuição da produtividade no trabalho são apenas dois exemplos. 

Como fortalecer o emocional e ter uma vida financeira equilibrada?

Para alcançar o tão desejado equilíbrio financeiro, é necessário, em primeiro lugar, investigar quais os motivos da relação conturbada com as finanças. Jéssica diz que, muitas vezes, esses problemas vêm de traumas sofridos durante o desenvolvimento de uma pessoa até a vida adulta, como a escassez de alimentos e bens na infância, mudanças de renda grandes e repentinas e a falta de organização financeira familiar, por exemplo. 

As dores e lacunas emocionais, assim como os sabotadores financeiros, também podem ser as razões que impedem a organização financeira. Andreza Manfredini, doutora em psicologia clínica e coautora do livro “As Relações com o Dinheiro na Família”, explica que uma das maiores armadilhas psicológicas é o imediatismo, já que ele é um impulso para realizar os desejos o mais rápido possível e isso contribui para o endividamento. 

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Andreza também aponta a autoconfiança e o otimismo exacerbados como obstáculos na busca pelo equilíbrio financeiro, já que, em sua visão, pessoas que acreditam muito em si mesmas e confiam que sempre vão conseguir escapar de situações complexas, como a falta de dinheiro para pagar as dívidas, podem se arriscar demais e acabar tendo que enfrentar adversidades. 

A investigação das causas que levam ao descontrole nas finanças encontra nos profissionais de saúde mental grandes aliados. A psicóloga Luara Fernandes destaca que a terapia, em muitos casos, é fundamental no desenvolvimento de uma vida financeira estável. “Fazer acompanhamento psicológico ajuda a ter mais consciência da sua relação com o dinheiro e da sua história com ele, promovendo, assim, escolhas financeiras mais assertivas e saudáveis.”

Já na visão de Andreza Manfredini, além do auxílio profissional para a compreensão das crenças e expectativas pessoais quanto às finanças, também é essencial estabelecer uma relação mais aberta com familiares e parceiros sobre as questões financeiras. “Um passo muito importante é quebrar tabus e paradigmas, prestar atenção nos hábitos que a gente tem com relação ao uso do dinheiro e poder conversar sobre isso.”

Segundo as especialistas, a trajetória rumo ao equilíbrio financeiro ainda depende do aperfeiçoamento de habilidades emocionais como o autocontrole, para evitar as decisões por impulso; a organização e o planejamento, para que haja a gestão correta da renda; e a autoconfiança, a comunicação e a autoanálise, para que os gastos sejam escolhidos com racionalidade e não por consequência das emoções momentâneas. 

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