7 lições que todas as mulheres precisam aprender com “Maid”

Série da Netflix aborda temas sensíveis ao público feminino, como relacionamentos abusivos e dependência econômica
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Minissérie é a mais assistida do Netflix no mundo (Foto: Divulgação)

No meio de uma madrugada, a jovem Alex decide sair de casa com a filha de dois anos no colo, fugindo de um relacionamento abusivo, para tentar a sorte como faxineira. Sem recursos financeiros, estabilidade psicológica ou rede de apoio, ela se arrisca sozinha no mundo para escapar de um marido alcoólatra que quebrava coisas e esmurrava paredes quando bebia. O enredo tristemente familiar talvez seja um dos motivos do sucesso de “Maid” no Brasil. Lançada no início de outubro, a série – baseada na autobiografia “Superação: Trabalho Duro, Salário  Baixo e o Dever de uma Mãe Solo”, de Stephanie Land -, já é a mais vista do serviço de streaming no país e no mundo. 

Ao longo de 10 episódios, o telespectador acompanha a jornada da protagonista, interpretada por Margaret Qualley, em busca de uma vida melhor para ela e sua filha. Além dos clichês de superação, a produção toca em temas sensíveis do universo feminino moderno, como relacionamentos abusivos, violência psicológica e dependência econômica. Nas palavras da cronista Martha Medeiros, os capítulos são como uma “sessão de terapia” necessária para quase todas as mulheres da atualidade. 

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A identificação das brasileiras com Alex é justificada, como mostram os números do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. No último ano, foram registradas 105.671 denúncias de violência contra a mulher, sendo que 73% delas aconteceram em ambiente doméstico. De acordo com o artigo 5º da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), estão incluídas nesse grupo “qualquer ação ou omissão baseada no gênero que cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial”.

A Elas Que Lucrem consultou especialistas em direitos da mulher e psicologia feminina para reunir algumas lições valiosas que todas as telespectadoras deveriam aprender ao assistir “Maid”. Veja, a seguir, quais são elas:

Violência doméstica não é só física

Apesar de causar danos visíveis, a violência física não é a única que causa prejuízos na vida das mulheres. Alex, por exemplo, nunca passou por isso, mas tinha sua estabilidade mental abalada pelo comportamento do companheiro. Sua convivência com ele incluía ofensas verbais, tentativa de manipulação, imposição de ordens, opressão financeira e medo – todas ações capazes de provocar danos psicológicos graves, muitos deles de ordem médica.  

Para a psicologia, a tendência é que essas formas veladas de violência evoluam para relacionamentos abusivos e potenciais casos de agressão corporal. Além disso, é comum que a vítima não perceba que está diante de um caso de violência até que seja tarde demais. “A protagonista de ‘Maid’ levou um tempo para entender que era vítima de violência, mesmo que as coisas ditas pelo marido a ferissem psiquicamente”, diz a psicóloga Sirlene Ferreira. 

Relacionamentos abusivos possuem ciclos

Para Liliane Sobreira, advogada especializada em direito da mulher, o maior obstáculo na hora de finalizar um relacionamento tóxico é o seu “modus operandi”, popularmente conhecido como ciclo de violência. 

Nele, os episódios de abuso seguem a ordem da “tensão”, “agressão” e “lua de mel”. Dessa forma, o agressor começa fragilizando a vítima por meio de xingamentos, cobranças e crises. Após esse aviso, ele parte para a ação física, convertendo-se rapidamente para a última etapa, aquela em que ele se diz arrependido e promete que vai melhorar. 

Essa montanha-russa é responsável por aumentar ainda mais a dependência psicológica das mulheres. “Os sentimentos de medo, insegurança e confusão mental são o carro-chefe desses processos de sofrimento”, explica a psicóloga Luanda Brandino. Na série, parte do mérito de Alex é a determinação de sair da relação ainda na fase de “tensão”. “Ali não houve agressão física, justamente pela decisão dela de sair antes, pois esse certamente seria o resultado”, afirma Liliane. 

Na obra, Denise (B J Harrison), responsável pelo acolhimento em um dos abrigos, diz, durante uma conversa com Alex, que as vítimas de violência doméstica precisam de sete rompimentos com os parceiros até decidirem abandoná-los de vez. 

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Dependência econômica aumenta os riscos para mulheres em relacionamentos abusivos (Foto: Divulgação)

A dependência econômica é perigosa

Depender economicamente do parceiro para sobreviver ou criar os filhos é uma situação de risco para mulheres em relacionamentos pouco saudáveis. Segundo o Tribunal de Justiça, uma a cada quatro mulheres brasileiras agredidas não denuncia o agressor porque é sustentada por ele. 

Assim como na minissérie, muitas vezes a própria violência é responsável por essa realidade. “O processo do abuso destrói a autoestima da mulher e ela passa a se sentir incapaz”, explica Sirlene. Uma vez que o sentimento de constrangimento é instaurado, dificilmente a vítima vai pedir ajuda financeira para amigos ou colegas. Situação que, mais uma vez, favorece o agressor. “O abuso de poder ocorre justamente porque o parceiro sabe que tem o controle da situação”, diz Luanda. 

Rede de apoio não é fraqueza, é necessidade

A rede de apoio é definida como uma estrutura que dá algum tipo de contenção a algo ou alguém. Ela pode servir durante a maternidade, um divórcio ou qualquer outra situação que demande tempo e esforço de alguém. Nada mais é do que aquela mão amiga que irá oferecer amparo em casos de necessidade. 

A realidade de Alex teria sido muito diferente se ela tivesse alguém para abrigá-la no momento em que saiu de casa ou – alerta de spoiler – um ombro para chorar enquanto enfrentava o processo de perda da guarda da filha. “A rede de apoio é importante para a vida, em todas as circunstâncias. No momento da desvinculação do agressor, sentir-se amparada, mesmo que seja apenas por palavras, faz toda a diferença”, aponta Sirlene. 

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Rede de apoio deve ir além da família (Foto: Divulgação)

Não conte apenas com a família

No caso de “Maid”, fica claro que a rede de apoio deve ir muito além da família. Sem poder pedir ajuda da mãe ou do pai, a protagonista se vê sozinha na sua jornada de sobrevivência. Da mesma forma, na vida real também é importante distinguir quando os laços de sangue significam afeição ou quando são pura formalidade social. 

Assim, se a relação com a família é complicada, as especialistas afirmam que o suporte pode vir de organizações solidárias, grupos de apoio, orientação psicológica e até da própria Justiça. Tudo vai depender do que a mulher está passando e vivendo no momento. 

A grama do vizinho é sempre mais verde

No início da série, Alex julga como perfeita a vida da proprietária de uma das casas onde trabalha, atribuindo às boas condições financeiras um universo que, na realidade, não existia. Da mesma forma, as comparações da vida real – feitas até inconscientemente – podem ser prejudiciais quando resultam em baixa autoestima. Segundo as psicólogas, esse estado de inferiorização pode levar as mulheres à dependência ou estagnação. 

Por outro lado, há um tipo de comparação positiva a qual todas devem se submeter: aquela que serve para traçar limites da normalidade. Sirlene explica que em casos de relacionamentos abusivos, por exemplo, comparar-se pode ser uma ferramenta útil para determinar que algo está errado. “Muitas mulheres acreditam que não existe outra forma de viver pois são cercadas de amigas e parentes que passam pela mesma situação”, diz. O mesmo vale para o trabalho, a maternidade e outros tipos de relação. 

Apesar da dificuldade, é possível dar a volta por cima (Foto: Divulgação)

Sempre é hora de dar a volta por cima 

O final feliz não é e nem deve ser exclusividade da ficção. Se, para chegar à sua plenitude, a mulher precisar encarar mudanças drásticas em sua vida pessoal e profissional, que o faça, aconselham as especialistas.

Em casos de violência, o mais indicado é recorrer ao Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRM) ou à Delegacia da Mulher (DEAM) mais próxima. Uma vez nesse espaço, a vítima pode se informar sobre as medidas protetivas e buscar orientações para entender melhor a situação pela qual está passando. O auxílio médico também é recomendado, principalmente se a vítima tiver sofrido abusos físicos e sexuais. 

Internamente, a mudança deve ser acompanhada por profissionais responsáveis – psicólogos ou psiquiatras – que conduzirão as vítimas nessa jornada de reconhecimento e libertação de antigas amarras. “Maid conversa com todas nós mulheres que, de alguma forma, já vivemos algum tipo de abuso. A série deve ser assistida por todos”, conclui Luanda. 

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