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Como a pandemia da Covid-19 impactou a saúde mental da mulher

Uma pesquisa mostrou que mais de 50% das mulheres apresentam algum sintoma de ansiedade ou depressão na pandemia
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Já se passaram 16 meses desde o anúncio oficial da pandemia da Covid-19, feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 11 de março de 2020. O número de mortes pela doença no mundo e, principalmente, no Brasil ainda é alto e a maior aposta para controlar o vírus é a vacinação em massa. A rotina ainda está muito diferente e desde o início do isolamento social, necessário para conter a disseminação do Sars-CoV-2, milhares de pessoas passaram a conviver com danos psicológicos. Em especial, as mulheres. 

As taxas de ansiedade, depressão, insônia, esgotamento mental e outros sintomas de sofrimentos psíquicos aumentaram drasticamente, e problemas que antes não eram tão latentes passaram a ser.

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Pandemia elevou sobrecarga de trabalho das mulheres

Não ter onde e com quem deixar os filhos para ir trabalhar, já que escolas e creches fecharam por muito tempo, demissão e rotina tripla do home office com o cuidado dos filhos, da casa e do trabalho, são algumas das preocupações que mães lidam todos os dias.

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, com apoio da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, mostrou que 63% das mães tiveram sintomas depressivos durante a pandemia.

Uma outra pesquisa, feita pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), também revelou que 83% das entrevistadas sentiram uma sobrecarga em dividir a atenção entre o trabalho de casa e os cuidados com os filhos. O levantamento ouviu 822 mães de todas as regiões do país.

Os pesquisadoras descobriram que mais de 50% das mulheres apresentam algum sintoma de ansiedade ou depressão durante a pandemia. No ranking dessas preocupações estão a sobrecarga no cuidados dos filhos (83%), sintomas depressivos (25%), sintomas de ansiedade (26%), sintomas de estresse (22%) e sintomas de estresse pós-traumático (39%). 

Em entrevista ao Elas que Lucrem, a neuropsicóloga da clínica Maia Dolores Pinheiro Fernandez acredita que a somatório das demandas aumentou os transtornos mentais nas mulheres. Questões financeiras, emocionais, os relacionamentos dentro de casa, vida pessoal e profissional, isolamento, a falta de contato com familiares e amigos, além da administração de toda a situação da pandemia, da doença, do luto, do cuidado com a higiene e limpeza contribuíram para o quadro atual.

Problemas financeiros contribuíram para piora da saúde

“No geral, as mulheres já têm mais tendência a ter depressão ou ansiedade e isso aumentou com a pandemia. Foram muitas tarefas ao mesmo tempo e isso trouxe uma sobrecarga. Além do aumento dessas demandas, as mulheres também sofreram problemas financeiros por causa da Covid-19, muitas perderam o emprego que complementava a renda”, explica a especialista. 

Essa insegurança com o futuro econômico também é algo que a psicóloga considera como um dos fatores que deixaram as mães exaustas e mais propensas a desenvolver transtornos psicológicos. “Muitas mulheres eram autônomas, algumas faziam faxinas, eram cuidadoras, trabalhavam em salão de beleza e, de repente, se viram sem nenhum emprego. Então muitas continuam pensando como será a vida no futuro, se terá emprego ou não. Essas que não têm nenhuma formação estão em situações ainda piores. Todas essas circunstâncias geram estresse e podem ser gatilhos detonadores de doenças mentais.”

Dolores destaca ainda que a tristeza intensa por períodos prolongados pode se tornar debilitante e desencadear a depressão. E o medo e a ansiedade em excesso podem ser paralisantes e até mesmo incapacitantes, como as fobias e transtornos de ansiedade. “A pandemia já é estressante. Quando mulher deixa de cuidar dela, de ter o seu próprio momento, e passa a cuidar só dos outros, isso faz com que ela adoeça.”

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Como amenizar os impactos da pandemia?

A psicóloga recomenda que para melhorar a saúde mental das mulheres é muito importante a construção de uma nova rotina de acordo com a realidade atual, estipulando horários para o início e fim das tarefas, seja trabalho, cuidado com os filhos, refeições, pausas, lazer. “As mulheres e, principalmente, as mães precisam de um tempo para fazer o que gostam. Desligar do trabalho e relaxar”, diz. Ela aconselha que o lazer depende do gosto pessoal de cada uma: pode ser ver filmes, ouvir músicas, ler, sair para passear ou ir ao parque.

Também é preciso procurar uma ajuda profissional caso não haja melhora. A especialista diz que o cérebro também precisa estar saudável, da mesma forma que o olho para que o ser humano possa enxergar. “Ir ao psicólogo ou ao psiquiatra ainda é um tabu. Mas é preciso que as pessoas entendem que transtorno mental não é loucura, é uma doença como outra qualquer. Cuidar da saúde mental é cuidar de si, da mesma forma que cuidamos do corpo”, explica.

Katherine de Paula Machado, que também é neuropsicóloga da clínica Maia, pontua que manter uma rede de apoio social também é muito importante para dividir as angústias e experiências, e pode ajudar no aprendizado de novas técnicas para lidar com a tensão, a ansiedade e problemas financeiros.

“É importante ter clareza de que estamos vivendo num momento atípico, onde ter tanta demanda torna impossível realizar tudo com a eficiência desejada. Entenda que não é possível dar conta de tudo, diminua o sentimento de culpa e tente viver um dia de cada vez. Registre tudo que foi feito durante seu dia e verifique suas realizações e suas conquistas, e não apenas o que não foi possível ser feito”, recomenda Katherine às mães.

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