Networking: o que você precisa saber para sua carreira decolar

Estudos provam que mulheres têm muito mais dificuldade em criar conexões profissionais do que homens. Mas não precisa ser assim: te ajudamos a criar e manter essas relações
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Natália Arcanjo, advogada e head comercial da comunidade Do It Girls Club, conseguiu uma cliente nova na sala de espera de uma consulta médica do filho. Enquanto aguardava, ouviu uma outra mulher falando sobre questões de trabalho ao telefone. Sabia que poderia ajudar com o problema que escutou a companheira de espera na cadeira ao lado debater. E decidiu intervir.

A profissional respirou fundo, tomou um gole de coragem e logo desandou a falar. “Desculpe a intromissão, não pude evitar ouvir sua conversa. Acho que posso te ajudar”. O marido logo ficou impressionado com a rapidez e coragem da esposa de quebrar a parede invisível que existia entre as duas e oferecer os próprios serviços. Dali, as duas trocaram contatos e foi questão de tempo até a mulher – até então uma completa desconhecida – virar mais uma cliente da empresa de Natália. Essa não é uma história sobre a conquista de mais um cliente. É uma história sobre networking e a coragem para fazê-lo. 

Se, assim como o marido de Natália (e eu que vos escrevo), você também ficou surpresa com a história dela, talvez seja o momento de dar uma chacoalhada na sua realidade. Afinal, o que a empresária fez foi basicamente estabelecer um contato de networking.

Esse ‘básico’, no entanto, pode não ser tão básico assim. Principalmente se você for uma mulher. Recentemente, o LinkedIn divulgou uma pesquisa neste sentido em que aponta que os homens ainda são melhores neste assunto, por conta de dois itens. “O primeiro seria porque algumas mulheres perdem suas parcerias por falta de interação. O segundo, por conta da dificuldade de estabelecer as primeiras conexões, justamente por se tratar de um ecossistema em que eles são maioria“, aponta Brunna Duarte head de Marketing e uma das fundadoras do DIG Club (Do It Girls Club), comunidade de networking e conteúdo voltado para empreendedoras e executivas.

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A importância do networking

“Costumo falar que o networking, as conexões, valem mais que dinheiro”, aponta Natália Arcanjo. “Muitas vezes a gente trabalha muito, estuda muito e não sai do lugar. E o que, em muitos casos, falta para uma pessoa subir mais um degrau na carreira é justamente uma conexão. Uma pessoa que vai atalhar seu caminho, que vai te dar dicas por ter passado pelo mesmo, ou que até tenha justamente a solução que você precisa”.

A ideia da necessidade de uma boa rede de networking é simples: assim como na vida pessoal nós precisamos de pessoas ao nosso lado para passar por obstáculos e dividir as coisas boas, a regra também vale para o universo corporativo.

O famoso “networking” nada mais é que um amigo de profissão: ele pode te ajudar com conselhos na vida profissional, dicas de como melhorar e, quem sabe, até mesmo impulsioná-lo em um emprego novo. E, claro, você também pode (e deve) ajudá-lo e se mostrar presente a ele sempre que possível.

Como dar o primeiro passo

Falar sobre a importância dessa rede de conexões é fácil. A grande questão aqui talvez seja como começar, principalmente no caso de mulheres, que tendem a ter mais dificuldades em criar o famoso networking.

Para Natália, o primeiro passo para quebrar essa barreira é tirar esse tabu de que essa conexão profissional é uma coisa pejorativa. A noção que muitas pessoas têm de que fazê-lo significa criar uma relação por interesse. “O networking é como uma conta bancária.

Uma poupança em que você dá, dá, dá e uma hora espera sacar algo. Não necessariamente o benefício disso vem da pessoa na qual você fez a conexão, pode vir de terceiros. O ideal é fazer uma entrega genuína para criar relações genuínas, mas não tem problema algum ser intencional”, explica.

Tirado esse tabu da cabeça, o próximo passo importante para a profissional na hora de fazer conexões é trabalhar o autoconhecimento. Saber exatamente no que é boa e no que tem dificuldades, para, assim, conseguir começar uma conversa.

“Nós temos uma membra aqui que fala algo que acho lindo. Ela sempre fala ‘brilhe na sua luz’. Ou seja, descubra no que de fato você é boa, faça esse exercício, siga esse caminho e não tenha medo de se vender”, ressalta.

Com o autoconhecimento à frente, chega a hora de olhar para os lados. Depois de olhar para si e conhecer seus pontos fortes e fraquezas, um bom exercício é analisar sua volta e buscar entender quem está te empurrando para cima e quem está te puxando para baixo. Natália chama essa lógica de ‘Teoria do Elástico’.

“Quando você está evoluindo e em busca de crescimento profissional, está tentando empurrar seu elástico para cima. Mas sempre terão pessoas tentando puxar seu elástico para baixo. Nesse momento você tem que entender se está na hora de cortar o elástico e deixar ir pessoas que são atrasos, ou fazer uma força e gastar uma energia maior para puxar essas pessoas para cima com você”, explica.

Como manter esse contato

Você conseguiu tomar uma dose invisível de coragem como a que Natália tomou na sala de espera, pegou o contato de uma pessoa que considera importante para sua carreira e já fez essa primeira conexão. E agora?

As oportunidades nem sempre (ou melhor, muito raramente) aparecem logo no primeiro approach com essa nova conexão. Para consegui-las de fato, é preciso manter um contato e criar realmente uma relação. Essa parte pode ser tão difícil quando quebrar a primeira parede. Para algumas pessoas, aliás, é ainda mais complexa.

É nesse momento que, com o contato feito, você precisa gastar energia para mantê-lo. Seja marcando um café, enviando à pessoa um artigo que viu e achou que ela poderia se interessar, parabenizando-a por conquistas que soube que ela atingiu, mantendo um contato frequente nas redes sociais, etc.

Natália explica que, principalmente para as mulheres, esse é o momento mais complicado. Afinal, depois do primeiro contato, muitas vezes acabamos sendo engolidas pela correria do dia-a-dia e as múltiplas jornadas de casa, trabalho, filhos, que aquela pessoa pode se perder no tempo. Mas é importante sempre buscar espaços para conseguir manter essa relação. “Isso demanda tempo, demanda energia. Mas os frutos que colhemos com essas conexões são gigantes”, finaliza.

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