5 lições de economia que podem ser aprendidas no documentário “Confisco”

Disponível no HBO Max, obra relembra o Plano Collor, que reteve o dinheiro da caderneta de poupança dos brasileiros
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Ex-ministra da economia, Zélia Cardoso de Mello, anunciando o Plano Collor em 1990 (Foto: Reprodução)

No início de novembro, a plataforma de streaming HBO lançou “Confisco”, documentário que revela os bastidores do Plano Collor. Entre outras medidas, o conjunto de reformas econômicas desenhado pela então ministra Zélia Cardoso de Mello e sua equipe divulgado em 16 de março de 1990 determinava a apreensão do dinheiro da população brasileira guardado na caderneta de poupança por 18 meses. Pelas novas regras, as pessoas podiam retirar, no máximo, 50.000 cruzados novos – a moeda da época. Todo o restante acima desse valor ficava retido. O plano, uma tentativa de controlar a hiperinflação, é lembrado até hoje por qualquer brasileiro que o tenha vivenciado, tamanho o trauma causado na população.

O documentário traz depoimentos da própria Zélia, do presidente do Banco Central na época, Gustavo Loyola; da jornalista Lilian Witte Fibe, especializada em economia que atuou ativamente na cobertura do tema; e de economistas e cidadãos que foram diretamente impactados pelo confisco.

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Após assistir a obra, o Elas Que Lucrem extraiu 5 lições sobre economia possíveis de aprender com o documentário. Veja, a seguir, quais são elas:

A inflação pode acabar com uma economia

Os anos que antecederam o Plano Collor foram de hiperinflação, cenário que começou a se estabelecer em 1973, com a crise internacional do petróleo e o agravamento gradual da situação econômica. No final da década de 1980, o aumento dos preços chegava a 2.000% ao ano. “Naquela época, era impossível acompanhar a alta dos preços. Era uma fenômeno perturbador, que gerava uma enorme insegurança na população”, comenta ao longo da obra o economista Luiz Gonzaga Belluzzo.

Nem congelamento, nem confisco contribuem para a queda da inflação

O governo de José Sarney, que antecedeu Fernando Collor de Mello, já enfrentava uma situação difícil de aumento de preços. Os dois planos econômicos colocados em prática durante o período – Plano Bresser, em 15 de junho de 1987, e Plano Verão, em 15 de janeiro de 1989 – incluíam o congelamento de preços e salários. No entanto, a medida não só gerava um desabastecimento de produtos, como a inflação voltava assim que o congelamento era suspenso.

Já no caso do Plano Collor, a opção foi pelo confisco das aplicações na poupança. Segundo Gustavo Loyola, “a inflação era provocada pelo excesso de dinheiro em circulação”. Portanto, a restrição desse capital deveria ser capaz de controlar o aumento de preços. Não funcionou. A inflação permaneceu em alta e gerou outros problemas em cascata, como a perda de renda da população e o desemprego.

Interferir na forma como os cidadãos gastam o seu dinheiro não resolve 

Além de gerar revolta na população – que viu seus planos da troca de carro, compra da casa própria ou qualquer outro que demandasse mais do que 50.000 cruzados novos irem por água abaixo -, o confisco da poupança por 18 meses não levou em conta a economia no médio e longo prazos. O objetivo era resolver o problema imediato, ou seja, a hiperinflação, mas reduzir o poder de compra da população da forma como foi feito provocou um efeito cascata, ou seja, as empresas também colocaram o pé no freio, reduzindo os processos produtivos, e isso provocou um aumento do desemprego. Só em São Paulo, mais de 150 mil postos de trabalho foram exterminados.

Para completar, a promessa do governo de devolver o dinheiro confiscado com correção de juros da moeda mais 6% ao ano não foi cumprida, e milhares de  pessoas recorreram à justiça para exigir a retomada do dinheiro.

OLHA SÓ: Qual é a solução para a inflação?

Pegar dinheiro emprestado pode ser uma péssima ideia

O Brasil sempre conviveu com um déficit alto, ou seja, o governo gasta mais do que arrecada e, para poder operar, adquire dívidas. Só que essa medida gera outro problema: o aumento dos custos, já que além de arcar com as despesas correntes, é preciso também pagar os juros dos empréstimos feitos. Tudo isso causa um desequilíbrio nas finanças públicas e, muitas vezes, interrompe os investimentos no país.      

“O Brasil tinha um déficit muito grande. Pensamos em aumentar a carga tributária, acabar com subsídios e fazer uma reforma administrativa. Depois de fazer as contas, descobrimos que todo o esforço para o governo arrecadar mais dinheiro iria ser ‘comido’ pelo pagamento dos juros das dívidas internas”, comentou a economista e ministra Zélia Cardoso de Mello no documentário.

Atos tem consequências que precisam ser muito bem avaliadas

A última lição aprendida com o documentário é uma das mais importantes. Quando o governo adota qualquer medida econômica, é preciso levar em consideração as consequências nas demais áreas. Como o próprio ex-presidente do Banco Central declarou na obra, a equipe econômica da época não tinha muita experiência, algo necessário para compor cargos de tamanha responsabilidade.

A mesma percepção teve a jornalista Lillian Witte Fibe ao entrevistar a então ministra para o jornal televisivo do qual fazia parte na época, na TV Globo. Segundo disse no documentário, era nítido que a equipe econômica não tinha conhecimento suficiente sobre as consequências do confisco da poupança para os brasileiros. Por isso, nenhuma decisão deve ser tomada sem antes pesar muito bem todos os prós e contras. Vale lembrar que dois anos mais tarde o presidente Collor sofreu um processo de impeachment que o tirou do poder.

Carol Proença é estudante de economia e especialista de investimentos certificada

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