Dia da mentira: 8 mitos sobre dinheiro e economia

Crenças populares acabam atrapalhando o caminho rumo à saúde e independência financeiras
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Pexels/Karolina Grabowska
Na prática, a desinformação acaba afastando ainda mais as pessoas da tão desejada saúde financeira (Foto: Pexels/Karolina Grabowska)

Todo mundo já ouviu, ao longo da vida, uma série de crenças relacionadas ao dinheiro. Seja em relação a investimentos, aposentadoria ou gastos corriqueiros, a verdade é que o assunto segue rodeado de mitos e mal entendidos. Na maior parte das vezes, isso acontece devido à falta de educação financeira, problema que atinge mais de 75% dos brasileiros, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). 

Assim como os ditados populares, afirmações como “quem é pobre nunca enriquece” ou “dinheiro não traz felicidade” acabam reforçando opiniões já internalizadas na população, mesmo que a maior parte dessas frases não tenha respaldo técnico de economistas. Na prática, esse tipo de informação acaba afastando ainda mais as pessoas da tão desejada saúde financeira. 

No Dia da Mentira, a Elas Que Lucrem reuniu os oito principais mitos relacionados a dinheiro e economia. Veja, a seguir, quais são elas:

“Dinheiro não traz felicidade”

A frase é, provavelmente, uma das mais comuns sobre o tema. Nos quatro cantos do Brasil, é difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido a afirmação, que busca ressaltar o quanto a vida é bem mais do que os bens materiais e suporte financeiro. Ficar feliz por conta de dinheiro, no entanto, não tem nada a ver com desvalorizar as coisas simples da vida. 

Segundo Matthew Killingsworth, membro da Universidade da Pensilvânia nos Estados Unidos e psicólogo que estuda a felicidade humana, o dinheiro influencia diretamente no bem-estar humano. Em um estudo feito por ele em 2021 e publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), Killingsworth confirma o fato de que indivíduos que ganham mais possuem um senso maior de controle sobre a vida, o que gera tranquilidade e, consequentemente, felicidade. 

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O estudo do psicólogo coletou 1,7 milhão de dados de mais de 33 mil participantes norte-americanos entre 18 e 65 anos que forneceram informações de seus sentimentos durante o dia a dia. Segundo a pesquisa, ficou claro o quanto as dívidas e a incerteza financeira geram sentimentos como ansiedade, insegurança e até depressão. É impossível ignorar a importância do dinheiro. Ele é relevante, inclusive, para que as pessoas consigam aproveitar as levezas da vida sem se preocupar com dívidas. 

“Só ganha dinheiro quem já tem dinheiro”

“Onde o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre”, diz a clássica música “Xibom Bombom”, do grupo “As Meninas”, que fez muito sucesso no início dos anos 2000. Por diversas gerações, concordamos com essa afirmação, mas não é bem assim que ela deve ser interpretada. Embora seja realmente mais fácil ganhar dinheiro tendo uma boa renda inicial, é possível começar do zero sem que haja uma super herança em jogo – afinal, nem todos têm essa possibilidade.

Na era da informação, não é difícil encontrar ensinamentos sobre finanças em plataformas gratuitas – além de diversas opções de cursos e mentorias acessíveis. A partir do conhecimento na área, fica mais fácil investir – mesmo que seja pouco – e fazer o dinheiro render.

“Cartão de crédito resulta em dívidas” 

Em 2021, 70,9% das famílias brasileiras estavam endividadas e, desse total, 82,6% das dívidas foram feitas por meio do cartão de crédito. O último levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) revelou que as transações com o dinheiro de plástico avançaram 42% no terceiro trimestre de 2021, movimentando cerca de R$ 420 bilhões. Em 2022, a tendência é que o cartão de crédito ganhe ainda mais relevância, alcançando a marca de R$ 3 trilhões em transações. 

É preciso aproveitar esse cenário para quebrar um mito: o cartão de crédito não é o responsável pelo endividamento, embora esteja no cerne da questão. Esse meio de pagamento é apenas uma forma pela qual as pessoas se endividam. Não saber utilizar o produto é o grande problema a ser resolvido. Alguns erros, como ter um limite muito alto, que não condiz com a realidade da renda; atrasar o pagamento da fatura; não acompanhar os gastos durante o mês; e pagar caro em tarifas e anuidades são os grandes vilões do uso do cartão. 

“Dinheiro vale sempre a mesma coisa”

Para algumas pessoas, guardar dinheiro em casa ainda é um hábito comum. Segundo estudo de 2018 feito pelo Banco Central – o mais recente sobre o assunto -, 19,3% da população guardava moedas em casa por mais de seis meses na época. Além disso, 56,2% usavam o dinheiro guardado no cofrinho para compras e pagamentos. O hábito pode parecer inofensivo, mas é importante destacar que o dinheiro não vale sempre a mesma coisa: R$ 50 não serão R$ 50 para sempre ou, pelo menos, não terão o mesmo poder de compra ao longo do tempo.

Economias paradas se desvalorizam diante da inflação, reduzindo a capacidade de compra com o passar do tempo. Para pesadelo daqueles que cultivam o hábito, quanto maior a quantia guardada, maior o prejuízo. A melhor opção, mesmo para quantias pequenas, é investir o dinheiro. Assim, ele acompanha a inflação do país e o avanço do mercado. 

“Controlar pequenos gastos financeiros é avareza”

Pode ser tentador ignorar o cafezinho de todos os dias da lista de gastos mensais, mas até os itens de baixo custo devem ser incluídos em um bom planejamento financeiro. Apesar de muitos considerarem sinal de avareza a preocupação com esse tipo de coisa, os chamados “gastos invisíveis” – aqueles que vão de R$ 5 a R$ 25 – são capazes de comprometer significativamente o orçamento no fim do mês. 

Ao término de um ano, por exemplo, o dinheiro gasto pelos brasileiros com aplicativos de carona chega a R$ 1.649, segundo a plataforma GuiaBolso. Já com serviços de streaming, somando as plataformas de músicas e filmes, os custos podem alcançar o valor anual de R$ 3.156, de acordo com o portal “Consumidor Moderno”. Quando comparado ao salário mínimo de R$ 1.212, os números correspondem a 11,33% e 21,7% da remuneração total obtida ao longo de 12 meses. 

“Quem ganha pouco não consegue investir ou poupar”

Outra afirmação que gera dúvidas entre os brasileiros é a necessidade de uma remuneração mínima para investir ou poupar. No entanto, essa é uma questão que depende principalmente do planejamento financeiro individual – e não necessariamente do valor do salário. Guardadas as devidas proporções, o rendimento obtido por meio de aplicações ao longo dos anos pode significar uma fonte de renda extra considerável de acordo com o padrão de vida do investidor. Para se ter uma ideia, com a taxa Selic a 11,75%, um investimento de R$ 1.000 no Tesouro Prefixado renderia R$ 1.192,54 em dois anos. No final de 360 meses, o acumulado chegaria a R$ 18.947,36. Ou seja, poupar pouco é sempre melhor do que não poupar nada. 

“Quem acabou de entrar no mercado de trabalho não precisa se preocupar com aposentadoria”

Quando se fala em previdência, tempo realmente é dinheiro. Embora o entusiasmo com o início da carreira faça com que muitos jovens deixem o plano de aposentadoria para mais tarde, esses anos iniciais fazem toda a diferença na hora de calcular os futuros descontos para o período de descanso. Além disso, muitos profissionais acabam adiando o momento por falta de disposição em lidar com a burocracia do processo, seja no INSS ou em planos privados. 

De uma forma ou de outra, esperar cinco anos para começar a contribuição já pode gerar consequências para o bolso. Contribuintes individuais, via de regra, pagam uma alíquota de 20% sob o salário mínimo ou sob o teto do INSS (de R$ 7.087,22), resultando em um desconto de R$ 242,40 ou R$ 1.417,44 mensais. Dessa forma, o profissional sofreria um desfalque entre R$ 14.544 e R$ 85.046,40 no período, capaz de comprometer o rendimento final. 

“Uma vez endividado, sempre endividado”

Atualmente, no Brasil, 76,1% das famílias estão endividadas, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). De acordo com a instituição, a porcentagem é a maior dos últimos 12 anos. Além disso, 26,4% desses domicílios foram inadimplentes em janeiro, último mês contabilizado pelo levantamento.

Felizmente, isso não significa que dois terços da população brasileira nunca mais poderão desfrutar de saúde financeira em suas vidas. Pelo contrário: as dívidas podem ser quitadas quando o devedor se planeja economicamente e emocionalmente para isso, reservando uma parcela do orçamento mensal. Além disso, ainda é possível recorrer a negociações que agilizem o processo, como o Mutirão Nacional.

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