Dólar fecha em leve queda com menor fôlego no exterior

Moda norte-americana começa a semana com desvalorização de 0,14%
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O dólar oscilou ao longo de todo o pregão de hoje (16), mas acabou fechando as operações no mercado à vista em queda apenas leve. A aceleração das perdas da moeda no exterior na parte da tarde ajudou a atrair vendas por aqui, mas o mercado evitou embarcar numa ampla busca por risco ainda sob cautela depois da divulgação de fracos dados da China.

O dólar spot caiu 0,14%, a R$ 5,0507 na venda, menor valor desde 5 de maio (R$ 5,0166).

Na B3, às 17h25 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,15%, a R$ 5,0805.

“O real provavelmente será negociado lateralmente [intervalo de R$ 5,03 a R$ 5,30]”, disseram em relatório estrategistas do Société Générale.

De fato, a divisa tem operado dentro de uma faixa delimitada por fortes suportes e resistências. Na ponta de cima estão a média móvel de 100 dias (em torno de R$ 5,15) e as taxas perto de R$ 5,16  e R$ 5,23  – níveis de retrações de Fibonacci, ferramenta de análise técnica. Embaixo, há suportes na casa de R$ 5,02  e R$ 4,99.

A máxima e mínima recente do dólar estão em R$ 5,2110 (de 12 de maio) e R$ 5,0314 (-0,52%), desta segunda-feira.

Na máxima, alcançada ainda pela manhã, a cotação foi a R$ 5,105, alta de 0,93%. Mas, a partir do começo da tarde, ativos que se beneficiam da demanda por risco começaram a se recuperar no exterior.

O dólar australiano, por exemplo, que chegou a cair quase 1% na sessão, no fim da tarde subia 0,4%. O índice do dólar frente a uma cesta de divisas fortes caía 0,3%, após subir 0,2% na máxima.

O real compartilha com a moeda australiana um maior beta – ou seja, maior sensibilidade – à China, cujos dados mais cedo não trouxeram bons presságios. As atividades de varejo e industrial no país caíram acentuadamente em abril, com os extensos bloqueios contra a Covid-19 confinando trabalhadores e consumidores em suas casas.

Dados fracos no país – voraz consumidor de commodities e maior destino das exportações brasileiras – são vistos como sinal de menor dinamismo econômico em todo o mundo, o que eleva os já presentes riscos de recessão global ou mesmo estagflação – cenário em que o dólar se fortalece.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, disse em evento nesta segunda-feira que a recente depreciação do real refletiu impacto da desaceleração da China, que enfrenta uma onda de Covid-19, e do aperto monetário implementado nos Estados Unidos – com efeito maior da China -, ponderando haver incertezas no médio prazo.

“Um dólar forte, um Fed ‘hawkish’ [duro na política monetária] e riscos globais de estagflação, bem como piora nos termos de troca e riscos fiscais persistentes, manteriam o real mais fraco”, disseram em relatório estrategistas do Société Générale.

Eles ponderam, contudo, que o Banco Central deve continuar a elevar os juros, deixando a taxa em 13,75% (está em 12,75%), o que deve oferecer “algum suporte” ao real.

(Com Reuters)

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