5 dicas para evitar o Burnout, que passará a ser considerada doença do trabalho em 2022

Brasil é o segundo país com maior número de pessoas afetadas pela doença
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Burnout
Síndrome de Burnout piorou saúde mental de 62% das brasileiras durante a pandemia, segundo o Instituto FSB (Foto: Anna Tarazevich/ Pexels)

Tão comum quanto silenciosa, a Síndrome de Burnout afeta cerca de 33 milhões de brasileiros, segundo uma pesquisa do International Stress Management Association (ISMA-BR). Relacionada ao trabalho, a doença apresenta sintomas como cansaço excessivo, estresse, dor de cabeça frequente e fadiga, e, por isso mesmo, pode ser ignorada, já que é facilmente confundida com a exaustão provocada pelas atividades cotidianas. 

A síndrome, que tem a segunda maior incidência mundial no Brasil, afetou de maneira ainda mais grave as mulheres brasileiras durante a pandemia. Conforme um relatório divulgado pelo Instituto FSB neste ano, 62% delas alegaram ter a saúde mental afetada de modo mais intenso no período. Quanto aos homens, apenas 45% fizeram a mesma afirmação. 

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Para a psicóloga Micheli Santos, esse dado se deve à pressão sofrida pelas mulheres com o acúmulo de funções no isolamento social, como os cuidados da casa, filhos, animais de estimação, limpeza, compras e outras tarefas domésticas. “Ainda é necessário equilibrar a rotina de trabalho remota ou híbrida com todas essas atividades, por isso a cobrança é redobrada”, diz. 

A Síndrome de Burnout será incorporada na 11º edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, a CID-11, em 2022. A inclusão acontece dois anos após a conferência da OMS que determinou a Burnout como “estresse crônico de trabalho que não foi administrado com sucesso”, segundo o texto oficial da reunião. 

Agora que passará oficialmente a integrar o código como doença desencadeada pelo trabalho, a Síndrome de Burnout deve se tornar uma preocupação para os empregadores, que podem ser responsabilizados pelo seu surgimento, como explica a psicóloga e autora de livros sobre a ciência do sentir, Beatriz Breves. “Cada caso deve ser visto individualmente, mas, sem dúvida, se uma pessoa trabalha sob pressão permanente e temendo perder o emprego, isso costuma gerar níveis de angústia e sofrimento muito elevados, o que seria um primeiro passo para a síndrome.”

Burnout
Beatriz Breves, psicóloga, física e escritora, com 9 livros publicados, 8 deles sobre a Ciência do Sentir (Foto: Laisa de Souza/ Divulgação)

Beatriz destaca que para evitar a doença, é essencial que haja equilíbrio entre as esferas biológica, psicológica e social. “Todos precisamos ser atendidos no campo biológico (corpo), no campo da psique (sentir um mínimo de satisfação) e no campo das relações sociais (manter interações interpessoais satisfatórias).”

Para a mestre em psicologia positiva Adriana Drulla, a empresa deve investir na saúde mental e emocional dos colaboradores para inibir a ansiedade. “Como as pessoas passam grande parte do dia no trabalho e, frequentemente, desempenham múltiplas funções em casa, não sobra tempo para o autocuidado. Em vez de permitir que o funcionário se sinta mal por ter que ir à terapia nos dias de semana, a empresa precisa incentivar esse comportamento e até custear parte do tratamento terapêutico, por exemplo”, explica. 

Além das iniciativas que devem partir das companhias empregadoras para evitar que os funcionários desenvolvam o Burnout, as especialistas dão algumas dicas para que, de maneira individual, o trabalhador possa manter-se distante da doença. 

Veja, a seguir, 5 recomendações das psicólogas Adriana Drulla e Beatriz Breves para evitar a Síndrome de Burnout:

Desenvolva a resiliência emocional 

Adriana Drulla diz que é necessário ter resiliência emocional para conviver em ambientes pouco previsíveis, que desencadeiam situações inesperadas e, muitas vezes, caóticas para quem precisa lidar com elas. “Quando nós mesmos nos acolhemos, saímos do sistema de ameaça e conseguimos agir com mais sabedoria e criatividade. Em termos cerebrais, não conseguimos fazer isso com eficiência em um cérebro tomado pela ansiedade e pelo medo.”

LEIA MAIS: Saúde mental da mulher: tema ganha urgência no mercado de trabalho

Evite a competição no ambiente de trabalho 

A especialista em psicologia positiva também reforça que, para esquivar-se do surgimento do Burnout, é imprescindível evitar também a competição no trabalho. Adriana reforça que priorizar a cooperação em vez dos instintos competitivos é essencial para sair do estado de alerta, que causa estresse. 

“É preciso integrar visões diversificadas para dar resposta aos desafios. Também para cooperar, conseguir reconhecer o valor das opiniões do outro e tolerar os imprevistos sem ter que buscar culpados, precisamos nos sentir seguros. Quando o ser humano se sente ameaçado, tende a querer provar o próprio valor a partir da incompetência do outro”, acrescenta. 

Adriana Drulla, mestre em psicologia positiva e pós graduada em Terapia Focada em Compaixão (Foto: Divulgação)

Busque o autoconhecimento

Outro ponto importante para que o Burnout não se torne uma realidade é analisar a si mesmo. Para compreender quais aspectos geram mais estresse e ansiedade, e desvendar as formas de lidar com esses sentimentos, é essencial estar atento aos alertas que o corpo e a mente emitem. “Para cuidarmos de nós mesmos em momentos de imprevisibilidade, é importante entender como funcionamos”, reforça Adriana. 

Tenha autocompaixão

A psicóloga Adriana Drulla também aconselha que a autocompaixão seja desenvolvida diariamente para escapar do Burnout. Para ela, é muito importante estimular a autoestima nesse processo, já que, assim, é possível conquistar mais segurança e consciência das capacidades pessoais. “A autocompaixão é sobre sermos apoio para nós mesmos. Seja para o nosso crescimento pessoal ou profissional, é preciso nos conectarmos com o nosso valor interno e termos mais autocompaixão”, afirma. 

Ela também ressalta que, em vez de negar o sofrimento, as pessoas devem entender que ele é inerente à condição humana. “Quando você entende que as suas dificuldades são parte da experiência comum e não provas de incompetência ou fraqueza, fica mais fácil acolher o que você sente com o terceiro elemento da autocompaixão, a autogentileza”, completa.  

Reserve tempo para si mesmo

Para que o estresse exacerbado não tome conta da rotina, a psicóloga Beatriz Breves aponta que é fundamental reservar um tempo para as atividades e interesses pessoais. Nesses momentos, o lazer e os desejos devem ser priorizados para que o trabalho não ocupe os espaços que são destinados ao descanso. A especialista ainda indica que as pessoas busquem se exercitar, meditar e praticar esportes, além de se envolver com tarefas que promovam prazer e sejam gratificantes. 

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