Com juros mais baixos para as mulheres, ELLEBANK é lançado no Brasil

Com um conceito disruptivo, banco digital vai oferecer serviços voltados especificamente para a realidade do público feminino
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Francine Mendes, CEO e fundadora do ELLEBANK (Foto: Divulgação)

O Brasil avançou muito pouco na igualdade de gênero nos últimos anos. Embora sejam essenciais na força laboral do país, as mulheres ainda sofrem com a desigualdade salarial. Em todos os estados e no Distrito Federal, a remuneração média delas é inferior à dos homens. Um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que as mulheres ganham 20,5% menos do que eles em todas as ocupações selecionadas na pesquisa.

E se levarmos em conta outros indicadores, o cenário piora. Elas trabalham por mais tempo, três horas a mais por semana, entre serviços remunerados, afazeres domésticos e cuidados de pessoas, e vivem por mais anos, mesmo ganhando menos. Em 2019, a expectativa de vida das brasileiras era de 80,1 anos, ante 73,1 anos dos homens. Os dados também são do IBGE.

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Como resultado dessa desigualdade, elas continuam sendo mais pobres até na velhice. A realidade da mulher e esses dados tão alarmantes sempre chocaram a economista Francine Mendes, que tem como meta mudar essa realidade. 

Com esse objetivo, ela decidiu fundar um banco digital pensado por mulheres para mulheres, o ELLEBANK, que acaba de ser lançado. A plataforma promete juros mais baixos para o público feminino, além de produtos desenvolvidos especificamente para amparar as mulheres em momentos cruciais da vida, como seguro-divórcio, seguro-maternidade e seguro-viuvez.

Francine, que também é a fundadora da femtech de saúde financeira e emocional Elas Que Lucrem, explica que a ideia é oferecer serviços financeiros voltados para a realidade das mulheres, que muitas vezes passam por pausas na carreira, pagam mais caro por produtos e ganham menos do que os homens.

“O que vemos hoje é um mercado financeiro absurdamente composto por homens e, por isso, as decisões não são voltadas para as mulheres. Vamos dar o protagonismo que elas merecem. Hoje, os bancos físicos ou digitais que são focados em todos, sem a especificação, muitas vezes esquecem que a realidade das mulheres é completamente diferente, ainda mais a mulher atual, que quer ir à luta, ser independente e ter autonomia. Só que, ao mesmo tempo, elas pagam mais caro por tudo, mesmo sendo responsável por 75% do consumo no mundo”, diz.

Sabe aquela ideia de que as mulheres gastam muito mais dinheiro do que os homens pelo simples fato de serem mais “perdulárias”? Talvez a realidade não seja bem essa. Uma pesquisa realizada em 2015 pelo Departamento de Defesa do Consumidor da cidade de Nova York comparou 800 produtos de cinco indústrias, em 35 categorias diferentes, com rótulos claros para mulheres e homens. A entidade descobriu que as mulheres pagam 4% a mais em roupas infantis; 7% em brinquedos e acessórios; 13% em produtos de higiene pessoal; e 8% em produtos de saúde para idosas/domiciliares e o mesmo índice em roupas de adultos. Das 35 categorias de produtos analisadas, 30 delas tinham preços mais elevados para as consumidoras.

“Precisamos entender que o dinheiro é feminino, é ela que compra mais, é ela que determina o consumo, influencia o poder de compra e que educa a sociedade. Mas por que não temos nada no mercado financeiro que atenda às necessidades delas?”, questiona a fundadora do ELLEBANK.

OLHA SÓ: Apesar dos debates sobre equidade, mulheres ainda são minoria absoluta no comando de instituições financeiras no país

Um outro levantamento, desta vez da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), também comprovou que as mulheres pagam mais caro só pelo fato de o produto ser destinado a elas – prática conhecida como “taxa rosa”. A pesquisa constatou que produtos cor de rosa ou com personagens femininos são, em média, 12,3% mais caros do que os convencionais. O estudo foi feito com base no comparativo de preços de artigos que são semelhantes, mas dirigidos a gêneros distintos.

Francine esclarece que entre as principais motivações para a fundação da instituição financeira está a falta de mulheres no sistema financeiro brasileiro. “Os bancos são chefiados por homens que não sabem ou não enxergam a realidade de mães, empreendedoras e trabalhadoras de qualquer setor”, justifica. “A minha história profissional e pessoal é permeada pelo sonho de ajudar as mulheres que, muitas vezes, têm jornada tripla e precisam de apoio financeiro e orientação educacional para conquistar autonomia.”

Um relatório do Guia dos Bancos Responsáveis, realizado com dados referentes a 2019 e 2020, mostrou que as mulheres brasileiras continuam sendo minoria absoluta na liderança de instituições financeiras nacionais. Entre os nove principais bancos do país – Banco do Brasil, BNDES, Bradesco, BTG Pactual, BV, Caixa, Itaú, Safra e Santander -, quatro deles (BNDES, BTG Pactual, BV e Safra) possuíam participação feminina nula no conselho de administração até 2019.

A presença de mulheres só superou a marca de 50% no quadro de funcionários em três instituições – Bradesco, Itaú e Santander. Nos cargos de diretoria, as profissionais representaram, em média, apenas 14,33% das cadeiras disponíveis nesse período.

Se o recorte for avaliar as CEOs, a situação piora. Atualmente, no Brasil, existem apenas três mulheres à frente de instituições financeiras: a química Ana Karina Bortoni, que lidera o BMG desde 2019 (também a primeira mulher CEO de um branco brasileiro), a cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira, que assumiu o posto em abril deste ano com a renúncia de David Vélez para comandar a operação global, e agora Francine Mendes.

Apesar de alguns avanços, a realidade financeira da mulher ainda é muito difícil, lembra a economista. “Ela é muito cobrada, há muitas demandas das empresas e dentro de casa porque, culturalmente e socialmente, fomos ensinadas a cuidar dos outros e o que a gente vê, na realidade, é que essa mulher está empobrecendo”, avalia. 

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Com previsão de entrar em operação em 2022, mas sem uma data definida, Francine revela que as 5.000 primeiras correntistas do banco digital terão direito a uma fração do ELLEBANK. “Elas serão sócias do banco e se sentirão parte da iniciativa. Queremos fazer algo para a mulher se sentir em casa e não ter vergonha de expor as suas dúvidas, já que elas não costumam aprender sobre investimento e como funciona a economia.”

Para isso, além dos serviços financeiros, a instituição também vai oferecer aulas de educação financeira e sessões individuais com assessoras de investimento, por meio da plataforma de cursos de inteligência emocional e financeira EQL Educar.

Francine argumenta que nenhuma mulher teve suas necessidades atendidas no mercado financeiro como terá na experiência com o ELLEBANK. Apesar de o foco ser no público feminino, os homens também podem se cadastrar – embora com benefícios diferentes daqueles que serão oferecidos para as mulheres.

Com o sonho de transformar o mercado financeiro brasileiro desde 2003, ano em que entrou na faculdade de economia, Francine diz que está realizada com o lançamento do banco. “Em 2005, eu montei o primeiro clube de investimentos de mulheres de Santa Catarina. Desde essa época, sou obstinada em querer que a mulher tenha saúde financeira para conquistar autonomia sobre a própria vida, porque assim ela consegue cuidar de todo o resto – do espiritual ao físico -, e se torna mais forte.”

A CEO do banco digital também afirma que, a cada compra com o cartão de crédito ou débito, a mulher vai acumular bônus que, posteriormente, serão depositados diretamente em uma conta de investimentos. O site do banco já está no ar e as interessadas podem solicitar seus convites.

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