Juliana Hadad, cofundadora da DinDin, ensina como deixar empresas fundadas por mulheres atrativas para investidores

Especialista aponta dicas para preparação pessoal e operacional para impressionar os donos do dinheiro
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Juliana Hadad, cofundadora da DinDin, ensina como deixar empresas fundadas por mulheres atrativas para investidores
Juliana Hadad é head de relacionamento com investidores da Norte Invest, escritório especializado nos segmentos de alta renda e private (Foto: Hares Pascoal/Divulgação)

“Não é na primeira tentativa que a gente acerta. Eu já fali muitas empresas e isso me fez acumular experiência e resiliência para que, eventualmente, desse certo.” A frase é de Juliana Hadad, head de relacionamento com investidores da Norte Invest, escritório especializado nos segmentos de alta renda e private.

A economista de 28 anos, formada em Política e Economia pela New York University, em Nova York, e cofundadora do aplicativo para envio e recebimento de pagamentos DinDin – comprado pelo Bradesco em setembro do ano passado, por um valor não revelado -, sabe que as mulheres enfrentam muitos desafios, inclusive velados, na tentativa de conseguir investimentos para seus negócios. E cita números para corroborar o que vai muito além de uma impressão. Segundo o estudo “Female Founders Report 2021”, 61,4% das mulheres entrevistadas já foram questionadas se “teriam condições” de conduzir o negócio durante um processo de capacitação. Além disso, 72,4% das fundadoras afirmam ter sofrido assédio moral vinculado a questões relacionadas a gênero e/ou à maternidade.

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O mesmo estudo, desenvolvido pela Distrito, B2Mamy e Endeavor, ainda apontou que os investidores tendem a preferir empreendedores em detrimento das empreendedoras durante o pitch, mesmo quando o conteúdo do argumento de venda é exatamente o mesmo.

Juliana, que tem se dedicado a ajudar empreendedoras a conseguirem alavancar seus negócios, explica que, para que um negócio receba investimento, é importante pensar na parte operacional e na pessoa física por trás da solução ou do produto oferecido. Ou seja, a mulher empreendedora, por enfrentar uma barreira de entrada maior do que os homens, precisa também se preparar para entrar no mundo dos negócios.  

Pessoa física: Como enfrentar desafios

Para Juliana, o sucesso passa pela confiança e resiliência. “Nós, mulheres, vamos ouvir muitos ‘nãos’. Mas saber lidar com isso é essencial. Para os homens, parece bem mais fácil, mas temos a síndrome da impostora”, diz. Segundo ela, uma forma de contornar o problema é ser confiante e exercer a lógica. “Em geral, o futuro repete as tendências do passado. Se tudo o que eu fiz até agora foi bem-sucedido, a lógica, a princípio, é que isso continue acontecendo. Particularmente, é isso que me conforta: saber que o que alcancei  até aqui me dá confiança para o que eu for conquistar no futuro.” 

A especialista ainda aponta que o sucesso de uma empreendedora começa e termina no networking. “É preciso se envolver no cenário do seu negócio, ir a palestras e eventos, realmente fazer um esforço para conhecer todas as pessoas que puder do ecossistema.” 

Outra sugestão é investir no autoconhecimento. “Trabalhe com a sua força. Todo mundo tem uma área na qual é melhor, então não tente ficar fugindo dela.”

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A economista alerta, ainda, que é natural que as ideias para uma solução mudem com o tempo. “Ela pode ser muito boa, mas quanto mais você pensar sobre ela, mais alterações ela vai sofrer. Por isso, não se encante e não se apegue à sua ideia.” Juliana reforça que é essencial ser uma pessoa capaz de mudar de forma rápida, engenhosa e direta. 

Tudo isso faz com que a empreendedora esteja preparada para uma conversa com os investidores. “Quando eu converso com alguém, procuro saber tudo que essa pessoa gosta, leio reportagens sobre ela, fuço as redes sociais. Assim, meu discurso será preparado para introduzir assuntos dos quais ela goste e fazer analogias. A preparação acaba sendo mais importante para as mulheres, já que as barreiras são maiores.”

Como preparar o seu negócio

Assim como estar preparada do ponto de vista pessoal é importante, o mesmo vale para o negócio, que precisa ser atraente para os investidores. Para Juliana, um bom empreendimento é aquele que propõe uma solução capaz de resolver um problema enorme e, claro, que tenha mercado.

“Do ponto de vista financeiro eu não costumo ser atraída por negócios que resolvem problemas muito específicos, de nicho, ou que tenham um valor de mercado baixo. Geralmente tenho interesse por problemas óbvios. Isso significa que se você tiver que me explicar muito a fundo porque determinada solução funciona, eu tendo a não me interessar”, explica Juliana. 

Outro ponto importante para a especialista é fazer um benchmarking, ou seja, uma análise estratégica de comparação de negócios de um mesmo setor. “Se a ideia for muito boa, provavelmente já vai ter outras pessoas fazendo, mesmo que em outros lugares, e que conseguiram captar dinheiro. Algo que já tenha sido provado é sempre bom.”

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O benchmarking é, portanto, uma ferramenta de gestão que aprimora os processos de uma empresa com base em insights da concorrência. Isso implica em ter uma competição para a solução, o que Juliana aponta como essencial. “Isso faz com que o investidor olhe para um negócio e veja que ele já deu certo.” A especialista também reforça que, nesse ambiente de competição, ter um time capacitado – e melhor do que a concorrência – é um diferencial importante.

Por último, Juliana diz que, atualmente, estamos vivendo um período de ebulição no empreendedorismo, com muitos negócios sendo concebidos em prazos recordes, o que dificulta conseguir algum destaque. “Sua solução não precisa necessariamente ter um diferencial, mas seu time e sua preparação pessoal precisam se sobressair nesse universo de ideias, todas em busca de investimentos.”

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