Taxa Selic: entenda o que é e como funciona a taxa básica de juros do Brasil

Indicador influencia empréstimos, financiamentos e investimentos
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Taxa Selic
Taxa é definida a cada 45 dias em reunião do Copom (Foto: EQL)

No noticiário econômico, um dos assuntos mais comentados é a variação da Selic, a taxa básica de juros do Brasil. Definida pelo Banco Central, em média, a cada 45 dias, o índice regula o custo do crédito para operações como empréstimos, financiamentos e até os juros do cartão. 

O “sobe e desce” da taxa tem uma razão: conter a inflação para que ela fique dentro da meta definida para o ano. Desde 1999, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estipula um valor máximo para o aumento dos preços, para, dessa forma, garantir alguma estabilidade econômica. Para cumprir o percentual determinado, o BC ajusta as taxas de juros para diminuir ou estimular o consumo.  

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Basicamente, o que acontece é que, quando a inflação está muito elevada, devido à alta demanda dos consumidores, o BC também eleva a taxa de juros para que, assim, as pessoas passem a consumir menos. Com a queda no consumo, a demanda também cai, e os preços abaixam, já que há menos interessados, explica Patricia Krause, economista da Coface, empresa especializada em seguro de crédito. 

Vale destacar que as variações da Selic não interferem apenas nas operações realizadas por pessoas físicas, mas também nas transações feitas por empresas e pelo governo. Além disso, elas também influenciam o rendimento das aplicações em títulos públicos, como o Tesouro Direto, letras de crédito e os CDBs dos bancos. 

A interferência ocorre porque alguns desses investimentos têm o rendimento atrelado à taxa, como o Tesouro Selic, e outros são influenciados pelo Certificado de Depósito Interbancário (CDI) – valor que representa os juros cobrados pelas operações de empréstimo de dinheiro entre os bancos. 

Por isso, se a Selic sobe, os investidores e os bancos preferem emprestar dinheiro para o governo, já que os juros são mais altos, e, por consequência, os rendimentos também. E, se acontece o contrário, os investimentos baseados no CDI tornam-se mais vantajosos. 

Como a taxa Selic é definida?

Como já mencionado, a taxa Selic é definida a cada 45 dias, que é o espaço de tempo entre as oito reuniões realizadas por ano pelo Copom. Formado pelo presidente do Banco Central e outros membros da instituição, o grupo se reúne durante dois dias e analisa se o valor determinado anteriormente será mantido, aumentado ou diminuído.

Para se aproximar da meta, o Banco Central busca manipular a Selic efetiva – a que realmente é praticada no mundo real – por meio de negociações dos títulos públicos federais, representados pelo Tesouro Nacional. Com o aumento ou diminuição da oferta dos papéis, os bancos tendem a mudar as taxas de juros cobradas, e, assim, a média dos valores pode se aproximar da Selic definida na reunião do Copom.  

Para a análise, são considerados aspectos como as perspectivas da economia brasileira, fatores econômicos externos, cenário do mercado, evolução do câmbio, preço das commodities, avaliações técnicas sobre a conjuntura econômica do país, entre outros tópicos, explica a especialista.

Investir na Selic é uma boa opção?

Para saber se o investimento em títulos atrelados à Selic é uma boa escolha, em primeiro lugar é essencial avaliar quais os objetivos do investidor. Por se tratar de um investimento em renda fixa – que apresenta menor variação quanto à rentabilidade -, os ativos desta categoria podem não ser os ideais para quem deseja ter maior retorno financeiro. O motivo é que os rendimentos desses papéis estão atrelados à taxa e, por isso, estão “limitados” a render conforme a alta ou queda dela. 

Já os investimentos em renda variável, como as ações, por exemplo, podem se valorizar ou desvalorizar com mais facilidade, e, portanto, são capazes de oferecer maior rentabilidade – assim como também podem provocar grandes perdas. 

Segundo a economista, em função das diferenças entre as duas categorias de investimentos, é importante analisar qual o propósito do investidor. No caso do Tesouro Selic – título baseado na taxa -, os ativos são indicados para pessoas que buscam segurança e não estejam focadas em altos ganhos.

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Além disso, é comum que o investimento em títulos atrelados à Selic seja visto como uma alternativa à poupança e usado para manter a reserva de emergência ou para guardar o dinheiro destinado a algum objetivo específico de curto ou médio prazo, como a realização de uma viagem e a aquisição de um carro, por exemplo. 

Isso acontece porque esses ativos têm liquidez diária, ou seja, podem ser resgatados a qualquer momento. No entanto, essa operação deve ocorrer somente quando for realmente necessário, já que ela pode prejudicar a aplicação, pois o papel só renderá corretamente se mantido até a data de vencimento definida na aquisição. 

Quanto às desvantagens, Patricia destaca que a principal delas é a rentabilidade menor em comparação a outros tipos de investimentos. Mas ela ressalta que, apesar disso, o Tesouro Selic é bastante indicado para qualquer pessoa que pretenda poupar de maneira segura e com bons rendimentos.

Como investir na Selic?

Para investir no Tesouro Selic é essencial que o investidor já tenha traçado os objetivos para a aplicação, visto que, dessa maneira, é possível definir qual título é o mais adequado para as metas estabelecidas. Depois de decidir qual vencimento é o mais indicado, alguns passos devem ser seguidos:

1.  Abra conta em um banco ou corretora que ofereça a opção de investimento no Tesouro Direto ou aproveite o cadastro ativo em uma dessas instituições, se for o caso. Se não houver, o processo costuma ser simples e pode ser realizado pela internet na maioria das plataformas;

2. Em seguida, a instituição direcionará o investidor ao cadastro da conta na plataforma do Tesouro Direto e  um e-mail com o login de acesso à plataforma do governo será enviado. Após esse processo, o investidor deve realizar o primeiro acesso e trocar a senha por uma nova;

3.  Assim que finalizar o cadastro, já é possível transferir o dinheiro do investimento para a conta no banco ou na corretora; 

4. Por fim, basta investir pela plataforma do Tesouro Direto ou da instituição financeira onde a conta foi criada: escolha qual título será adquirido, defina quanto será aplicado nele e faça a ordem de compra. 

Taxas e impostos cobrados ao investir no Tesouro Selic  

Assim como outros investimentos, as aplicações no Tesouro Selic envolvem algumas cobranças, como o Imposto de Renda, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), a taxa de custódia e a de administração. Veja, a seguir, quanto custa cada uma delas: 

Imposto de renda: pago apenas no resgate da aplicação, incide sobre os rendimentos obtidos. A cobrança varia conforme o tempo em que o valor ficou na aplicação, conforme descrito a seguir: 

  • 180 dias ou menos: 22,5%
  • 181 a 360 dias: 20%
  • 361 a 720 dias: 17,5%
  • 721 ou mais tempo: 15%

Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): cobrado apenas sobre os rendimentos das aplicações resgatadas antes dos 30 dias. Veja, a seguir, qual o percentual a ser pago conforme os dias investidos:

  • 1: 96%
  • 2: 93%
  • 3: 90%
  • 4: 86%
  • 5: 83%
  • 6: 80%
  • 7: 76%
  • 8: 73%
  • 9: 70%
  • 10: 66%
  • 11: 63%
  • 12: 60%
  • 13: 56%
  • 14: 53%
  • 15: 50%
  • 16: 46%
  • 17: 43%
  • 18: 40%
  • 19: 36%
  • 20: 33%
  • 21: 30%
  • 22: 26%
  • 23: 23%
  • 24: 20%
  • 25: 16%
  • 26: 13%
  • 27: 10%
  • 28: 6%
  • 29: 3%
  • 30: 0%

Taxa de custódia: cobrada pela B3, refere-se à guarda dos ativos e é isenta para aplicações acima de R$ 10 mil no Tesouro Selic. Para valores maiores, a taxa é de 0,20% sobre o valor excedente; 

Taxa de administração: é arrecadada pelas instituições financeiras pelo serviço de intermediação e varia em cada uma delas, sendo que, em algumas, o valor sequer é cobrado. Por isso, para saber exatamente quando deverá ser pago, é necessário consultar as regras da empresa onde o investidor possui conta. 

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