Tudo em uma gaveta: o que é o minimalismo e como seguir esse estilo de vida

A ideologia minimalista é linda, mas será que ela pode ser realidade para todos?
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Mudar de vida e sair por aí, viajando. Juntar a família dentro de uma Kombi, colocar o pé na estrada e viver uma vida que, aos olhares de fora, parece mais com um filme, cheio de sonhos realizados. Mas será que é realmente assim? Afinal, esse estilo de vida “desapegado” e minimalista é para todos?

Para a família de Flávia e Eduardo, sim. Junto com o filho, eles ficaram por 2 anos literalmente morando na estrada. Com um sorriso no rosto, eles contam as histórias do que já viveram e por onde passaram com orgulho (afinal, quem não teria?). Mas muito além das memórias e histórias, a vida deles foi marcada por uma realidade de desprendimento. O tal do “minimalismo”, que é tão falado por aí.

Para o dicionário, o minimalismo é um “estilo de vida para indivíduos que buscam o mínimo possível de meios e recursos para viver”. Mas a gente sabe que a prática vai muito além de meros significados do dicionário. Para Flávia, se adequar à vida de seus sonhos significou deixar para trás muitas blusinhas, móveis e fazer um verdadeiro exercício de desapego.

“Quando fomos viajar, foi simplesmente uma loucura! Além da nossa casa, que deixamos para trás, tivemos que nos desfazer de muita coisa. Começando pelas roupas, tudo aquilo que tínhamos certeza que não seria usado, foi deixado para trás”, relembra.

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Para conseguir se adequar à nova realidade, armários foram reduzidos a uma gaveta, literalmente. O combinado da família era que, na Kombi, cada um teria direito a uma gaveta pequena. “Levamos apenas a quantidade de roupas que caberia ali, naquele espaço. Com exceção de algumas blusas de frio, que faziam um volume maior”, explicou.

No caso dela, pela mudança de vida que ia além da escolha por uma rotina mais minimalista, as roupas não foram as únicas que precisaram ficar para trás, mas sim, a casa toda! Os móveis e alguns pertences que não caberiam no novo estilo foram doados e alguns poucos, vendidos.

“Aprendi a largar muita coisa que julgava ou achava importante ter. Para mim, uma vida minimalista é ter apenas o básico ou o necessário. O que realmente será útil”. Flávia e sua família não foram os únicos que nos últimos anos decidiram optar por esse estilo de vida. É cada vez mais comum, aliás, ver pessoas buscando o minimalismo, seja da forma que for. Basta uma simples pesquisa no Google para encontrar listas e mais listas de influenciadores que pregam essa forma de viver. 

No caso da família Cerrado, o minimalismo veio como combo, ou talvez até como consequência, da vida na estrada. Para a grande maioria dos adeptos, no entanto, ele vem como filosofia. E se você sentiu calafrios só de pensar em deixar toda a casa e anos de conquistas de lado, se acalme! Existem várias outras formas de seguir essa filosofia sem precisar, necessariamente, deixar tudo em uma pequena gaveta.

Minimalismo fora das estradas

Propagandas, publis, comerciais, “necessidade”. Hoje em dia, vivemos em um mundo que nos cerca de produtos, criando sempre a falsa sensação de que precisamos daquela blusa nova para conseguir sair a noite, que está faltando uma bolsa daquela cor no armário, que é preciso renovar os cabides para se adequar à nova moda.

Os adeptos à vida minimalista, no geral, tendem a ir contra essas tendências que nos fazem querer comprar, comprar e comprar. Eles entendem que não há a necessidade de tantos itens materiais para viver.

Hoje em dia, além de um guarda-roupa enxuto, esse estilo de vida também se preocupa em olhar mais para o seu redor. Ser mais gentil com o mundo em que vivemos, fazendo ações para cuidar da natureza, pessoas e animais. É repensar a forma que olhamos a vida e o mundo.

Essa vida de desprendimento pode ser um grande desafio e uma realidade não tão convidativa para todas. Mas Flávia garante que existem muitos benefícios. Além desse novo olhar, que permite um contato com mais cuidado para com o mundo que vivemos, o minimalismo também tende a fazer seus adeptos economizarem dinheiro e tempo.

“Quando você tem menos coisas, você tem menos preocupações. Optar pela vida minimalista te impede, por exemplo, de ter grandes indecisões na hora de escolher uma roupa. Além disso, você com certeza vai reduzir os gastos”, aponta. Para ela, uma vida minimalista é uma vida leve. É encher as malas de vivências e cuidados, não de roupas e outros objetos.

Minimalismo: uma escolha boa para todos?

Mas, como tudo na vida, a teoria é fácil e a experiência de terceiros, talvez mais convidativa do que a realidade. A filosofia minimalista é, de fato, bonita e admirável, mas a verdade é que essa vida de desprendimentos não é para todos.

Começar uma vida minimalista significa quebrar, de diversas maneiras, a realidade consumista que vivemos hoje. É aprender a desapegar de algumas coisas e a ignorar aquela nova moda, aquele novo item que sua blogueira favorita lançou.

Claro que os benefícios são muitos (economia de tempo e dinheiro, uma maior valorização de vivências em comparação a produtos, uma relação mais próxima e saudável com o mundo que habitamos). Mas as desvantagens também existem e podem ser desafiadoras para quem é mais consumista e gosta de ficar por dentro das tendências.

“Muitas vezes acontece da gente querer ter mais opção de escolha. No meu caso, isso aconteceu com as roupas, querer muito usar uma peça que tinha doado”, confessa Flávia.

Tudo começa com uma mudança

Claro que toda mudança de vida trará grandes desafios. Mas a verdade é que o clichê “você só vai saber se tentar”, também se aplica à vida minimalista. Claro que, em alguns casos, como no da Flávia, que além de se adequar à teoria, decidiu embarcar em uma vida completamente nova, as tentativas custam um pouco mais caro. Afinal, voltar atrás sem casa e móveis é, sem dúvidas, mais difícil do que aprender a viver sem algumas peças de roupa.

Se você gostou da ideia e quer começar a tentar seguir esse estilo de vida, a viajante traz algumas dicas para dar o pontapé inicial. “Uma dica que eu dou é revisar tudo que tem à sua volta e na sua casa. Se você não usou nos últimos 6 meses, doe ou venda. A lógica é que, se você não usou até agora, não vai usar mais”.

No caso específico da família dela, transformar armários em pequenas gavetas rendeu uma vida toda de experiências em apenas 2 anos. Nos quase 800 dias na estrada, Flávia, o marido e o filho conheceram 7 estados brasileiros, toda a costa do Uruguai, Argentina e Chile. As roupas à disposição não eram muitas, mas as vivências já não cabem em apenas um álbum de fotos e se transformaram recentemente no livro “Larga tudo e vai viver”. Mas e você, seria capaz de tamanho exercício de desprendimento?

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