Setor financeiro sofre com apagão de talentos devido à falta de qualificação e conservadorismo na carreira

Dificuldade em atrair novos profissionais faz com que bancos apostem em salários maiores e mais benefícios
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Cenário é desafiador para recrutadores de bancos e instituições financeiras (Foto: Pexels)

A falta de qualificação, aliada ao desinteresse por novas oportunidades profissionais, vem configurando um apagão de talentos no setor de bancos e outros serviços financeiros. 

Segundo pesquisa promovida pela consultoria de seleção executiva PageGroup,  oito a cada dez candidatos do segmento não estão dispostos a trocar de emprego. Entre as principais causas para a recusa de novas vagas estão promoções, contrapropostas salariais e até movimentações para outras áreas da empresa. 

Para Juliana França, gerente sênior da área de bancos e serviços financeiros da Page Personnel e Michael Page, esse padrão de comportamento configura um desafio para os recrutadores do segmento,  que precisam lidar com candidatos cada vez menos experientes e, ao mesmo tempo, mais conservadores com a própria carreira. 

Segundo o levantamento, as posições com maior escassez de mão de obra qualificada incluem crédito, controladoria, vendas e planejamento. 

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“É uma tempestade perfeita para um cenário mais adverso”, afirma. “Estamos vivenciando uma escassez de talentos – temos muitas posições abertas e profissionais que não atendem aos requisitos”, resume. 

Ascensão de startups e retenção de talentos dificulta movimentação

Para a especialista, a dificuldade em atrair novos talentos não é algo novo no setor bancário e financeiro. Pelo contrário: devido à cultura das grandes companhias, os profissionais costumam ser incentivados a permanecer em uma mesma posição por mais tempo do que em outros setores.

“O mercado financeiro é mais tradicional. Ficar menos de um ano na empresa marca o currículo e você precisará explicar os motivos dessa saída repentina. Precisa ser uma decisão muito boa de salário ou algum caso de oferta irrecusável. Se não for nada disso, essa mudança pode ‘queimar o filme’ do candidato”, detalha.

Outro fator que pode ter intensificado a escassez de profissionais é a ascensão de fintechs, pontua a especialista. Isso porque, uma vez insatisfeitos com o modelo de trabalho em bancos e instituições financeiras convencionais, os colaboradores acabam optando por migrar para novos modelos de negócio, como startups. 

Por outro lado, a dificuldade em encontrar profissionais qualificados aumenta a necessidade de retenção de talentos por parte das empresas. Esse esforço, por sua vez, torna ainda mais árdua a tarefa de atração de novos funcionários. Segundo a consultoria, quase 60% das companhias oferecem contrapropostas salariais na tentativa de manter a equipe. Na quase totalidade dos casos, a oferta de aumento acaba sendo aceita pelo colaborador. 

“Há, ainda, profissionais relatando promoções e até mesmo mudanças internas quando recebem uma proposta de emprego. É o quadro que tem se desenhado atualmente”, diz Juliana. 

Escassez de talentos traz impacto negativo para empresas 

Uma das consequências diretas desse apagão de talentos é a dificuldade em concluir processos seletivos. De acordo com a gerente, o tempo médio para o recrutamento de novos profissionais saltou de um mês para até 90 dias. “O RH precisou ampliar o mapeamento de candidatos, tendo um olhar mais acurado para perfis mais técnicos”, explica. 

Mas o prejuízo para bancos e instituições financeiras não param por aí: devido à concorrência com outros players do mercado, também foi necessário aumentar as remunerações e até os benefícios concedidos para os novos integrantes do time. Segundo a executiva, é necessário oferecer um salário, em média, 25% mais alto para tirar um profissional da concorrência.

Além disso, a escassez de mão de obra faz com que as empresas aceitem candidatos menos capacitados – o que resulta em menor rendimento e maior gasto com treinamento. 

“Profissionais mais juniores estão ocupando posições anteriormente dominadas por pessoas mais experientes. Essa nova dinâmica implica em treinamento, qualificação e definição de atribuições desses novos profissionais. Outro aspecto é a oferta de benefícios. Empresas que não oferecem vagas híbridas perdem muita atratividade”, contextualiza Juliana.

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