Você sabe qual é o seu custo de vida?

A desorganização financeira é um risco e dicas simples podem te ajudar a mudar de atitude
JOB_03_REDES_SOCIAIS_EQL_AVATARES_QUADRADOS_PERFIL_v1-02

Se te perguntarem qual é o seu gasto mensal, incluindo contas e o que você usa para o dia a dia e lazer, você sabe responder? Não é simples, porque, para isso, é necessário ter organização e controle. E mais: saber exatamente quanto se está gastando também não quer dizer que as finanças estão em dia, mas, sem dúvida, ajuda. E parece que o brasileiro não está muito bem em relação a esse assunto. Um levantamento realizado pelo Instituto FSB Pesquisa mostrou que três em cada dez pessoas do país gastam mais do que a renda que possuem. A mesma pesquisa apontou que 47% dos brasileiros consideram que as finanças pessoais são a maior preocupação do momento e quase metade da população está apertada com as contas do mês. Somente 27% afirmam que conseguem se organizar bem e ter uma sobra de dinheiro.

“Podemos pensar em 3 causas para a desorganização financeira. A primeira, é aquela situação em que a pessoa recebe sua remuneração e já está imediatamente comprometida com despesas e dívidas. Pode haver aí a falta de fazer um orçamento, de colocar limites, de se planejar. Tem uma desorganização, uma inabilidade. Outra possibilidade é que o descontrole seja decorrente de um comportamento mais impulsivo, no qual se desconsidera a importância das emoções agindo sobre o dinheiro e liga o piloto-automático. E, por último, pode ser que a pessoa pratique o controle e, mesmo assim, o salário não dá. Tem uma renda insuficiente. Então é preciso buscar formas de aumentar a renda. E mais: pode ser uma mistura de tudo isso”, explica a economista Mariliane Caramão.

E, de fato, o terceiro fator apontado por Mariliane, a renda insuficiente, é uma questão séria no país. Em 2021, a renda média da população brasileira atingiu o valor mais baixo, considerando uma série histórica iniciada em 2012 pela LCA Consultores, com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) trimestral do IBGE. De acordo com o levantamento, terminamos o ano de 2021 com mais de 33 milhões de trabalhadores com renda mensal de até um salário mínimo, que, na ocasião, era de R$1.100. Eles representam 36% do total de ocupados no país e a maior parte possui baixa escolaridade ou está na informalidade. Diante dessa realidade e também devido a uma falta de educação financeira, fica difícil estar em dia com as contas, como aponta Bia Santos, CEO e fundadora da Barkus Educacional, edtech de inclusão e educação financeira investida pelo Google for Startups. 

“Infelizmente, por falta de educação financeira básica, grande parte dos brasileiros sofre ao lidar com suas finanças, independente da classe social. O problema é que pessoas com menor renda têm menos possibilidade de lidar com dificuldades financeiras, ter uma reserva de emergência ou receber apoio financeiro de amigos e familiares. Também são as que mais sofrem com crises financeiras, como a que estamos vivendo. Então a consequência disso é o impacto negativo maior da falta de controle e conhecimento financeiro nas classes mais baixas”.

LEIA MAIS:

Se a pouca renda tem relação com a nossa estrutura socioeconômica, outros aspectos apontados pela economista Mariliane Caramão, como desorganização e impulsividade, estão mais sob responsabilidade de cada um. Para esses casos, algumas dicas podem fazer a diferença e é sobre elas que falaremos a seguir. 

Perca o medo do controle financeiro

Muita gente pode achar chato pensar em controlar os gastos, mesmo que isso signifique ficar enrolado no fim do mês. Só que, quando falamos de dinheiro, o controle pode impedir problemas sérios, seja de endividamento, perda de bens ou até emocionais, porque a preocupação com a vida financeira é de tirar o sono de qualquer um.

De acordo com pesquisa do SPC-Brasil, 45% dos brasileiros não controlam as próprias finanças e 31% dos consumidores são inseguros para lidar com seu próprio dinheiro. E isso reflete na quantidade de pessoas endividadas e inadimplentes. Saber o quanto se ganha e se gasta todos os meses é super importante para a tomada de decisões de compra e, claro, para o planejamento de objetivos de curto, médio e longo prazo. Por isso, tudo começa pela organização financeira pessoal e familiar”, alerta Bia Santos.

Existe até uma expressão que define o comportamento de pessoas que evitam fazer coisas simples, como conferir o extrato bancário ou acompanhar a fatura do cartão: fobia financeira. O termo foi criado em 2003 pelo psicólogo britânico Brendan Burchell. Esse medo intenso de lidar com o próprio dinheiro pode gerar até sintomas físicos, como a taquicardia, e ajudam a transformar os problemas financeiros em uma bola de neve. 

“Controlar a própria vida financeira não é atrativo para a maior parte da população. A organização financeira não é conectada como um hábito que promove sustentabilidade financeira e qualidade de vida. Percebo um antagonismo cultural. A declaração é de que o dinheiro é a maior fonte de preocupação dos brasileiros, o que se confirma por níveis recorde de endividamento e inadimplência. Por outro lado, há a ideia de que é difícil e chato controlar as finanças. É preciso entender que chato mesmo é passar uma vida em apuros financeiros”, destaca a economista Mariliane Caramão.

Então, encare agora o problema de frente, para não gerar outros futuros.

Todo gasto conta!

Se você lança as contas fixas do mês, mas deixa de lado aquele lanchinho na rua, ou a blusinha baratinha que estava em promoção, já está furando o seu controle. É importante considerar tudo, porque o somatório de gastos pequenos vai se tornar um maior no fim do mês.

“Eu planilho todos os meus gastos, até se eu tomo um cafezinho na rua, eu anoto. Sei o meu custo de vida total por conta da planilha. Quando preciso realizar um gasto maior, coloco na planilha para ver se consigo pagar, mesmo que de forma parcelada, e analiso quanto isso me acarretará a mais nos orçamentos dos meses seguintes”, explica a arquiteta Camilla Ayres.

Para a economista Mariliane Caramão, essa é a melhor maneira de ter o controle da situação e evitar estresse financeiro.

“Normalmente temos em mente os nossos números grandes, mas os pequenos são subestimados. Na hora de fazer esse levantamento, já é um exercício de autoconhecimento. É comum achar gastos inexplicáveis e incoerentes. Para esse momento, a ajuda de um amigo, um parente ou profissional pode ser necessária. E, para seguir, tem o desafio da continuidade, porque alguém pode dedicar 5 minutinhos por dia, meia hora por semana ou algumas horas por mês. É preciso colocar isso como um hábito para avaliar o que está sendo controlado”, orienta Mariliane.

Reavalie despesas

A conta de luz está sempre alta? Vem pagando academia e não consegue ir? Tem TV por assinatura, mas o pacote prevê mais canais do que você assiste? Então é hora de reavaliar. Quantas vezes nos acomodamos numa despesa que já está prevista todo mês, porque pode até caber no orçamento, mas não percebemos que ela está além do necessário? Ter noção do custo de vida e controle financeiro inclui também estar atento aos detalhes. Faça esse exercício.

Como se organizar?

Se você vai usar um caderninho, uma planilha de excel ou um aplicativo de controle financeiro, por exemplo, a escolha é sua. O importante é que você consiga visualizar o que entra de dinheiro e o que sai a cada mês. Só que lembre-se: o método precisa ser um facilitador. Não dá para deixar o caderninho no fundo da gaveta e lembrar de lançar as informações quando dois meses já se passaram. É preciso ter disciplina e, por isso, um sistema que esteja mais à mão para você. O importante é não procrastinar o seu controle.

A CEO e fundadora da Barkus Educacional, Bia Santos, explica que, na edtech, trabalham com uma metodologia própria chamada ÉRICA, um acrônimo para Estimar, Registrar, Categorizar e Avaliar. 

Esses são os 4 passos para se organizar financeiramente de maneira completa. Esse ciclo acontece dentro do próprio mês: primeiro, estimamos quanto vai entrar e sair de dinheiro naquele período. Depois, registramos cada ganho ou gasto que temos. A partir disso, categorizamos esses gastos para entendermos em qual área da nossa vida estamos gastando mais. Por último, comparamos o estimado com o que de fato aconteceu, avaliando o que podemos melhorar para o mês seguinte. É um método simples e intuitivo para quem quer dar os primeiros passos no controle financeiro da sua vida pessoal”, detalha Bia.

A economista Mariliane Caramão também dá sua dica. Ela sugere uma matriz de despesas, que pode ser feita até numa folha de papel, bastando dobrá-la em quatro partes iguais. A partir daí, cada pedaço seria o quadrante dessa matriz.

“Primeiro, faça um levantamento de todas as receitas. Quanto efetivamente entra na conta depois das deduções legais, ou, no caso dos autônomos, uma média sazonal. Reserve os quadrantes 1 e 2 para as despesas fixas, como aluguel, condomínio, plano de saúde, educação, financiamentos e assinaturas em geral. Divida em despesas obrigatórias e não obrigatórias, ou seja, despesas com as quais você consegue viver sem, mas te trazem um bem estar. Deixe os quadrantes 3 e 4 para as despesas variáveis, como água, energia, mercado, feira, vestuário e diversão. Divida também em obrigatórias e não obrigatórias. Nessa separação já é possível visualmente identificar quais as proporções da renda que estão suprindo cada necessidade da vida. Quando as despesas são maiores do que a renda, é comum a pessoa eliminar uma área como diversão, por exemplo. Só que evidentemente isso não se sustenta por muito tempo. Fazendo essa separação por quadrantes, eu também consigo saber qual o percentual da renda está comprometida com gastos fixos e enxugar despesas. Para quem tem filho, por exemplo, a escola é uma despesa fixa e obrigatória. Eu não posso eliminar, mas se compromete uma parcela considerável da renda, se já tira espaço para o lazer, eu preciso pensar em alternativas”, ensina Mariliane.

Estou finalmente no controle?

O controle financeiro não é apenas dar conta de cobrir todas as despesas sem se endividar. Ele diz muito também sobre estar consciente dessas despesas, entendendo cada decisão tomada, o que facilita na hora de ter planos e economizar. Mas, até para se ter uma reserva, é necessário um compromisso, um controle, como faz a arquiteta Camilla Ayres.

“Hoje eu consigo economizar algum dinheiro para fazer reserva. Inclusive, são valores que constam na minha planilha. Atualmente estou me pagando, porque acabei usando uma quantia dessa reserva em uma viagem”, exemplifica.

Para Bia Santos, você chega ao controle financeiro quando tem pleno conhecimento do quanto recebe em média todo mês e de quanto consome e gasta no mesmo período. De preferência, tendo ideia também das categorias dos gastos. 

De acordo com pesquisa do Itaú Unibanco e DataFolha, metade dos brasileiros evita até pensar em dinheiro para não ficar triste. Analisar sua própria vida financeira pode ser, muitas vezes, desafiador, principalmente quando sabemos que estamos com grandes dívidas ou inadimplentes. Por isso, é importante termos acesso à Educação Financeira desde cedo, ainda na escola, antes do primeiro emprego. Construir hábitos financeiros saudáveis, como o de controle, é super importante para a vida”, conclui Bia.

Fique por dentro de todas as novidades da EQL

Assine a EQL News e tenha acesso à newsletter da mulher independente emocional e financeiramente

Compartilhar a matéria:

×