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7 brasileiras que fazem a diferença na luta contra o racismo

Elas são filósofas, youtubers, jornalistas, escritoras, empreendedoras e executivas em busca de mais representatividade das mulheres negras no país
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 Rachel Maia, CEO da RM Consulting e conselheira de grandes companhias (Foto: Claudio Gatti/Divulgação)

O mês de novembro é marcado pelas celebrações, no próximo sábado (20), do Dia da Consciência Negra, instituída com o objetivo de denunciar a  persistência do racismo na sociedade brasileira. A origem da data é da década de 1970, em memória a Zumbi dos Palmares e à luta negra no país. Mas, oficialmente, apenas em 2003 entrou para o calendário escolar com a promulgação da Lei 10.639, que obrigou o ensino da história da África e das culturas afro-brasileiras na grade curricular.

Desde então, alguns avanços já foram conquistados, principalmente no debate público. Na prática, porém, o racismo ainda é muito presente no Brasil. Uma pesquisa encomendada pelo Grupo Carrefour Brasil revelou que 61% disseram já ter visto negros sendo discriminados em estabelecimentos comerciais como lojas, shoppings e supermercados. Entre a população preta e parda, o índice aumenta para 71%. 

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Já outro levantamento, desta vez do PoderData, mostrou que 81% dos brasileiros dizem que existe preconceito contra negros no país em função da cor da pele. Para 13% da população, o racismo não existe no país.

No caso das mulheres negras, o preconceito é ainda mais presente. Em 2019, a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a média salarial delas chegou a ser 70% menor do que a das mulheres brancas. Os dados revelaram, ainda, que a mulher negra com formação superior, por exemplo, recebe o salário médio de R$ 3.712 contra R$ 4.760 da mulher branca.

Em outras palavras, ainda há muito a ser alcançado para acabar com o racismo estrutural e velado no Brasil. E a mulher negra tem, indiscutivelmente, feito a diferença para mudar essa realidade. Conheça, a seguir, sete mulheres negras que se destacam em suas lutas por mais representatividade:

Djamila Ribeiro

A filósofa Djamila Ribeiro (Foto: Divulgação)

Filósofa, professora, escritora e ativista na luta antirracista e feminista no Brasil, Djamila é autora dos livros “O Que É Lugar de Fala”, “Quem Tem Medo do Feminismo Negro” e “Pequeno Manual Antirracista”. Ela começou a ganhar destaque nacional, principalmente pela internet, com os seus textos e postagens durante o mestrado em filosofia política feito na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Hoje, Djamila acumula mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e, com a conquista de tamanha popularidade, virou referência no tema, participando constantemente de programas de televisão.

A ativista também é a organizadora do selo Sueli Carneiro, que leva esse nome em homenagem a uma das principais intelectuais e figuras da luta contra o racismo. A iniciativa tem o objetivo de publicar produções literárias feita por mulheres brasileiras, em especial negras, indígenas e LGBTQIA+.

Gabi Oliveira

Gabi Oliveira (Foto: Reprodução/Instagram)

A youtuber, dona do canal De Pretas, conquistou espaço nas redes sociais ao abordar diferentes temas, como racismo, educação financeira e sua rotina como mulher negra. Moradora de Niterói, no Rio de Janeiro, e formada em relações públicas pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Gabi já tem mais de 600 mil inscritos em seu canal no Youtube e mais de 500 mil seguidores no Instagram. 

“É uma luta que a sociedade precisa travar, porque uma sociedade igualitária não é boa apenas para os grupos minoritários, é boa para todo mundo. A desigualdade mata talentos, mata potenciais. Um país com menos desigualdade tem mais possibilidade de crescimento”, disse durante uma entrevista em 2020. A youtuber leva representatividade à plataforma de vídeos e busca empoderar mulheres negras. Atualmente, é embaixadora da Seda, e considera que conseguiu “furar a bolha da internet” quando apareceu na TV aberta, em horário nobre, no comercial da marca, que mostrava trechos de sua trajetória.

Jandaraci Araújo

Jandaraci Araújo (Foto: Divulgação)

Cofundadora do Conselheira 101, programa lançado em agosto de 2020 com o objetivo de ampliar a presença de mulheres em cadeiras de conselhos, Jandaraci Araújo é professora de finanças corporativas em cursos de pós-graduação e consultora. Em 2019, palestrou na TEDxSão Paulo, quando abordou a ascensão profissional da mulher negra. No currículo, tem também um MBA em finanças e controladoria pela Fundação Getulio Vargas, MBA Executivo pela Fundação Dom Cabral, especialização em gestão estratégica pela Business School e especialização em inteligência competitiva pela ESPM.

Jandaraci ocupou a subsecretaria de Empreendedorismo, Pequenas e Médias Empresas do Estado de São Paulo, e foi a primeira mulher negra a ocupar o cargo de diretora-executiva do Banco do Povo desde a criação da instituição, em 1997. “Foi vendendo salgados que consegui minha primeira oportunidade”, conta.

Nascida na Bahia, Janda, como é conhecida pelos amigos, é a caçula de uma família de seis irmãos. “Sou mulher, preta e nordestina e na minha vida sempre tive que batalhar para proporcionar um futuro melhor às minhas filhas.” Atualmente, também é conselheira da Women in Leadership in Latin America (WILL), ONG voltada para o empoderamento feminino nas organizações. Em breve, lançará o livro “Mulheres nas Finanças”, com o objetivo de contar sua trajetória e experiência.

Luana Génot


Luana Génot, do ID_BR (Foto: Divulgação)

Fundadora do Instituto Identidades do Brasil (ID_BR), iniciativa que tem o propósito de acelerar a igualdade social no Brasil, Luana Génot é natural do Rio de Janeiro. Concluiu a graduação em publicidade e se especializou em raça, etnia e mídia pela Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos. Também é autora do livro “Sim à Igualdade Racial”, no qual faz um raio-x da influência da cor da pele na trajetória profissional e aponta caminhos para a mudança.

Luana passou a infância na Penha, Zona Norte carioca. Sempre sonhou em ser modelo e conseguiu realizar o desejo em 2008, quando subiu à passarela pela primeira vez no Fashion Rio. Durante a carreira, trabalhou em países como Bélgica, África do Sul, Inglaterra e França, onde desfilou para Paco Rabanne e Saint Laurent. Quando retornou ao Brasil, sentiu que a oferta de trabalho como modelo era muito limitada. Ela, então, desistiu da profissão e se dedicou aos estudos. 

No currículo, Luana também tem a atuação como voluntária na segunda campanha presidencial de Barack Obama e o trabalho na agência Burrell Communications – sob a liderança de Maggie Williams, ex-chefe do staff da primeira-dama Hillary Clinton, na Casa Branca.

Nina Silva

Divulgação
Nina Silva (Foto: Divulgação)

No último dia 2 de novembro, Nina Silva foi eleita a mulher mais disruptiva do mundo em uma cerimônia do Women in Tech Global Awards, evento realizado em Portugal. Ela é CEO do Movimento Black Money e da fintech D’Black Bank. 

“Para além de um título, esse é um momento de representação de um povo que ainda está invisível. Sabemos que existem vários corpos negros fazendo trabalhos fenomenais na área de tecnologia, ciência, finanças e em outros mercados dominados por homens brancos. Me sinto porta-voz de todas essas pessoas”, disse, ao receber o prêmio. 

Nina é executiva da área de tecnologia há mais de 20 anos. A motivação para fundar o Movimento Black Money foi criar um espaço de incentivo e empoderamento de jovens negros no mundo dos negócios. O projeto conecta empreendedores e consumidores para vendas online de diversos lojistas. Já a startup D’BlackBank oferece serviços financeiros para a população negra.

Rachel Maia   

A empresária Rachel Maia (Foto: Joy Yamamoto/Pandora)

Rachel Maia atuou como CEO e conselheira em companhias do porte de Tiffany & Co, Novartis, Pandora e Lacoste. Nascida na periferia de São Paulo, formou-se em ciências contábeis, fez pós-graduação em finanças na USP e cursou especializações em instituições renomadas, como FGV, Harvard e University of Victoria. Sua longa carreira como executiva já dura 28 anos.

Atualmente, Rachel presta consultoria por meio de sua própria empresa, a RM Consulting. Recentemente, lançou a biografia “Meu Caminho Até a Cadeira Número 1”. “Com uma experiência de quase 30 anos em alta gestão, eu tenho a responsabilidade de impulsionar outras mulheres negras a também chegar à alta liderança”, disse durante uma entrevista. “As pessoas precisam entender que a pluralidade tem que estar no olhar. Somente assim a gente vai passar a ter líderes negros, pretos, pessoas de pele parda ou retinta sentados nas cadeiras de presidente.”

Vivi Duarte 

Vivi Duarte (Foto: Divulgação)

A jornalista Vivi Duarte trabalhou como vendedora de lojas e atendente de telemarketing até se tornar diretora de multinacionais. Ela fundou, em 2010, o Plano Feminino, uma empresa com a proposta de trazer diversidade de raça e gênero à propaganda, área na qual passou a trabalhar.

Seis anos depois, ela criou o Plano de Menina, um braço social da companhia focada em meninas jovens da periferia. A ideia é que esse grupo possa sonhar e ter um futuro melhor, apesar das dificuldades. 

A empreendedora diz que uma das primeiras barreiras do projeto foi a falta de autoestima das garotas. “As coisas que ouvíamos delas eram muito pesadas. Casos de bullying, racismo, preconceito e machismo. As pessoas vão invalidando os pequenos sonhos que essas meninas têm, comparando seus destinos aos de suas mães, muitas vezes presas, dizendo que não vão muito longe'”, disse numa entrevista. 

O instituto atua hoje em dez estados brasileiros e já atingiu cerca de 2.000 meninas, conectando 120 delas a vagas de emprego só em 2020, durante a pandemia da Covid-19. 

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