Ibovespa fecha em baixa e acumula maior série de quedas semanais desde 2020

Índice da bolsa brasileira caiu 0,16% em sessão equilibrada por Petrobras e Bradesco
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O principal índice da bolsa brasileira encerrou hoje (6) com recuo tímido, em pregão que alternou altas e baixas, e com o mercado avaliando o impacto de dados robustos de emprego na política monetária dos Estados Unidos.

Petrobras e Bradesco foram destaques de alta, após publicarem resultados na véspera. Vale e B3 pressionaram o índice.

O Ibovespa caiu 0,16%, a 105.134,73 pontos, o que representa queda de 2,5% na semana, a quinta baixa semanal seguida. A última vez que o índice havia tido uma sequência tão longa de recuos foi de setembro a outubro de 2020 e maior do que isso só entre maio e junho de 2018. O volume financeiro da sessão foi de R$ 31,7 bilhões.

O foco do dia foi a abertura de 428 mil postos de trabalho nos EUA fora do setor agrícola em abril, acima do esperado pelo mercado. Houve leve revisão para baixo no índice de março e a taxa de desemprego ficou estável.

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Os dados, que mostram um mercado de trabalho norte-americano robusto, são chave na definição dos próximos passos da política monetária no país, em meio à elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, para conter a inflação.

O indicador ganha ainda mais destaque por vir após a elevação do juro pelo Fed em 0,5% na quarta-feira, com seu presidente, Jerome Powell, descartando por ora uma alta de 0,75%. Ainda assim, traders precificam na curva de juros chance majoritária de aumento de 0,75% na próxima reunião.

“O Fed vai continuar falando o que o mercado quer ouvir, mas fazer o que precisa ser feito”, diz João Guilherme Penteado, estrategista-chefe da Apollo Investimentos.

Para ele, a queda das bolsas nesta sexta-feira está mais ligada a um contexto geral global, que inclui a aceleração na alta de juros nos EUA e saída de capital das bolsas, do que ao dado de emprego especificamente.

“Vão haver uma série de dados mais negativos e positivos, mas tudo balizado em um cenário desafiador”, afirma, observando que na semana passada dado indicou retração inesperada do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no primeiro trimestre.

Em Wall Street, os principais índices de ações caíram entre 0,3% e 1,4%, também em sessão volátil.

Destaques

– PETROBRAS PN subiu 3,3%, com alta do petróleo e após o lucro líquido da estatal avançar a R$ 44,56 bilhões no primeiro trimestre. A petrolífera ainda aprovou a distribuição de dividendos e seu presidente disse que o principal vetor de ganhos é a área de exploração e produção.

– BRADESCO PN avançou 2,1%, após o banco divulgar alta de 4,7% no lucro recorrente de janeiro a março, revisar várias projeções e anunciar um programa de recompra de ações. A instituição financeira espera uma estabilização na inadimplência na segunda metade do ano. Ações de outros bancos também se valorizaram.

– PETZ ON desabou 12,7%, maior queda da ação desde que foi listada na bolsa, em dia negativo para empresas do setor varejista e após resultados da companhia de produtos e serviços para animais.

– ECORODOVIAS ON cedeu 6,1%, após o lucro da administradora de concessões de infraestrutura cair 81,2% de janeiro a março, diante de elevação de custos e queda na receita bruta por causa do fim de alguns contratos de concessão.

– ALPARGATAS PN disparou 7,4%, maior alta desde agosto, depois que sua marca Havaianas teve receita líquida recorde para um primeiro trimestre.

– LOJAS RENNER ON avançou 6%. A varejista teve lucro líquido de primeiro trimestre que reverteu prejuízo no mesmo período do ano passado e informou que as vendas em abril e maio estão acima das expectativas.

– VALE ON perdeu 0,7%, sexto recuo consecutivo, e siderúrgicas fecharam sem direção comum, na sequência de queda de mais de 5% do minério de ferro na Ásia com preocupação por situação de Covid-19 na China.

– NATURA ON estendeu desempenho negativo recente e teve queda de 4,6%, depois de anunciar prejuízo maior do que o esperado pelo mercado e adiar algumas projeções financeiras.

– CARREFOUR BRASIL ON teve baixa de 7%, depois do lucro líquido ajustado da dona do Atacadão ficar praticamente estável no primeiro trimestre. Executivos da companhia afirmaram que as vendas mesmas lojas do varejo alimentar tiveram forte alta em abril.

(Com Reuters)

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