Intercâmbio precisa de programação financeira

Seja qual for o objetivo do intercâmbio ou o tempo de duração, tudo começa no planejamento
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Desde pequena, Isabela Rondini de Paula sonhava em estudar fora do Brasil. Ela vivia dizendo para os pais que seu objetivo era fazer o ensino médio no exterior. Aos 15 anos e após estudar muito, mudou-se em janeiro deste ano para a Itália, onde está tornando real seu sonho. “A adaptação não foi fácil, pois por ser uma cidade pequena, poucas pessoas falam inglês fluente, e, embora a Isabela tenha feito aulas preparatórias, ela ainda não é fluente em italiano”, conta Daniela Rondini, mãe da adolescente, que ressalta que foi preciso muito planejamento psicológico e financeiro para realizar o intercâmbio.

Em 2018, o número de estudantes embarcando para fazer intercâmbio foi de 365 mil, de acordo com a Associação Brasileira de Agências. A pesquisa também revelou que os destinos mais procurados são Canadá, EUA, Reino Unido, Irlanda, Austrália e Malta, de língua inglesa.

Alguns vão para aprofundar seus conhecimentos em idiomas, outros, para trabalhar e para estudar. Por isso, as opções de intercâmbio são inúmeras: para muitos países, finalidades diferentes, gêneros e idades distintas.

Antes de ir para a Itália, Isabela já havia feito um curso de férias na Inglaterra para aprimorar o inglês. “Minha maior dificuldade foi abrir mão do inglês e realmente tentar me comunicar em italiano e entender a língua”, conta a adolescente.

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“Primeiro pensamos na Inglaterra e nos Estados Unidos, mas escolhemos a Itália, pois temos cidadania do país. Ao ser cidadã italiana, ela pode usufruir do ensino e da saúde do país”,

Daniela contou com uma agência intermediadora na Itália, que ajudou na escolha do tipo de estudo e da região mais adequada. O investimento para um ano de estudos foi de cerca de R$ 60 mil, mais a passagem aérea e os gastos mensais com transporte, roupas e alimentação.

“Neste primeiro momento ela vai ficar um ano e, caso queira continuar, o correspondente ao ensino médio brasileiro tem duração de 5 anos na Itália. Ela pretende ficar esse período todo”, explica a mãe, com o coração apertado. “Não é fácil se separar de uma adolescente de 15 anos, mas não podia privá-la de seu sonho”, conta.

Além do estudo das línguas e da preparação psicológica, é preciso também um preparo financeiro. Escolher o destino deve levar em consideração várias questões, como valor de investimento, qual tipo de intercâmbio a pessoa têm interesse, se ela poderá trabalhar ou apenas estudar, se irá morar em casa de família, residências estudantis ou casas compartilhadas.

Os mais baratos são, geralmente, Canadá e África do Sul para intercâmbio de inglês, e para intercâmbio de trabalho e estudo de inglês a Irlanda também oferece preços interessantes.

Há, inclusive, a possibilidade de bolsas de estudo gratuitas. Elas geralmente são oferecidas para curso superior, em parceria entre universidades brasileiras e estrangeiras. O site Estudar Fora tem uma página inteira dedicada à elas.

Para quem tem afinidades com esportes, universidades americanas sempre estão de olho nesse tipo de perfil. “Pode ser uma oportunidade de estudar fora sem custo”, conta Érica Marinho, que morou no Canadá e trabalhou em uma agência de intercâmbio no país.

Intercâmbio de estudo e trabalho também para adultos

Formada em administração com ênfase em Comércio Exterior, Érica Marinho e o marido ficaram desempregados com mais de 30 anos. Viram ali uma oportunidade de ter uma experiência de morar fora e escolheram o Canadá, pela proximidade com o Brasil e por oferecer também o visto de trabalho. O mesmo programa é oferecido também na Austrália e na Irlanda. “Fui fazer o ESL Class e depois ingressei no curso de International Business Manegement. Ficamos pouco mais de um ano”, conta. O marido foi com permissão de trabalho full-time, e ela como estudante, podendo trabalhar até 20 horas semanais (part-time).

O investimento à época foi de cerca de 40 mil reais e eles precisaram comprovar um saldo bancário de 100 mil reais para conseguir o visto.

“A maior vantagem foi conhecer pessoas e culturas de vários lugares diferentes. Toronto, que foi a cidade escolhida, é multicultural, linda e segura, realmente de primeiro mundo”, conta. Além disso, meu currículo se tornou muito mais atrativo e ter inglês fluente realmente ajuda. A experiência foi uma guinada na minha carreira e o desemprego ficou no passado.

Para ela, os maiores desafios foram a baixa temperatura, que chega a 40 graus negativos no inverno, e se expressar em outra língua que não a materna.

Estudar morando em casa de família

Embora esteja há apenas 3 meses morando fora, Isabela já é categórica sobre a experiência. “Aqui é meio difícil não gostar de alguma coisa, a comida é ótima, as escolas também, na minha região tem várias áreas verdes e aqui é bem seguro então eu posso pegar uma bicicleta e sair andando por aí, você pode pegar um ônibus ou trem e ir com seus amigos para capital ou qualquer outro lugar”, conta.

Isabela está morando com uma família italiana que a recebeu de forma voluntária. Eles têm dois filhos, um menino de 17 e uma menina de 15. “A presença de adolescentes da mesma idade certamente são um fator que facilita a integração”, conta Daniela. O fato dela estar em casa de família, com regras, horários, supervisão, fazem com que a mãe brasileira fique mais tranquila.

Pesquise e poupe

Para encontrar a melhor opção de intercâmbio, pesquise bastante. “Os preços podem variar muito de uma agência para outra”, conta Érica, que trabalhou, inclusive, na agência que a levou para o Canadá. Além de pesquisar, é preciso fazer um preparo financeiro. Fazer uma poupança ou investimento é importante, já que muitos destinos exigem comprovação de renda. Muitos dos destinos procurados têm a moeda mais valorizada que o real, o que torna o custo de vida muito mais caro. Portanto, o planejamento financeiro deve ser feito minuciosamente. Daniela, a mãe de Isabela, é também especialista em finanças. “Fizemos uma planilha com todos os custos mensais que teríamos, fora investimento com a agência. Isso nos deu a exata noção de quanto, quando e como conseguiríamos fazer o intercâmbio acontecer”.

Para cursos curtos de férias, escolas de inglês também oferecem programas. Muitas fazem viagens de imersão para os parques de Orlando, para Nova Iorque e muitos outros destinos, que sai mais em conta e também proporcionam imersão na língua.

Agências de Intercâmbio

CI – https://www.ci.com.br/pt-br/home

Egali Intercâmbio – https://www.egali.com.br/

Estudar Fora – https://www.estudarfora.org.br/ – Uma Organização Não Governamental (ONG) que reúne diversas oportunidades de bolsas de estudo, concursos, além dos intercâmbios tradicionais e como voluntário.

Experimento – https://www.experimento.com.br/ – Também oferece cursos, programas de intercâmbio, au pair (estudar e morar com família cuidando de crianças), etc.

IE – https://www.ie.com.br/

Partiu Intercâmbio – https://partiuintercambio.org/

STB – https://www.stb.com.br/ – Oferece cursos, inclusive de férias, intercâmbios, universidades, trabalhos, entre outras.

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