Dólar passa a cair ante real após dados domésticos melhores do que o esperado e inflação segue no radar

Na véspera, a moeda norte-americana à vista registrou salto de 1,55% contra o real, a R$ 5,3053 na venda, replicando uma onda de compra de dólares no exterior
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O dólar passava a cair contra o real hoje (13), depois de apresentar fortes ganhos na véspera, à medida que os participantes do mercado reagiam a dados domésticos melhores do que o esperado, acompanhando também os temores globais sobre a inflação norte-americana.

Às 10:29, o dólar recuava 0,06%, a R$ 5,3019 na venda, enquanto o principal contrato de dólar futuro perdia 0,03%, a R$ 5,3115.

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Na véspera, a moeda norte-americana à vista registrou salto de 1,55% contra o real, a R$ 5,3053 na venda, replicando uma onda de compra de dólares no exterior após dados de inflação bem acima do esperado nos EUA turbinarem apostas de redução de estímulos por lá.

O índice de preços ao consumidor norte-americano saltou 0,8% no mês passado, o maior ganho desde junho de 2009, ficando bem acima das expectativas de alta de 0,2%. A leitura do núcleo do índice, que exclui componentes mais voláteis, avançou 0,9%.

“Uma inflação mais forte nos EUA pode justificar um aumento de juros antes do esperado pelo Federal Reserve, o que deixaria o dólar mais atrativo”, explicou à Reuters Thomás Gibertoni, analista da Portofino Multi Family Office.

Ainda assim, disse ele, há vários fatores favoráveis a um real mais valorizado.

“O Brasil vem mostrando dados acima do esperado, inclusive o IBC-Br, que saiu hoje. Além disso, começamos a ver um movimento de alta de juros no país, uma balança comercial favorável e os preços das commodities em níveis historicamente altos.”

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O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve queda de 1,59% em março na comparação com o mês anterior, de acordo com dado dessazonalizado divulgado pelo BC nesta quinta-feira. O resultado veio melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters, de queda de 3,75%,.

Em relação à política doméstica, os investidores monitoravam com cautela a CPI da Covid-19 depois de uma quarta-feira tensa no Senado. Em seu depoimento, o ex-secretário de Comunicação Social da Presidência da República, Fabio Wajngarten, chegou a ser acusado de mentir e foi ameaçado de prisão.

“Sem surpresa, mas como destaque, o depoimento trouxe novamente à luz a negligência do governo na obtenção de vacinas” contra a Covid-19, disse em nota Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos. “O mercado vê a rejeição do presidente Jair Bolsonaro explodir enquanto a CPI (…) segue a todo vapor.”

Para Gibertoni, da Portofino, os sinais de enfraquecimento do apoio ao governo “preocupam menos pelas eleições (presidenciais de 2022) e mais pela perda de governabilidade.”

Ele ressaltou que isso pode “atrapalhar a agenda de reformas do governo, e um cenário nebuloso nessa frente atrapalha uma valorização mais forte do real”.

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O Banco Central fará neste pregão leilão de swap tradicional para rolagem de até 15 mil contratos com vencimento em novembro de 2021 e março de 2022.

(com Reuters)

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