Inflação é a batata quente do governo

Notícias quentes do mercado financeiro, por Luciene Miranda
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Inflação não é brincadeira. Talvez quem seja da geração nascida sob a proteção do Plano Real, criado em 1994, não entenda os danos à sociedade causados por uma inflação descontrolada.

Eu era pequena e ficava na fila da carne, do café e de outros itens básicos com meus pais. Estas filas aconteciam porque havia desabastecimento destes produtos. A vizinhança comentava: “Olha, vai chegar carne ao açougue” ou mesmo “Parece que terá frango na mercearia hoje à tarde” e lá íamos nós, em busca da sobrevivência, esperar horas na fila para comprar estes produtos com limite de unidades por pessoa.

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O desabastecimento ocorria por produtores manterem produtos retidos nos estoques para esperar o preço subir e, só depois, levá-los ao comércio. Ou então como represália quando o governo resolvia “tabelar” os produtos, ou seja, impor preços. Era um inferno em vida. As pessoas recebiam os seus salários e corriam, literalmente, ao mercado para comprar um pouco mais do que conseguiriam se esperassem 10 ou 15 dias para abastecer a casa. Aquelas maquininhas de colocar preços nos produtos (ainda não existia o código de barra) eram vistas como armas contra o consumidor.

Eu acho que qualquer tentativa de descrever o período é vã porque trauma é trauma. Só quem passou pela situação reconhece o problema.

Depois de quase três  décadas de estabilidade com o Plano Real que tem base na responsabilidade fiscal de municípios, estados e união, vemos a inflação voltar a assustar. Ontem, o IPCA-15, que é uma prévia da inflação oficial medida pelo Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), veio com alta de 1,20% em outubro em relação a setembro, na maior alta para o mês desde 1995. O indicador derrubou a bolsa ontem e segue reverberando nesta quarta-feira (27).

O que potencializou o efeito de um IPCA-15 acima do esperado é que o índice foi conhecido durante uma reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, que começou ontem e terminará hoje à noite com o anúncio da nova taxa básica de juros do país.

Nestes dois dias de reunião, diretores e o presidente do BC discutem a economia e como a taxa, também conhecida como Taxa Selic, pode ajudar no controle da inflação. Após a divulgação do IPCA, o mercado aumentou as apostas para uma alta desta taxa em 1,5 ponto percentual, de 6,25% para 7,75% ao ano. Só hoje à noite iremos conhecer a taxa com a divulgação pelo BC.

A economista Cristiane Mancini lembra que os juros básicos mais elevados deixam tudo mais caro, o que é o plano do BC para tentar frear a inflação. Menor consumo, tendência de queda de preços. Mas o impacto na economia é forte e doloroso. “Para a população em geral, encarece financiamentos para a aquisição de imóveis e automóveis, por exemplo, e dificulta a tomada de crédito para a aquisição de maquinário e tecnologia pela indústria, além de prejudicar o saneamento de dívidas adquiridas por causa da pandemia”, explica.

Quando o governo não controla os gastos, não tem um compromisso fiscal com o país, como estamos vendo atualmente, joga a batata quente para o Banco Central. E se a situação já está neste nível agora, imagine após a aprovação da PEC dos precatórios e o aumento do teto de gastos do governo para bancar programa social, benefício para combustível de caminhoneiros, aumento de verba para fundo eleitoral entre outros itens sendo discutidos neste momento na Câmara dos Deputados.

Eu não sou uma pessoa pessimista, mas deixo aqui meu conselho. Vamos acompanhar atentamente a situação para estarmos preparadas para os tempos difíceis que estão por vir.

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