Criptomoedas: veja quais as principais tendências do setor em 2022

Consolidação do mercado, volatilidade em ano eleitoral, crescimento de ativos, NFTs em alta e regulamentação no Brasil estão entre os principais destaques
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Usuários dessas moedas podem chegar a 1 bilhão até o final de 2022 em nível mundial (Foto: EnvatoElements)

Mais de uma década após a criação da primeira criptomoeda descentralizada, o bitcoin, as moedas digitais não pararam de crescer. Atualmente, existem mais de 8 mil criptoativos no mundo, que movimentam mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado, segundo dados do site de monitoramento “CoinMarketCap”.

Para ter uma noção do crescimento do setor, as criptomoedas dogecoin e ethereum estão na lista das dez notícias mais buscadas do mundo no Google em 2021. 

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Um relatório da Crypto.com revelou que, no ano passado, o volume global de criptomoedas aumentou 178%, passando de 106 milhões em janeiro para 295 milhões em dezembro. A pesquisa prevê, ainda, que os usuários dessas moedas podem chegar a 1 bilhão até o final de 2022 em nível mundial.

No Brasil, um estudo conduzido pela TripleA e pela corretora de criptomoedas Binance sugeriu que 10 milhões de pessoas já investem em criptoativos, o que coloca o país como o quinto maior mercado do mundo.

Apesar do crescimento, nem tudo são flores. Em novembro de 2021, o preço do bitcoin, a moeda pioneira, chegou a US$ 69 mil, valor máximo já alcançado. Dois meses depois, caiu para US$ 41,9 mil, uma derrocada de quase 40%. 

Por outro lado, o token Gala (GALA), por exemplo, saltou 52.000% no ano passado e foi o principal destaque da categoria. A cripto foi criada pelo estúdio Gala Games e pode ser usada como meio de troca em jogos online, na categoria play-to-earn, que quer dizer jogar-para-ganhar.

O que esperar de 2022

Apesar da volatilidade, o ano passado marcou a consolidação das criptomoedas e o crescimento de outros ativos, principalmente com o movimento de novos produtos e serviços desenhados para o metaverso.

Beibei Liu fundou a corretora de bitcoin NovaDAX em 2018 e hoje é CEO da empresa. Ela acredita que 2022 será o ano da diversificação das criptomoedas. Para a especialista, os traders terão cada vez mais opções de investimentos e precisam estar preparados para um cenário diverso.

“Cada vez mais empresas vão aceitar criptoativos como formas de pagamento, uma vez que é crescente o número de companhias privadas investindo no setor. Essas ações popularizam os criptoativos e os consumidores podem utilizar bitcoins, por exemplo, para fazer compras online. Essa tendência ganhará ainda mais força no próximo ano. Além disso, creio que celebridades continuarão atuando e afetando o mercado”, diz Beibei.

Camila Cabral, consultora tributária na Drummond Advisors, consultoria financeira e jurídica especializada em operações cross border entre Brasil e Estados Unidos, avalia que a leitura para 2022 é de um maior amadurecimento dos investidores e da própria tecnologia por trás das criptomoedas e demais criptoativos, principalmente com as transações que já estão acontecendo no ambiente do metaverso.

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“Mas, mesmo com essa expectativa, ainda se prevê volatilidade e instabilidade dos ativos, incluindo o bitcoin. Sabemos que 2022 é um ano de muitos eventos que afetam o cenário econômico. Com maior foco no Brasil, teremos a possível votação de projeto de lei referente a uma legislação específica para criptomoedas. Além disso, temos que considerar que o ano é eleitoral, algo que sempre movimenta muito o mercado”, explica a consultora.

A CEO da NovaDAX concorda e alerta que a potencial polarização política vai afetar o mercado financeiro, principalmente a bolsa de valores e as criptomoedas. “Os investidores têm que ficar atentos a essas oscilações para investir no momento certo, maximizando ganhos e minimizando perdas.”

Valquiria Matsui, head comercial de mercado de capitais da QI Tech, empresa de tecnologia com licença bancária, detalha que o bitcoin faz parte da estratégia de muitos fundos de investimentos e balanços de grandes companhias. “É um ativo que tem mostrado valor real para nações e pessoas em diversos sentidos. Primeiro porque é livre de inflação, uma vez que a oferta da moeda é fixa. Além disso, o preço relativo a outras moedas, como real ou dólar, depende apenas da livre movimentação de oferta e demanda do mercado. Sendo assim, no longo prazo, o bitcoin tende a ser um ativo de proteção patrimonial, assim como o ouro é utilizado em estratégias de defesa de portfólio.”

Ela pontua algumas tendências no mercado das criptomoedas para 2022. “Primeiro, muitos projetos estão correndo para buscar usabilidade para as grandes massas. Como cripto é uma evolução primariamente de backend, os aplicativos ainda não estão com experiências ótimas na ponta. A segunda tendência é usar os mecanismos de criptografia para validação de identidade. Uma pessoa que possui uma carteira cripto, por exemplo, poderá usá-la para se identificar em plataformas, serviços e até eventos físicos.” A especialista também acredita que a grande tendência deste ano será o surgimento de bibliotecas que vão acelerar o desenvolvimento de aplicações em blockchain.

Outras tendências

Flamengo vendeu 1 milhão de fan tokens em 12 minutos e bateu recorde mundial (Foto: Divulgação/Flamengo)

A fundadora da corretora de bitcoin NovaDAX listou três principais tendências para o mercado em 2022. Veja, a seguir, quais são elas:

Tokens de crédito de carbono

“Uma tendência que virá forte em 2022 são os tokens de crédito de carbono, como a MOSS (MCO2). Pessoas e empresas estão cada vez mais comprometidas com a conservação ambiental, portanto nada mais natural do que investir em um token lastreado em crédito de carbono usado para compensação de gases de efeito estufa. Muitos traders já estão investindo nesses tipos de criptoativos nos Estados Unidos, e acredito que acontecerá o mesmo no Brasil nos próximos meses.”

Fan tokens

“Atlético Mineiro, Cruzeiro, Corinthians e Flamengo são alguns dos clubes brasileiros de futebol que, nos últimos meses, lançaram produtos chamados de fan token que, basicamente, são um tipo de criptomoeda. O Flamengo (MENGO) estreou em 2021 quebrando o recorde mundial ao vender 1 milhão de tokens em 12 minutos. Acredito que outros fan tokens serão lançados ainda em 2022.”

NFTs

“Ano passado, os NFTs tiveram um grande crescimento e deram mais impulso ao mercado. Durante a pandemia de Covid-19, é mais provável que as pessoas busquem uma forma desintermediada de negociar ou investir, e essa é uma das origens do crescimento do NFT. Acredito que seja promissor, não só porque é uma força motriz para os criadores de arte ou jogos, pois eles têm maior autonomia sobre suas obras e as tornam mais lucrativas com o auxílio da tecnologia, mas também porque expande o mercado de criptoativos para uma comunidade maior.”

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Camila Cabral acredita, ainda, que dentre as moedas mais estudadas do momento, o destaque fica para ethereum, solana e lucky block. “Não dá para ignorar o bitcoin. Mas o ethereum tem sua relevância por ser o blockchain que hoje permite a maior tokenização de ativos. A solana é uma moeda que vem para competir com o ethereum. As transações ocorrem em velocidade bem alta e as taxas são relativamente menores. Já a lucky block é bem curiosa. É um projeto que usa o blockchain como uma espécie de loteria de jogos de azar.”

Como foi o ano de 2021

El Salvador foi o primeiro país do mundo a adotar oficialmente o bitcoin como moeda de curso legal em setembro de 2021. Apesar do feito, a decisão não foi bem aceita pela população salvadorenha, que foi às ruas para protestar contra o governo do presidente Nayib Bukele.

Quatro meses depois, a maioria da população ainda não usa a criptomoeda nas suas transações. É o que mostra uma pesquisa divulgada em janeiro deste ano. O levantamento do Instituto Universitário de Opinião Pública (IUOP), da Universidad Centroamericana José Simeón Cañas, de El Salvador, mostrou que 74,3% dos entrevistados nunca usaram o bitcoin.

“A medida ainda está em fase de aceitação e experiência por parte da população do país, porém demonstra uma tendência que pode ser seguida por outras nações”, destaca a CEO da NovaDAX.

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A consultora tributária da Drummond Advisors concorda e avalia que a ideia de consolidação da “economia cripto” também pode ser melhor observada quando olhamos para a valorização anual do bitcoin, que foi de quase 70%, mesmo com os altos e baixos.

“O ano passado também foi marcado pelo crescimento dos jogos play-to-earn, pois muitos investidores se sentiram atraídos pela possibilidade de ganho financeiro rápido, principalmente depois do sucesso do ‘Axie Infinity’. O mercado também foi surpreendido pelo anúncio da mudança de nome do Facebook para Meta, o que gerou um verdadeiro alvoroço com as perspectivas futuras do metaverso”, explica Camila. 

Beibei Liu conta que, em 2021, as quedas dos preços do bitcoin, do ethereum e das criptomoedas em geral nos últimos meses foram atribuídas a temores a respeito da propagação da variante ômicron. Ela cita que outro fator que contribuiu para as perdas foi a expectativa de que o Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, possa acelerar seus planos de retirar os incentivos monetários diante do cenário de inflação crescente e da retomada do mercado de trabalho.

Para adicionar mais pressão sobre o mercado de criptoativos, em maio do ano passado o Conselho Estatal Chinês publicou um memorando sobre uma reunião no país. Na ocasião, autoridades comentaram a possibilidade de reprimir especificamente atividades de negociação e mineração de bitcoin. “Sabemos que a China tem regulamentos rígidos sobre o mercado de criptografia, mas isso não significa que o país asiático está abandonando as possibilidades em uma variedade de tecnologias digitais. A China tem considerado cada vez mais que o blockchain pode se tornar um ativo econômico, político e geopolítico se bem orientado. Além disso, tem sido aplicado em diversos cenários, tanto que o governo chinês lançou sua própria moeda digital – o yuan digital”, acrescenta.

Criada pela Sky Mavis em 2018, Axie Infinity é baseado na rede ethereum e um dos jogos NFTs mais populares do mundo (Foto: Axie Infinity/ Divulgação)

Já para Valquiria Matsui, o grande destaque de 2021 foi o surgimento de muitas aplicações “phygital”, como é chamada a combinação entre o físico e o digital. Ela cita, por exemplo, a Adidas, que lançou uma coleção de NFTs. “Você compra um NFT e recebe em casa o produto equivalente. A experiência combinada do físico e do digital permite que as pessoas usem seus produtos na vida real e no metaverso. Um exemplo prático é a nova foto de perfil do Twitter. As pessoas proprietárias de NFTs agora podem colocar fotos de perfil no formato de losango. Isso mostra que o Twitter validou que você é o proprietário daquele NFT. Muitas aplicações vão criar maneiras de as pessoas mostrarem seus NFTs.”

O que ainda é motivo de preocupação

Isabela Roque, analista da Financial Move, escola de educação financeira, considera que os principais riscos estão relacionados aos golpistas. “Vemos cada vez mais entusiastas perdendo dinheiro por ter compartilhado informações de suas carteiras com estranhos na internet ou interagindo com protocolos fraudulentos e tendo suas criptomoedas roubadas. Como ficou mais fácil criar tokens fraudulentos nos últimos anos, o número de golpes nesse sentido aumentou bastante também.”

Beibei recomenda que os investidores realizem suas operações de forma consciente, estratégica e baseada nas tendências políticas, econômicas e sanitárias que afetarão o mercado. Estudar, pesquisar e conversar com outros traders são ações fundamentais. “Além disso, os investidores devem usar exchanges de confiança, seguras e que tenham um ótimo atendimento ao cliente.”

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A executiva da QI Tech lembra que o mundo descentralizado é diferente do mundo em que vivemos. “Hoje, nós temos instituições e poderes centralizados e governados por poucas pessoas. A hierarquia de poderes no mundo das criptomoedas é muito diferente do que estamos acostumados. As pessoas não podem entender criptomoeda como uma forma de gerar riqueza pura e simplesmente. Existem muitos riscos associados a cada moeda.” 

Por isso, ela orienta que é preciso conhecer profundamente cada projeto e cada moeda para evitar grandes prejuízos. “Golpistas existem em todos os mercados que movimentam bastante dinheiro. É importante estar atento às falsas promessas de altos retornos e baixo risco. É possível ter bons retornos com cripto, porém existem perigos. A recomendação é estudar profundamente os projetos e as pessoas envolvidas.”

E a regulamentação das criptomoedas no Brasil?

O número de investidores em criptoativos no Brasil cresceu 938% em 2021, segundo pesquisa realizada com base em dados da B3 e Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mas, apesar do incremento, ainda não há uma legislação específica para esse mercado.

Em dezembro de 2021, foi aprovado em votação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 2303/15, do deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade), que trata do assunto e agora irá para o Senado. Caso aprovado, seguirá para sanção presidencial. 

Com isso, a previsão é que as regras de mercado ficarão mais claras, diminuindo as chances de golpes e esquemas como pirâmides.

Caso entre em vigor no país, o PL vai possibilitar a criação de um órgão fiscalizador responsável por autorizar e controlar o funcionamento das corretoras de criptoativos. 

O texto também diz que será criado no Código Penal um novo tipo de categoria de estelionato, atribuindo reclusão de quatro a oito anos e multa para quem “organizar, gerir, ofertar ou distribuir carteiras ou intermediar operações envolvendo ativos virtuais, valores mobiliários ou quaisquer ativos financeiros com o fim de obter vantagem ilícita em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento”.

Camila detalha que hoje no Brasil, especificamente em termos tributários, o tratamento das criptomoedas é semelhante ao dos ativos de capital. “Temos uma Instrução Normativa de 2019, por parte da Receita Federal, determinando a declaração das transações toda vez que os valores forem superiores a R$ 30 mil mensais.”

Ela lembra, ainda, que esse tratamento dos criptoativos como ativos de capital é uma tendência mundial, sendo possível observar sua aplicabilidade também nos EUA. “Mas as disposições formais que temos nesses dois países são rasas, considerando a quantidade de transações e possibilidades que existem atualmente. Um destaque para os próximos desafios das autoridades fiscais e regulatórias será o tratamento das transações com NFTs, tendo em vista suas particularidades.”

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