Nas pistas de salto alto: 7 pilotas brasileiras que aceleram por mais espaço no automobilismo

Na Fórmula 1, principal categoria do esporte, apenas cinco mulheres competiram oficialmente ao longo de 71 anos
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Maria Teresa de Filippi (Foto: Divulgação)

Faltam apenas dois dias para o Grande Prêmio de Fórmula 1, realizado no próximo domingo (14), no tradicional Autódromo de Interlagos, em São Paulo. E, a exemplo da F1, a grande maioria dos esportes motorizados possui como representantes apenas homens. E, enquanto eles aceleram em busca de mais uma vitória para subir aos pódios, a corrida das mulheres é por mais espaço nas diferentes modalidades do automobilismo.

A italiana Maria Teresa Filippis foi a primeira mulher a pilotar um carro de Fórmula 1, em 1958. A pilota chegou a participar de três grandes prêmios – Portugal, Itália e Bélgica -, mas enfrentou muito preconceito por ser a única mulher no esporte. Ela foi até proibida de participar do Grande Prêmio da França pelo diretor da etapa, Toto Roche, que declarou que “uma jovem tão bonita não deveria vestir capacetes, exceto os do cabeleireiro”. Apesar de marcante, a trajetória de Maria Teresa na F1 não foi longa. Ela atuou por equipes como Maserati e Porsche, mas se aposentou aos 23 anos.

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Além dela, outras quatro mulheres participaram oficialmente das provas de F1: a inglesa Divina Galica, a sul-africana Desiré Wilson e as também italianas Giovanna Amati e Lella Lombardi. No Brasil, a presença feminina na principal categoria do automobilismo ainda é apenas um sonho.

Apesar do desconforto causado na categoria pela falta de mulheres, elas estão lutando contra o preconceito e conquistando cada vez mais espaço em outras modalidades do esporte.

Veja, a seguir, as brasileiras que se destacam no asfalto e provam que o lugar de mulher é onde ela quiser:

Antonella Bassani

Antonella Bassani (Foto: Divulgação)

A jovem brasileira, de apenas 15 anos, destaca-se no kart. Já participou duas vezes do FIA Girls on Track – Rising Stars, uma competição organizada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em parceria com a Ferrari Driver Academy que tem como objetivo incentivar e apoiar as mulheres no esporte. As competidoras têm entre 12 e 16 anos de idade e a vencedora terá a oportunidade de ingressar na Fórmula 4, uma das categorias de acesso à Fórmula 1.

Em 2020, quando participou pela primeira vez, aos 14 anos, Antonella ficou entre as quatro finalistas. Na edição de 2021, realizada em outubro, das 71 mulheres inscritas, a brasileira conquistou um lugar entre as oito melhores.

Natural da cidade de Concórdia, em Santa Catarina, a jovem é vista como uma das grandes promessas do kart brasileiro. Foi vice-campeã duas vezes em 2016: nos prêmios Sul-Americano de Rotax, no Peru, e no Brasileiro de Rotax. Em 2017, chegou em 8o lugar no Rotax Max Challenge Grand Finals, em Portugal, a melhor colocação de uma brasileira em campeonatos internacionais.

Atualmente, a pilota participa da Copa São Paulo Light de Kart, entre 9 e 13 de novembro, em Itu, além de se preparar para o Campeonato Brasileiro de Kart, que será realizado entre os dias 6 e 18 de dezembro, no kartódromo Beto Carrero, em Penha (SC). O sonho da brasileira é correr na F1 pela Ferrari.

“O automobilismo sempre foi um esporte de menino, mas minha adaptação foi boa. Eu aprendi que se eles ‘batem’ na gente, temos de devolver. Descobri uma vez que eles se reuniam para me tirar da corrida. Mas as mulheres estão ganhando cada vez mais espaço no automobilismo”, declarou a brasileira em uma entrevista.

Bia Figueiredo

Bia Figueiredo (Foto: Reprodução)

Em março deste ano, a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) nomeou a pilota de 36 anos para o cargo de coordenadora nacional do programa FIA Girls on Track, o mesmo do qual Antonella Bassani participou por dois anos consecutivos. A nomeação não foi à toa. Bia Figueiredo tem quase 30 anos de experiência em diversas categorias do automobilismo brasileiro e mundial. 

O currículo de conquistas é longo. A paulistana começou sua carreira no kart na década de 1990, com apenas oito anos. Correu na F-Renault por três temporadas e se tornou a única mulher a vencer a competição. Também é a única a disputar e a vencer o Desafio das Estrelas, torneio anual de kart organizado por Felipe Massa.

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Em 2008, nos Estados Unidos, mais uma conquista: Bia foi a primeira mulher a vencer uma prova na Indy Lights, finalizando a temporada em 3o lugar. Em 2014, a pilota ganhou destaque novamente ao se tornar a primeira mulher a participar da Stock Car Brasil, a principal categoria do automobilismo nacional.

Atualmente, Bia não tem contrato para correr em nenhuma categoria, mas diz estar disposta a retornar às pistas. Sua última atividade como pilota da Stock Car foi em 2020, quando se afastou da pista em função da gravidez.

Cristiane Tsukamoto

Cristiane Tsukamoto (Foto: Divulgação)

Cristiane é uma pilota brasileira de drift que faz muito sucesso no Japão. Ela se mudou para o outro lado do mundo aos 10 anos e, ainda jovem, apaixonou-se pelas corridas de kart. 

Apesar de gostar da modalidade, foi no drift que ela se encontrou. Hoje, Cristiane é famosa na terra do sol nascente por ser uma das poucas mulheres a participar das corridas. Conhecida por lá como Nanami, ela costuma dizer que sua vontade de participar dos campeonatos de drift veio não só da paixão pelo esporte, mas também da falta de representatividade feminina nas corridas em geral.

Além do drift, Cristiane também participa de outras modalidades, como rali e provas de automobilismo, além de escrever sobre carros para publicações especializadas e  dar aulas de direção.

“Sempre gostei de ver carros e, um dia, tive a chance de pilotar um kart em Yamanashi. Me encantei e decidi seguir carreira. Consegui evoluir rapidamente, mas a gente pagava tudo por conta própria e não tinha muitos recursos. Depois de ir mal em uma corrida, resolvi procurar meu professor de pilotagem e aí surgiu a oportunidade de começar a praticar drift”, afirmou em uma entrevista.

Débora Rodrigues

Débora Rodrigues (Foto: Divulgação/Copa Truck)

Diferente de outras atletas da categoria, a história de Débora Rodrigues, 53 anos, no automobilismo começou mais tarde. A atual pilota de Copa Truck ganhou fama nacional ao ser descoberta pela “Playboy” quando ainda era integrante do Movimento Sem Terra (MST), em 1997. Na época, o ensaio nu gerou grande repercussão e ela acabou sendo convidada por Silvio Santos para apresentar o programa “Fantasia”, no SBT.

Débora chegou a atuar como repórter do “Siga Bem Caminhoneiro”, também na emissora do dono do Baú da Felicidade. Mas o primeiro contato profissional com o automobilismo aconteceu durante a gravação de um programa de Otávio Mesquita. Ela precisou pilotar um caminhão e se apaixonou pela categoria. O sentimento é justificado: Débora é filha de caminhoneiro e aprendeu a dirigir aos 12 anos. 

Um ano depois do programa, a paranaense – que já havia trabalhado como babá, frentista, recepcionista e secretária – conseguiu concretizar o desejo de correr oficialmente em uma competição. Em 1998, disputou a primeira corrida na extinta Fórmula Truck, atual Copa Truck. Apesar de outras mulheres terem competido ao lado dela, nenhuma permaneceu no esporte. Há mais de 20 anos, Débora pilota o seu caminhão em competições por todo o Brasil. 

Graziela Fernandes

Graziela Fernandes (Foto: Reprodução/Youtube)

Aos 73 anos, Graziela Fernandes também fez história no automobilismo. Apaixonada por automóveis, iniciou sua trajetória profissional na década de 1960. Aos 16 anos, ganhou o seu primeiro carro de corrida, um Willys Interlagos, e participou da prova feminina das 100 Milhas da Guanabara, no Rio de Janeiro, prova na qual conquistou o 3o lugar.

Ainda jovem, fez um curso técnico de engenharia de motores, que contribuiu para aproximá-la do sonho de correr na pista da Alfa Romeo, marca campeã na Itália e em todo o mundo.

Em 1966, foi uma das responsáveis por organizar a primeira participação feminina na prova dos 1000 Quilômetros de Brasília. Em 1969, um de seus sonhos se realizou: Graziela conseguiu, finalmente, pilotar um Alfa Romeo ao ser convidada pela equipe Jolly a fazer parte do time de pilotos. Com um Alfa GTA, disputou as 1000 Milhas de 1970 e ficou em 7o lugar entre mais de 50 carros.

Apesar de ter nascido no Paraguai, Graziela se naturalizou brasileira muito cedo e sempre considerou o Brasil como o seu verdadeiro país. Em 1973, parou de competir, depois de ser dispensada pela equipe. Ela conta que, na época, até recebeu um convite para correr na Stock Car em um Opala, mas recusou. Gostava mesmo era da marca italiana.

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Longe das pistas, o amor pela pilotagem não desapareceu. Pelo contrário. Graziela começou a pilotar aviões e conseguiu tirar o certificado de Piloto de Linha Aérea (PLA), sendo a primeira mulher a conseguir esta que é a mais alta graduação para um piloto de avião no Brasil. Ela acumulou mais de 7.000 horas de voo em 31 anos.

Em 1983, no entanto, Graziela voltou ao asfalto para competir nas Mil Milhas Brasileiras, em Interlagos, ao lado do seu marido, Carlos Alberto dos Santos. No mesmo ano, fez dupla com Maria do Carmo Zacarias a bordo de um Fiat 147 nas 12 Horas do Rio de Janeiro, em Jacarepaguá. A dupla largou em 44º lugar, mas não chegou à final. Aquela foi sua última competição oficial, interrompida por uma falha mecânica.

Julia Ayonb

Julia Ayoub (Foto: Divulgação)

Assim como Antonella Bassani, a jovem de 16 anos também foi selecionada para participar por duas vezes da FIA – Girls on Track. Em 2020, Julia ficou entre as quatro finalistas da competição, mas não venceu. 

Neste ano, das oito pilotas, quatro seguiram para a final. Julia, que compete na categoria Sênior, destinada às competidoras com mais de 14 anos, estará na corrida ao lado da russa Victoria Blokhina e das espanholas Laura Camps Torras e Clarissa Dervic. Caso a catarinense se consagre campeã, terá vaga garantida no grid da Fórmula 4 Italiana em 2022. O resultado será anunciado no dia 13 de novembro. 

O currículo de conquistas de Julia é extenso. Em 2019, ela foi a primeira brasileira a competir no Mundial de Kart após se sair muito bem na seletiva Richard Mille/Birel Art de Kart, no ano anterior. Foi, ainda, campeã da categoria feminina no Troféu Ayrton Senna de Kart, realizado em Birigui, interior de São Paulo, no início de 2020.

A jovem promessa do kart começou a competir aos 11 anos. Foi influenciada pela paixão do pai e do irmão, entusiastas da categoria. “Depois que me sentei em um kart, não consegui mais viver sem o barulho dos motores, o cheiro de gasolina e todo este ambiente de competição maravilhoso”, disse em uma entrevista.

Suzane Carvalho

Suzane Carvalho (Foto: Divulgação)

O sonho de Suzane Carvalho, 57 anos, sempre foi ser pilota de automobilismo. Ela deu os primeiros passos no esporte em 1989 e, como a maioria dos corredores, iniciou no kart. Naquele mesmo ano, foi campeã brasileira. 

Ao longo da carreira, Suzane também correu na Fórmula 1600, Fórmula Ford, Fórmula 2000 canadense e Fórmula 2000 italiana. Em 1992, foi campeã brasileira e sul-americana da Categoria B da Fórmula 3 – primeira vez na história do automobilismo mundial que uma mulher conquistou tal título. Graças ao feito, entrou para o “Guinness Book” e foi eleita a Esportista do Ano pelo programa dominical “Fantástico”. Em 1993, participou das Mil Milhas de Interlagos guiando um carro de Stock Car. Ficou com o 3o lugar do pódio.

Com a repercussão, Suzane recebeu uma proposta para testar um carro de F1 pela equipe Larrousse, mas não aceitou o convite alegando que aquilo era apenas uma estratégia de marketing, que não havia intenção real de contratá-la. 

No ano seguinte, Suzane não conseguiu correr novamente na categoria por falta de patrocínio. Só em 1997 pode viabilizar sua participação em três etapas do Campeonato Carioca de Kart e do Campeonato Sul-Americano de F3, além de uma temporada completa no Campeonato Carioca de Carros de Turismo, competição na qual foi jogada para fora da pista em todas as etapas. Suzane descobriu, tempos depois, que os outros pilotos faziam um sorteio em cada uma das provas para definir quem seria o responsável por eliminá-la.

Em 1998, a pilota foi para a Inglaterra e disputou a Palmer Audi, prova na qual também sofreu com o preconceito, pois a equipe lhe dava um equipamento inferior aos dos demais participantes. 

Em 1999, assinou contrato com a prefeitura do Rio de Janeiro e foi correr na Indy Lights Pan-Americana. Os problemas por ser uma mulher em um ambiente masculino continuaram. Depois de três etapas, a prefeitura não lhe pagou o que devia, levando-a a assinar contrato com a Coppertone. Após duas etapas, Suzane foi vítima de novo calote.

Nos anos seguintes, sem patrocínio, ela não tinha mais como competir. Ela só voltaria a pilotar em agosto de 2011: a bordo de um carro de Fórmula 3, disputou a etapa do Rio de Janeiro da F3 Sul-Americana na classe Light.

Hoje, Suzane comanda o Centro de Treinamento de Pilotos, seu próprio negócio. Ela ministra aulas de formação e treinamento de pilotos e de direção defensiva, além de manter uma equipe de competição de kart.

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