Dólar quebra suporte técnico e vai à mínima em dois meses

Moeda registrou maior queda desde dezembro, fechando o dia com baixa de 1,68%
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O dólar registrou hoje (19) a maior queda desde o fim de dezembro, quebrou um importante suporte técnico e fechou no menor patamar em dois meses, com o real liderando os ganhos entre as principais moedas globais em meio a um rali nas commodities, correção para baixo do dólar no mundo e algum alívio em receios político-fiscais domésticos.

O dólar à vista caiu 1,68%, a R$ 5,4673 na venda. É o menor patamar para um encerramento desde 12 de novembro do ano passado (R$ 5,4569) e a maior baixa percentual diária desde o último 30 de dezembro (-2,11%).

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Com a expressiva desvalorização, o dólar fechou abaixo de sua média móvel linear de 100 dias (R$ 5,5114), o que costuma ser visto como presságio para mais quedas à frente. O dólar caiu por todo o pregão, oscilando de R$ 5,5537 (-0,13%) a R$ 5,4582 (-1,85%).

Em dia de forte descompressão no câmbio, as taxas de juros projetadas em contratos futuros negociados na bolsa brasileira despencaram, com os vencimentos mais longos em queda de cerca de 20 pontos-base, o que derrubou a inclinação da curva – vista como uma medida de percepção de risco.

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, chamou atenção para dois catalisadores de ambos os movimentos: falas de Luiz Inácio Lula da Silva sobre alianças e fiscal e a queda das taxas dos títulos do Tesouro dos EUA – na esteira da ideia de que o banco central norte-americano poderá subir menos os juros do que o projetado.

“Eu não terei nenhum problema se tiver que fazer uma chapa com Alckmin para ganhar as eleições e para governar esse país”, disse Lula em entrevista ao Brasil 247, referindo-se ao ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, que seria candidato a vice-presidente em chapa com o petista. Lula falou ainda sobre deixar divergências de lado e mirar as convergências.

“Isto (a fala de Lula) foi visto, mais uma vez, como uma sinalização de responsabilidade fiscal por parte de uma eventual administração petista”, disse Perfeito, que, contudo, deu mais peso à precificação no mercado à percepção externa sobre o ritmo de aperto monetário nos EUA – tema que tem dominado os debates na comunidade financeira global desde o começo do ano.

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“A fala de Lula é importante menos pelo que é de fato, mas antes pela interpretação que está sendo dada… O mercado está aos poucos incorporando de fato a perspectiva de o ex-presidente Lula ganhar, mas é necessário dizer que ainda tem que passar muita água por debaixo desta ponte”, adicionou o economista da Necton.

De toda forma, o mercado se mostrou mais vendedor de dólar nesta quarta também pelo ajuste global da moeda para baixo –o índice do dólar cedia 0,2%– e pelo rali dos preços das matérias-primas, que alavancados pelo petróleo bateram picos em mais de sete anos.

Analistas vêm comentando há alguns dias que as forças em prol de uma correção de baixa do dólar no Brasil estariam ganhando espaço, conforme o real se distanciou ainda mais de níveis de equilíbrio depois da depreciação de começo de ano.

A trégua na piora de perspectivas também ajuda a tirar pressão, sobretudo com as taxas de juros no Brasil –que balizam os retornos de contratos de real negociados por estrangeiros– devendo superar 10% ao ano.

Pesquisa do Bank of America com gestores de fundos mostrou que mais desses agentes passaram a ver a taxa de câmbio ao fim de 2022 entre R$ 5,41 e R$ 5,70, intervalo em que a moeda tem operado desde outubro passado – agora estão em cerca de 55%, de 40% em dezembro. Enquanto isso, mais profissionais veem os juros básicos entre 11% e 11,75%, acima dos atuais 9,25%.

(Com Reuters)

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